terça-feira, dezembro 30, 2003

O Pato?! Não conheço nem nunca me foi apresentado!

3º Episódio

A entrada no palacete fazia-se através de uma porta em pinho esculpido, mediante uma autorização concedida pelo guarda-mor do palacete, o qual estava sempre prostrado junto a uma das prateleiras que suportavam os tintos da casa.
O guarda-mor não detinha aquele aspecto disuasor e antipático de que enfermavam muitos dos outros sentinelas da ilha de Berna. Era um indivíduo sorridente e afável, sempre pronto a auxiliar o próximo que se lhe dirigisse, o que conseguia fazer sem nunca deixar de segurar permanentemente o copo de tinto na mão direita...
Ainda hoje por lá ciranda diariamente e dá as boas vindas a todos aqueles que visitam esse palacete! (e continua também com o copito na mão). Um dos verdadeiros ex-libris do Pato.
Além desta figura distinta, o Pato alberga e dá guarida a outras ilustres personagens.
Por exemplo, o especialista em compêndios actualizados das leis de jogo do futebol, principalmente na lei do fora de jogo, na qual historicamente, segundo a sua opinião, se encontram duas dimensões presentes na obra de Marx: a periodização histórica e a existência de uma metáfora central para caracterizar o espaço das relações sociais.
Assim, para este especialista das leis do fora de jogo, segurança da empresa privada Prossegur nos tempos livres, esta regra (o fora de jogo), caracteriza-se por uma periodização histórica alicerçada nas alterações produzidas ao nível da forma das leis do fora de jogo e também pelo grau de importância que a cultura, num dado momento histórico confere às leis do fora de jogo como metáfora do modo de produção capitalista.
Este segurança da Prossegur, no entanto, focaliza a sua análise, não no domínio do económico de Marx, mas na ideia de que para a correcta compreensão das sociedades é fundamental percepcionar a dimensão cultural das leis do fora de jogo.


Segue dentro de momentos ...

segunda-feira, dezembro 29, 2003

O Pato?! Não conheço nem nunca me foi apresentado!

2º Episódio

Não obstante a manifesta dissensão entre os aventureiros que fundaram as suas feitorias em distintas ilhas, sobre as cores mais bonitas, acordaram eles eleger um local neutro para estabelecerem conversações regulares acerca de diversos assuntos que estavam na primeira linha das agendas naqueles tempos, entre eles a afamada Teoria do Caos, as Leis de Murphy, a escola checa de escritores, a sucessão, no SLB, daquele grande homem que ganhando 70 contos mensais, detinha uma casa na Quinta da Marinha e um helicóptero por um mui casto advogado que se perfilava no horizonte (houve alguns, incluindo este escriba, que vaticinaram correctamente o destino que estava traçado para este honesto advogado...)
Foi assim que no ano da Graça de 1995, algures entre Setembro e Dezembro, foi eleita a ilha que iria estar, de futuro, para estes aventureiros, como a Suiça oficialmente esteve para a 2ª Guerra Mundial.
Inspirados pelo exemplo suíço, foi unanimemente aclamada como local de assembleia a ilha de Berna. Das várias urbes que compunham esta ilha, os navegadores escolheram a urbe do Pato como aquela que melhores condições proporcionava para acolher as suas reuniões.
Feitas as primeiras vistorias à urbe com vista a detectar algum tipo de anomalia e disfuncionalidade nos diversos equipamentos desta urbe (era imperioso que todos os equipamentos cumprissem as normas de qualidade ISO 9069), e não tendo sido registados muitos atropelos à futura segurança dos navegadores (a excepção maior dizia respeito aos bolos que eram vendidos nesta urbe, principalmente as pirâmides de chocolate ...), acordaram eles efectuar as suas magnas sessões num palacete que se situava contíguo à rua “La Cuisine”, cuja decoração com uma miríade de castas vitivinícolas foi suficiente para convencer e inebriar os navegadores ...

Continua amanhã, em princípio ...

domingo, dezembro 28, 2003

Rectificação da calúnia atentatória

Em relação ao post "De Plástico", publicado por este blogue há coisa de dias, cabe dizer, depois das reclamações justas do jornalista Miguel Góis, que, de facto, não temos nenhumas provas que confirmem minimamente a relação entre o seu conteúdo e a notícia do Inimigo Público de 19 de Dezembro que tratava de forma similar a detenção de Saddam Hussein. Deste modo, não havendo provas, a sugestão de plágio foi pura calúnia. Esperemos que este post sirva para minorar os previsíveis danos que possam ter sido infligidos ao jornalista Miguel Góis. Voltamos a lamentar, com veemência, o sucedido.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Bom Natal



A Administração do Grupo do Pato deseja a todos os seus leitores, colaboradores, simpatizantes, sócios, accionistas, aficionados, fanáticos, patrões e empregados um bom e santo Natal.

Patrocinador Oficial do Natal do Pato: VIDISCO

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Plásticos e Plasticinas


Enquanto a polémica, e muito bem, se mantém sobre o falso Saddam, resta-nos sugerir ao nosso primeiro, Durão, uma visita aos nossos valentes soldados da GNR aquartelados no Iraque munido de um bacalhau de plasticina para compor uma ceia de Natal como deve ser. Para beber um belo sumo de uva, colheita de 1974 na versão mais radical, a fazer de vinho do Alentejo.
Num país de aparências, nada como parecer: parecer que se está cá, parecer que se gosta disto, parecer que se governa, parecer que somos sérios candidatos a Presidentes, parecer que isto vai melhorar, parecer que não há derrapagem, parecer que se reforma, parecer que somos fortes, parecer que o Sr. Portas é um menino de coro, parecer que alguém se importa com as quotas de pesca, parecer que somos civilizados, parecer que se acredita, parecer que as nossas G3 funcionam, parecer que temos tanques e aviões de guerra.
Era bom que o Dr. Durão regressasse urgentemente do seu interminável périplo pelo mundo e pegasse o touro pelos cornos. Deixar isto nas mãos do Dr. Sarmento pode não ser lá muito boa estratégia atendendo ao nível das conferências de imprensa dadas pelo mesmo. E com a Dra. Manuela, está provado, ninguém se safa.

Pergunta avulsa: o quadro que se vê na foto, será verdadeiro ou falso?

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Notoriedade

Entrámos no universo da imagem. É discutível que a escolha do Abel Xavier tenha sido a mais simbólica. Seja como for, desde a capa do último romance da Margarida Rebelo Pinto que não via nada tão colorido. Saudades do vermelho. Outro acontecimento merece regozijo: fomos plagiados. O Inimigo Público reproduz na terceira página a história do Saddam de plástico atribuindo as nossas informações, frescas de Bagdad, ao Chomsky. Nada mau.

O Pato? Não conheço nem nunca me foi apresentado!

1º Episódio

É justo atribuir-se a façanha da descoberta do Pato a dois cidadãos portadores de um espírito aventureiro, ávidos pelo risco e desejosos de alargar a sua vivência para fora dos muros da faculdade, na altura ainda desprovidos de um armamento de baionetas a encimá-los, como sucede desde há algum tempo a esta parte...
Depois de arribarem ao novo mundo, acorreram a enviar a boa nova aos colegas, prometendo-lhes, acaso lhes fizessem companhia nas próximas viagens, honrarias tais que fariam com que os ganhos atribuídos pelo Governo ao Citigroup no processo de titularização de dívidas fiscais à Segurança Social parecessem simples migalhas...
Após longas negociações, que envolveram a determinação do horário que contemplava as viagens a serem feitas ao “novo mundo”, nomeadamente o facto de um dos descobridores ter que estar, imperativamente, todos os dias em Queluz a partir das 3 horas da tarde, ou das 4, ou das 5, ou das 6, ou ... os colegas, convencidos, lá acederam a colocar as suas vidas em risco e partirem à conquista de novos mundos.
Nos primeiros tempos as naus navegavam a grande velocidade, percorrendo muitos nós por dia, graças às suas velas triangulares, as quais eram tecidas com o mais puro algodão do reino, e apresentavam-se tingidas com diversas cores (azul e amarelo, laranja, rosa, vermelho...).
Decorridos 4 meses de viagens sucessivas, muitas delas enfrentando a fúria de Possêidon devido a estes jovens navegadores se terem furtado, nalgumas vezes, a pagarem a portagem por atravessarem os seus oceanos (Possêidon foi o criador do conceito de utilizador-pagador nas auto-estradas marítimas. Nem podia ouvir falar em SCUTS!), um grupo de navegadores avistou uma ilha que povoava o imaginário há muito tempo de muitos habitantes do antigo quartel do exército, a ilha da Utopia!
Aportaram imediatamente a essa ilha, e enviaram sinais de fumo aos outros navegadores para lhes darem a visitar e conhecer as delícias dessa fértil ilha, inclusive de uma certa planta opiácea...
Este chamamento não foi suficiente para “encantar” alguns dos navegadores que tinham preferido outras ilhas para construírem uma nova vida, nomeadamente uma grande ilha que era muito próspera nos anos mais férteis, a grande ilha das laranjas!

Continua assim que possível!...


quinta-feira, dezembro 18, 2003

O estranho caso do "avô de Heidi"


Vejo que a espectacular notícia da possível incorporação de Abel Xavier no galáctico plantel do Real Madrid causou, aqui no Pato, um sentimento generalizado de estupefacção, para não dizer de genuína revolta. Nada de mais compreensível. Eu próprio quando soube da primeira página da Marca não consegui evitar um sorriso amarelo pelo que parecia ser um dos maiores erros de casting da história do futebol. Ao que parece, tudo não passou de mais uma mentira, promovida por quem precisa desesperadamente de boa publicidade. Algo perfeitamente banal no mundo do jornalismo desportivo. Infelizmente, para todos os aficionados de desenhos animados, o "avô de Heidi" (foi assim que a Marca chamou a Xavier) não pisará o relvado do mítico Santiago Bernabéu. Por mim, admito que senti um profundo alívio. Numa equipa que me reconcilia ciclicamente com o futebol, pela sua singular obsessão pela estética, a incorporação de Abel Xavier seria uma verdadeira tragédia.

Leõezinhos

"Entrámos a dormir"
"Tivemos falta de concentração competitiva"
"Na primeira parte tivemos uma atitude passiva"


Sabeis, porventura, de quem é a autoria destas frases?
São do treinador de um grupo de rapazes que ganham mais num mês do que 80% da população portuguesa durante toda uma vida de trabalho...
São do treinador de um grupo de rapazes que para verem creditadas mensalmente centenas de milhares de euros nas suas contas bancárias apenas têm que fazer um jogo de futebol por semana...
São do treinador de um grupo de rapazes que sempre que transformam por "artes mágicas" um cenário de muitos milhões de euros num palco de vergonha para a camisola que envergam, acorrem nos dias seguintes a proclamarem, em alto e bom som, sucessivas jeremíadas, lamúrias e queixumes sobre a incompreensão a que são votados pelos sócios e adeptos, porque ninguém mais do que eles entra sempre de forma determinada, como se vê pelas declarações do treinador, para dentro de campo para lutar pela vitória nos jogos...
Depois da aclaração da realidade madrasta que situa o dia-dia destes rapazes, já é mais fácil de perceber quem é o autor das frases, certo? E a análise que ele faz do comportamento e das atitudes profissionais do seus rapazes, também, não é?
Ah, como é possível que os sócios e adeptos não compreendam aqueles rapazes?!...

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Marcos históricos do blogue do Pato

Hoje atingimos as três mil visitas.
Daqui por dois dias fazemos três meses de existência.
Estamos de parabéns.
Continuem a blogar.

Ensaio sobre o comércio

Pois é, consta que uma das principais razões que suportam a intenção do Real Madrid em adquirir o Abel Xavier passa pela possibilidade da sua imagem ser explorada comercialmente. Acabou o tempo dos jogadores de barba rija com penteados como o do Manuel Fernandes ou o do João Pinto do FCP e bigodes como o Oliveira o Toni ou o Humberto Coelho, homens que se assoavam para o chão e puxavam os pêlos dos sovacos aos adversários durante a marcação dos cantos. Agora, para ser bom jogador é preciso mudar de permanente todas as semanas, fazer madeixas, cuidar das unhas e cheirar bem. Rapidamente os empresários vão ser substituídos pelos cabeleireiros, o Fernandinho é da Isabel Queiroz do Vale, o Manecas do Paulo Vieira. Fernando Aguiar volta que estás perdoado.


Pedradas

É de elementar justiça fazer aqui o elogio à qualidade indiscutível de um blogue que já é, sem dúvida, uma referência no espaço virtual. Granito de seu nome (podem aceder na entrada aqui do lado direito), é um espaço de debate inteligente, onde a escrita irrepreensível se une à justeza do comentário. Figuram entre os afamados escribas, nomes que dispensam qualquer apresentação como o inimitável Vasco Palouro das Neves. Quem sabe se alguns dos seus comentários mereceriam resposta aqui no nosso mais modesto forum?

Ensaio sobre a cegueira

Abel Xavier poderá ser o novo jogador do Real Madrid. O defesa português interessa a Carlos Queiroz, que pretende reforçar a defesa madridista (...)
Público, 17-12-2003

Eu sei que a quadra é natalícia, que a bondade e o altruísmo devem governar os espirítos por estes dias, mas desconhecia que o amor ao próximo sentido por Queiroz nestes dias chegasse a este grau de masoquismo!...

terça-feira, dezembro 16, 2003

Bar de Alterne, Funchal. Madrugada de um sábado qualquer. Noite fria.

Entramos em bando, escada acima, depois de nos ser cedida a passagem por um homem com cara de poucos amigos, entre uns risinhos que pretendiam disfarçar a excitação do momento e a adrenalina pura de quem entra num sítio desconhecido. Era ali o fim da noite.
A despedida de solteiro só ficaria completa depois daquela visita especial que é um ritual instituído, que toda a gente conhece mas que ninguém comenta. Sem aquilo nada teria ou faria sentido. Pelo menos na memória, na importância, no cerimonial que de cada vez que alguém se casa se assume como espécie de passagem para uma nova etapa da vida e como demonstração pública, ou privada, da sua pseudo-masculinidade.
No primeiro andar a sala é escura, com mesas de madeira muito baixas e sem qualquer piada. As paredes estão vestidas de espelhos pintados com alusões ao natal e com enfeites coloridos do mais medonho que já vi. Não consigo saber se as mesmas são deste ou de outros natais. Mas isso ali não interessa. Os rapazes estão agitados; em grupo os rapazes são sempre mais fortes, mais corajosos, mais inventivos. Mais audazes. Mas também mais palhaços e agressivos. Os mimos variam entre o puro sadismo, a ofensa gratuita e o directo ao assunto. Saber quanto é para o show, para a dança, para o espectáculo de streap é a pergunta do momento. Euros não faltam. Que nos satisfaçam o pedido.
As profissionais do sector, utilizando linguagem sindical, estão estrategicamente sentadas, sós ou em grupo. Fumam e bebem. Umas de mini-saia outras de calças, mas todas têm em comum o facto de serem simplesmente horrorosas e vestirem-se espalhafatosamente. Aliás, umas até conseguem vestir-se sem roupa o que para a maioria das mulheres é um rude paradoxo.
Têm caras sofridas. São velhas e novas mas de idades indefinidas. Talvez vinte. Talvez trinta. Uma, pelo menos, seguramente cinquenta. Outra, sozinha numa mesa, está em gravidez avançada, não sei se de um cliente, se de um namorado a quem sustenta algum pernicioso vício. Não sei. Há ainda outra que se diz brasileira, mas a quem se nota a pronúncia forçada e uma que diz vir de Lisboa. A concorrência deve estar a apertar.
Ali há muito que não há esperança. Nem nas novas, nem nas velhas, nem na grávida, nem na brasileira, nem na lisboeta. Nada.
Todas sabem que aquilo as desgasta, que as desgastou, que o seu futuro, e parte do seu passado, está entre aquele lance de escadas e as quatro paredes que as prendem àquele sítio ou ao andar de cima onde mais intimamente satisfazem desejos e fantasias dos eventuais clientes, habituais ou esporádicos, tal e qual como acontece agora no seu presente. Não passam dali. O seu sorriso, a sua conversa, nunca as levará mais longe; dali nunca fugirão do pesadelo em que mergulharam as suas vidas há muito tempo quando Deus e o mundo lhes viraram as costas e sós decidiram enfrentar o seu destino. Quem chega ali, não desce mais: bateu no fundo e vive na mais abjecta decadência e sujeita-se ao mais infame dos tratamentos.
Tudo é alimentado por um bar e por uma cabine de dj que são cuidados pelo mesmo indivíduo que faz de porteiro, um indivíduo carrancudo que não aparenta ser muito forte (mas que deve saber truques de karaté de certeza absoluta), num verdadeiro três em um. Não há tempo a perder. Numa última instância uma delas ajuda a servir e muda a música ambiente. Basta para satisfazer as poucas necessidades da casa vazia para um sábado.
Para além de nós, conto dois clientes numa já animada bebedeira. Estão sós. Nenhuma das moças os acompanha e nenhuma delas parece se importar com isso. Bebem cerveja. Nestes sítios é conveniente que assim seja: beber coisas que possam ser ingeridas pela garrafa. É higienicamente mais seguro. Eles personificam outro tipo de decadência: a solidão dos homens; o seu desespero; o alcoolismo; a queda vertiginosa ao abismo daquele submundo estranho mas que visto nos filmes é altamente perturbador, aliciante e, quem sabe, até viciante.
Escolhemos finalmente uma qualquer moça, magra, muito magra, das novas e que dizia ser cá da terrinha, que fez o show com um mínimo de profissionalismo exigido. Acabava de garantir o seu rendimento mínimo da noite. Isso era importante. Estava satisfeita. Nós ríamos (também faz parte da decadência), e mostrávamos satisfação plena por aquele momento (também faz parte da mesma decadência). Estava finalizada a nossa missão.
Estávamos prontos para ir embora. Lanço um último olhar: elas continuam impávidas. Sinto agora que aqueles enfeites de natal não estão ali desde o ano passado: estão desde sempre porque só sendo sempre natal se consegue continuar a sobreviver ali. Os olhos não mentem, não conseguem mentir nem esconder a tristeza que os alimenta.
Cada uma tem um percurso de vida que conta misturando mentiras que se tornam verdades e verdades enriquecidas com mentiras. Olho e pergunto-me: a quem interessa as suas histórias sempre iguais e sempre diferentes?
Ali, a ninguém seguramente.

We´ve got him!!!

A captura de Saddam pelas forças ocupantes do Iraque, (independentemente da concordância ou não com a invasão, é um dado com que nos devemos congratular, apesar de ser o único motivo decorrente da invasão para congratulações até hoje, e talvez o último ...), anunciada de forma estridente (até pensei que tinham encontrado as armas de destruição maciça...), cuja maior celebração que visualizei nas imagens televisivas proveio de iraquianos que embandeiravam alegremente umas bandeiras vermelhas com uma foice e um martelo ao cimo (ironia das ironias), foi comentada pela ministra portuguesa dos Negócios Estrangeiros, com natural, legítimo e partilhado regozijo, acrescentando que tinha obtido conhecimento da captura por intermédio dos noticiários radiofónicos...
É caso para dizer: Mas que imensa falta de respeito dos líderes da coligação para com a “gente” !!!
Então andamos nós a enviar para o Iraque os nossos GNR´s, abrimos as portas do país à recepção do Presidentes dos dois países, oferecemos-lhe uns saborosos bifes açorianos, com vinho de Porto e queijo Terra Nostra como aperitivo e umas farófias apuradinhas como sobremesa, e estes nem sequer se dignaram a informar os nossos governantes sobre o maior feito cometido pela coligação do eixo do bem no Iraque?!
Bastava um telefonema a dizer: Durão Burroso (é assim que lhe chamam na Casa Branca...), my friend, we´ve got him!!!


segunda-feira, dezembro 15, 2003

De Plástico

O enviado do Grupo do Pato a Bagdad, Al Cajó, confirmou em primeira mão, após perigosas diligências, que a figura de Saddam que vimos, depois da sua detenção, em todas as televisões do mundo era feita do mesmo material do perú que George Bush carregava nas comemorações do Dia de Acção de Graças. A grande dificuldade em reproduzir exactamente todas as características de Saddam, levou o Pentágono a contratar vários especialistas. Fontes próximas asseguram que José Lamego colaborou nas pinturas do boneco do ex-líder iraquiano, aproveitando a grande experiência acumulada nos tempos em que pintava murais para o MRPP. Só assim se explica o facto do Saddam ter uma barba cujo modelo não é outro que não o próprio Karl Marx. Entretanto correm rumores que o Próprio George W. é um boneco de plástico. Mas estas fontes, segundo Al Cajó, são menos seguras, já que há fortes indícios que seja um fungo gigante.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

O Sr. Santana Lopes anda a abusar.

Preocupado com a sua proto-candidatura a candidatura a Presidente da República o Sr. Santana estica a corda para além do limite tolerável e já começa a ver inimigos em todo o lado. Meio caminho andado para a esquizofrenia.
Eu pessoalmente já gostei do Sr. Santana, noutros tempos, antes de perceber as suas reais e verdadeiras motivações e os modos como faz política sem falar de política, género Guterres mas ligeiramente melhor e mais bonito também.
Mas hoje, não tenho dúvidas que ele, tal como Louçã à esquerda e Portas mais à direita, representa aquilo que há de pior na política: o populismo bem-falante e mediático que anda sempre atrás do jornalista mais próximo e da fotografia e cuja sabedoria e estatuto lhe permite discorrer, sobretudo, sobre nada e aparecer fartamente naquelas revistas cor-de-rosa onde volta meia volta, vem na capa um segredo muito bem guardado da alcova de um notável execrável dito do jet set. Deste último lote retiro o Portas e o Louçã.
Eu acredito que o Sr. Santana esteja farto de Lisboa e que se tenha apercebido que gerir um hipermercado (Lisboa) não é bem a mesma coisa que gerir a mercearia (Figueira da Foz). Só isso pode explicar esta fúria em se lançar de cabeça nesta odisseia só exequível com a horripilante conivência da comunicação social em chafurdar num tema que nem é actual nem é pertinente. Não é nada.
Mas o tiro pode-lhe sair pela culatra: é que sem querer o Sr. Santana pode estar a abrir caminho para outro, que não ele, e a desgastar a sua imagem em conflitos institucionais desnecessários e inúteis e a prejudicar nitidamente o próprio PSD.
Contudo, percebe-se a estratégia do Sr. Santana: O que é melhor que ser primeiro-ministro? Só Presidente da República. Só que há o reverso da medalha porque pode ficar pior porque pior é não ser coisa nenhuma. Nem presidente da Câmara.
Que lhe fique a lição que Ícaro também a seu custo aprendeu.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

E esta, hein!...

O governador do Banco de Portugal afirmou ontem num debate promovido pela União das Associações do Comércio e Serviços que "o problema orçamental português é mais sério do que se imagina"

Quem diria?!
Depois de ter ouvido a Ministra da Economia e Finanças asseverar que a política económica seguida até agora vai-se manter inalterável, seria de pensar que as coisas estivessem muito melhor...
Pelo vistos a Ministra é adepta daquela excelsa solução de dar um passo em frente quando se está à beira do precipício...
É uma desportista radical, certamente...

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Pedofilia nos Açores

O Presidente da Assembleia da República diz que desconhece pedofilia nos Açores. Mota Amaral, desconfio eu, também deve desconhecer, a existência de pobres, de prostituição, de mulheres que abortam, de deficientes mentais, de bandidos, de assassinos, de gente com SIDA, de repatriados dos EUA, de toxicodependentes, de maçónicos ou de tipos da Opus Dei.
Nada disto existe nos Açores porque o senhor Mota Amaral, que foi Presidente desta região autónoma, desconhece. Mas todos nós sabemos como é muito mais confortável para os políticos viver desconhecendo tudo isto. É como viver numa espécie de conto de fadas, onde o povo não tem problemas nem existe miséria. No fundo, é a tal teoria da negação constante que faz com que, por milagre e por obra de algum Espírito Santo, os problemas desapareçam sem nada se ter feito para isso. E é-se muito mais feliz. Isso de certeza absoluta.

BT

O major-general Manuel Apolinário, apresentado anteontem como novo comandante da Brigada de Trânsito da GNR, está a ser investigado pela Polícia Judiciária Militar, o que vai obrigar o Governo a procurar uma outra alternativa.

Após uma infinidade de recusas anteriores, logo agora que parecia estar encontrado o homem com o perfil ideal para o lugar (afinal de contas o homem apresenta um currículum invejável para dirigir a força policial em questão: de acordo com o DN, Manuel Apolinário "tinha e tem vários processos a correr") é que tinha de acontecer isto ...

terça-feira, dezembro 09, 2003

Confiança

Andam aí estudos que nos dizem que somos o povo mais desconfiado da Europa. Eu não estranho. Acredito piamente quando me dizem que os portugueses não confiam na polícia, na justiça e que acham que os deputados europeus inspiram mais confiança que os nacionais, que é o mesmo que dizer que não gostam nem querem ouvir falar dos políticos indígenas. Mas sinceramente, não me admiro com nada disto nem com o facto dos portugueses desconfiarem uns dos outros, o que até acho simpático (era muito pior se em vez de desconfiar andássemos aos tiros uns com os outros).
Mas há mais um mal com a confiança portuguesa que não identificaram: o excesso. Isso mesmo, o excesso de confiança.
Só este excesso pode explicar o número de assassinos e de mortos nas estradas, os adeptos fanáticos da Selecção, a confiança cega de que isto vai melhorar de um dia para outro e por obra de qualquer milagre do Santo padroeiro, as projecções económicas da D. Manuela e a hipotética vitória do Sr. Santana à Presidência da República.

O fim de um mito

Em 2300, Portugal poderá ter uma população total de pouco mais de oito milhões, indicam dados hoje divulgados pela ONU.

Nessa altura já não será mais possível dizer que há seis milhões de benfiquistas no país! Caminhamos para o fim de um mito, portanto ...

Diga lá outra vez?

O apresentador Carlos Cruz vai recorrer junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos contra a Justiça portuguesa pela sua alegada prisão ilegal e pede uma indemnização de dez milhões de euros, valor estimado em torno do que poderia receber se trabalhasse até aos 70 anos.

Então a reforma não é concedida, no máximo, aos 65 anos?!
Parece-me que o Carlos Cruz quer fazer ao erário público o que consta que fez às crianças casapianas..

quinta-feira, dezembro 04, 2003

ciganos e narcisos

A diferença entre o racismo primário e o racismo complexo. Os pais das criancinhas brancas que frequentam uma escola preparatória em Bragança (sim, a cidade das prostitutas brasileiras) não querem que os filhos dos ciganos partilhem a escola com o seus rebentos. O responsável pela educação na região veio dizer que isto não pode ser, porque meter os ciganos na escola enquanto pequenos é a forma de evitar que eles arranjem problemas quando forem grandes. Palmas para o senhor. Entretanto, mais a sul, Narciso Miranda decidiu realojar umas quantas famílias de ciganos nuns barracões pré-fabricados, porque, segundo ele, os ciganos não gostam de morar em andares. Para explicar melhor a sua posição Narciso resolveu fazer um exercício comparativo, ora então, disse o edil, imagine o que era colocar deficientes num último andar de um prédio, não podia ser, porque os pobres não conseguiam descer para a rua. Realmente, nunca tinha pensado nisso.

E agora algo completamente diferente ...

O Ministério das Finanças chegou a ponderar a possibilidade de cobrar IRS aos militares da GNR que estão em missão no Iraque mas, quarta-feira, o comandante-geral da GNR revelou à TSF que isso não vai acontecer.O Ministério das Finanças chegou a ponderar a possibilidade de cobrar IRS aos militares da GNR que estão em missão no Iraque.
Isto porque o artigo 42 do decreto-lei que define as isenções fiscais diz que ficam isentos deste imposto os militares e elementos das forças de segurança em missões «com objectivos humanitários ou destinadas ao estabelecimento, consolidação ou manutenção da paz, ao serviço das Nações Unidas ou de outras organizações internacionais», o que não é declaradamente o caso.
Entretanto, ontem, o comandante-geral da GNR revelou à TSF que os militares que estão no Iraque podem ficar descansados porque não vão fazer descontos para o IRS.
«Para o comando da Guarda - o nosso entendimento e a nossa leitura - é que não havia razão nem motivo para que fosse feita qualquer retenção na fonte em sede de IRS», disse Mourato Nunes.
«Se eventualmente houvesse outro entendimento, nomeadamente por parte das Finanças, procuraria resolver o assunto», afirmou!!!
Não se tornou necessário porque este também era o entendimento das Finanças e do Ministério da Administração Interna», salientou Mourato Nunes.

Ora,ora, digam lá se este não é um Governo de excepção?! Nomeadamente no cumprimento das leis!
Mas pelo menos é coerente! Segue de violação da lei em violação da lei... O entendimento reinante é que se existe uma lei é para se fazer letra morta dela, principalmente se a pressão for feita pela acção colectiva de certos grupos de interesse...
Ai Cristo, vem cá baixo ver isto!...

Haja dinheiro ...

O que não vale ter um número de deputados suficiente para fazer a diferença nas votações parlamentares ...

"Ferreira Leite Permite à Madeira Violar Endividamento Zero"
Apesar de ir contra a lei do OE para 2004, a ministra das Finanças deu parecer favorável a mais um empréstimo a contrair pela Madeira no montante de 35 milhões de euros, verba necessário para cobrir o défice do Orçamento da Madeira para 2004 (...)
Além deste empréstimo, Ferreira Leite autorizou mais uma série de procedimentos que permitem ao governo regional ter acesso a 107 milhões de euros.
Por tão generosa dádiva num total de 107 milhões de euros, não incluindo as citadas receitas fiscais extraordinárias ainda não quantificadas, a ministra das Finanças mereceu, no início da discussão do orçamento regional, um rasgado elogio do secretário do Plano e Finanças. Para este governante, as medidas revelam a "forma séria e responsável com que [a ministra] tem encarado a resolução dos problemas pendentes". Ventura Garcês adiantou ainda: "Se mais não tem feito pela Região é porque a situação herdada das finanças públicas o não tem permitido." (...)
Entretanto, a dívida regional, directa e indirecta, aproxima-se dos 1 500 milhões de euros estimados pelo PÚBLICO em 13 de Novembro, ou seja, de um valor superior ao do próprio Orçamento da Madeira para 2004 (1,42 milhões de euros)...

Público, 04-12-2003

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Às armas, às armas II

De acordo com a nova legislação relativa ao licenciamento do porte e uso de armas, que irá ser submetida a aprovação pelo executivo português, e onde consta a menção "brilhante" de que não é exigida a demonstração obrigatória, por parte do requerente, de que o porte de arma é fruto de uma "necessidade imperiosa" ...,todos os cidadãos a quem for concedida a licença terão que fazer, pelo menos, cem disparos por ano, para ser avaliada e aprimorada a pontaria do cidadão!!!
Agora sim!
Até podemos ter níveis de qualificação escolar e profissional baixos, dívidas bancárias elevadas, caos urbanístico em quase todo o litoral do país, calotes fiscais aos milhares,etc,etc, mas em breve passaremos a ser, com o "financiamento" das empresas de produção de munições, os atiradores mais certeiros do mundo!!!

Às armas, às armas I

O presidente norte-americano assinou, na passada segunda-feira, uma lei que vai atribuir 5,2 mil milhões de euros para os programas nucleares no ano fiscal de 2004, visando a pesquisa de uma nova geração de armas nucleares.
Com a administração de G.W.Bush é mesmo como diz o ditado: "Bem prega Frei Tomás. Faz o que eu te digo mas não faças o que faço" ...

Campanha de privatização de notáveis

Estive a pensar, com a angústia a que a situação obriga, o que fazer deste país, como ultrapassar a crise que nos corrói o amâgo da pátria. Passei dias em bibliotecas, noites mal dormidas, até que, num golpe que apenas posso atribuir à influência divina (obrigado Karol pelas tuas orações), deparei, numa singela, aparentemente inofensiva e mal iluminada prateleira de uma livraria mal frequentada, com as obras de Milton Friedman e Von Hayek. Foi uma autêntica epifania. A doutrina neo-liberal é do caraças, do melhor que já vi, tanto tempo perdido no marxismo, tanta pomba assassinada. Pois bem, devorei os compêndios, linha por linha, página por página. Converti-me em absoluto e, passo a modéstia, acho que superei os próprios mestres.
É falso que a doutora Manuel das finanças esteja a delapidar o património público para cobrir o sacrossanto défice. O património público é infindável pois a nação ainda não alienou o que tem de melhor: os portugueses. Não falo do comum trabalhador, que como sabemos é preguiçoso e não faz nenhum, mas dos nosso notáveis, essa gente tão extraordinariamente inteligente. Proponho, para não darmos logo cabo das jóias da coroa, que sejamos contidos no início deste processo. Deste modo, acho que podiamos vender o José Manuel Fernandes, o Luís Delgado, o Telmo Correia, o João Carlos Espada, o João César das Neves e a Maria de Fátima Bonifácio. Escolhi-os porque acho que estão em melhor condição que ninguém para compreender este esforço pelo bem da nação. Entregamo-los aos desígnios do mercado, que ele decida se valem ao não alguma coisa.

terça-feira, dezembro 02, 2003

Retroactivos do fim-de-semana II

Achei curiosas duas notícias vindas nos jornais: uma relativa ao apoio da JP/Gerações Populares à candidatura de Santana Lopes à Presidência da República e outra que dizia respeito ao desejo de se fazer uma coligação nas eleições regionais dos Açores entre o PSD e o PP.
Vamos por partes.
Primeira situação: Uma juventude partidária que tem como principal problema a candidatura ou não do Sr. Santana é uma juventude que não se percebe muito bem o que anda cá a fazer. Eu, e se calhar muita gente mais, pensava que a JP andava preocupada com o aumento do desemprego, com a falta de qualificação dos nossos jovens, com a baixa qualidade do ensino, com o aumento das toxicodependências, com o aumento da SIDA, com a falta de habitação, enfim, com as temáticas que directa e indirectamente dizem respeito aos mais jovens. Redondo engano meu. A JP não está preocupada com nada disto. A JP está preocupada, isso sim, com o Sr. Santana e com a sua candidatura a Belém daqui a mais de dois anos!!! Haja paciência.
Segunda situação: a coligação que tem como único objectivo matar/fundir o PP a prazo (no PSD) avança agora em moldes diferentes nos Açores. O erro é crasso: qualquer coligação pré-eleitoral nunca define o verdadeiro peso de cada um dos partidos envolvidos na mesma o que pode originar mal-entendidos difíceis de ultrapassar sem contar com toda uma negociação milimétrica que, transpirando para a opinião pública, pode ter consequências nefastas (género, isto é para mim, aquilo é para ti, tu nomeias este, eu nomeio aquele, tu ficas com a Educação, mas dás-me a Cultura, etc, etc). Tudo isto tem de ser alvo de acordo pormenorizado e pré-eleitoral. A minha pergunta é simples: para quê? Porque não se deixa as coisas correrem normalmente, apresentando-se ao eleitorado separadamente, mostrando as ideias fortes de cada um e depois sim, se necessário, fazer contas? Será que o PSD não percebe que esta aliança pré-eleitoral pode prejudicar uma fatia importante dos eleitores que vêem no PSD um partido daquela coisa esquisita chamada Centro e o tal do “voto flutuante”? Não se percebe que os descontentes do PS mais depressa votam no PSD que numa coligação PSD/PP? Não se percebe isto? Haja paciência.

Retroactivos do fim-de-semana I

Há coisas que já não espantam.
A visível impunidade dos jogadores que humildemente passearam a sua educação pelas terras de Robespierre, resume-se, pelas palavras do Sr. Madaíl ao pagamento da conta referente à destruição maciça de tudo o que era estático no balneário. Nem um tostão a mais nem um tostão a menos: a conta a dividir pelos jogadores (não percebo porque fica o Sr. Romão de fora da factura). Mas castigo, que é bom e que é educativo e correctivo a sério é que nem vê-lo.
Infelizmente a mentalidade que predomina no cérebro do Sr. Madaíl diz-nos que basta pagar os estragos e que fica tudo corrigido, inclusive a imagem bárbara pelos seus apaniguados, deixada. Dele já nada me espanta, porque basta ouvi-lo diariamente para perceber que o homem não foi talhado para isto mas que por obra de alguém lá se mantém agarrado ao tacho que o alimenta.
Penso que por ele o mesmo princípio se aplicaria se os mesmos meninos quisessem bater em alguém ou partir um centro comercial ou andar numa auto-estrada em contra-mão. Bastava, no fundo, que os lesados apresentassem a factura que eles pagavam e tudo ficava lusitanamente perdoado e esquecido. Esta imagem de que o dinheiro pode tudo é um péssimo retrato desta nossa escabrosa pátria e um péssimo exemplo para as camadas mais jovens, e menos abonadas, da população. É uma falácia que nos custa mais cedo ou mais tarde, caro e que mostra bem como neste país há uns com mais direitos e menos deveres do que outros porque neste país há gente que permanece intocável quer pelo seu estatuto social, político ou económico quer por ser um menino bonito da selecção de futebol que viaja e se instala à custa dos que pagam impostos. O caso dos jogadores de selecção deveria ter sido punido exemplarmente para que noutros sítios, noutros locais, noutras modalidades, não se repetisse ou se reflectisse melhor dizendo, a verdadeira e triste imagem de quem para além de não saber perder, não sabe também ganhar. É por isso que é péssimo que tudo isto acabe com uma simples multa (porque é de uma simples multa que se trata) quando o que está em causa é da exclusiva competência do vandalismo, delinquência e de um problema social muito mais grave e que ninguém parece querer discutir e que nem a idade desculpa. Chamo a isto tapar o sol com a peneira. Ainda há pouco tempo, na final do Torneio de Toulon, um defesa português de nome Amoreirinha, teve a ideia de espetar com os pitões na cabeça de um avançado italiano caído no chão sem qualquer necessidade. Eu não sei o que se pretende do futebol, mas quando este tipo de comportamento, assassino, não é punido não nos podemos queixar das coisas que posteriormente acontecem.
Assim, não me espanto que jogadores que são apanhados a transgredir continuem a ser convocados à Selecção, que jogadores que agridem seleccionadores e árbitros a mesma coisa e que o Sr. Madaíl continue a ser um pateta alegre que ganha milhares de contos sem prestar contas a ninguém. Nada me espanta.
Daqui por alguns meses, quando a Rússia se transformar em Coreia do Sul e a Grécia em EUA alguém virá dizer que este grupo era o mais difícil e que a culpa foi do fiscal-de-linha que validou o golo em fora-de-jogo e que no Mundial da Alemanha é que será. Neste futebol português, infelizmente, também reina a impunidade e a desfaçatez do Sr. Madaíl. Até quando?

segunda-feira, dezembro 01, 2003

A minha ronda pelas noticias nacionais de hoje fez-me apenas constatar, com muita tristeza, que ha dois mitos que ainda perduram em Portugal e um terceiro no mundo inteiro:

1) que Portugal foi o ‘bom colonizador’ (ver Paulo Portas em http://jornal.publico.pt/2003/12/01/index.html)

2) que a SIDA e uma doenca mais contagiosa que a tubercolose (http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF135483)

3) que o ambiente e uma questao de somenos importancia (http://tsf.sapo.pt/online/ciencia/interior.asp?id_artigo=TSF135070)