terça-feira, novembro 30, 2004

Uma nova Estátua em Felgueiras

De acordo com o "Semanário de Felgueiras" de 26-11-04, "O industrial do calçado vai ser homenageado pela Câmara Municipal de Felgueiras, estando para o efeito a ser estudada a colocação de uma estátua na rotunda das campas, na EN 101-3".
Para o efeito vai ser aberto um concurso público para a adjudicação da obra, constando do caderno de encargos da obra a obrigação da estátua do "industrial do calçado" estar lateralmente acompanhada por duas outras estátuas menores: uma que reproduza fielmente um Ferrari F50 e outra que simbolize a principal força de trabalho da indústria de calçado local, uma pequena criança.

segunda-feira, novembro 29, 2004

A prática logo o dirá.

"Ninguém me tira da cabeça que 90 por cento, ou mais, dos comentários negativos que por aí circulam sobre o novo secretário-geral do PCP provêm de quem, consciente ou inconscientemente, não se consegue libertar do paradigma do canudo. Não é doutor nem engenheiro, logo não está à altura. A prática, esse único critério da verdade, como dizia Lenine, logo o dirá." ANTÓNIO VILARIGUES em PÚBLICO 29/11/2004

Como disseram Lenine e Vilarigues, a prática logo o dirá.

Jeróóóóóóóóóónimo

Jerónimo de Sousa é o novo líder do PC. Está por isso de parabéns.
Ao longo do fim-de-semana, nas poucas imagens televisivas do congresso de Almada, foi possível ver que o PC embora em “invisível” conflito interno, exageradamente extrapolado pela comunicação social, não está morto e respira ainda com alguma tranquilidade. E que Jerónimo até fala bem. Para o PSD isto é bom; para o PS e para o Bloco é mau; para a vida política do país é assim-assim. Para tudo o resto é indiferente.
Jerónimo, ao que dizem, representa a vitória, que é contínua, da linha mais ortodoxa que desde sempre domina o Comité Central. Contudo, reconheço nele um actor político inteligente e hábil que é apenas desprovido de carisma (o que num líder político é característica, convém relembrar, a não menosprezar). Mas Jerónimo representa ainda uma interessante mudança sociológica de fundo: ao contrário dos seus antecessores, Jerónimo vem do proletariado suburbano e industrial. Precisamente o contrário das experiências e das visões cosmopolitas e burguesas de Carvalhas e Cunhal. E esta sua condição pode ter um efeito curioso. Afinal, não é sempre que o proletariado, sem revolução, chega ao poder.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Muito interessante

A antropologia é uma disciplina muito interessante, especialmente porque proporciona observatórios de estudo interessantes. Na busca do outro, tarefa cuja competência parece ser especialidade de pessoas formadas em universidades ocidentais, podem conceber-se inúmeros objectos de estudos realmente interessantes.
Professor: Então e você, qual é o seu tema?
Aluno A: Eu quero estudar futebol em Moçambique
Professor: Isso é extremamente interessante.
Aluno A: Pois
Professor: O que é a turma acha deste tema tão interessante escolhido pelo colega?
Turma: É muito interessante
Aluno B: É do caraças de interessante
Aluno C: Que inveja, eu que vou estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico nunca teria pensado num tema tão interessante como o futebol em Moçambique
Aluno D: Tu vais estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico? Isso é brutalmente interessante. Se quiseres dou-te o e-mail de um amigo meu que fez um mestrado sobre a cultura da couve roxa entre pescadores bissexuais que viviam de cócoras dentro de um vulcão de uma ilha do pacífico.
Aluno E: Quem é que se lembraria de uma coisa dessas? Estou-me a sentir algo parvo, porque o meu tema é apenas a intertextualidade, dança contemporânea e Lacan: valores pós-materiais na China Imperial vistos através do olhar crítico de quatro gerações de mulheres gordas no Irão, nos três dias seguintes à queda do Xá.
Professor: ...nos três dias seguintes à queda do Xá. Isso é ... foda-se, cum caralho, isso é mesmo interessante, é que não que não é só interessante é, no mínimo, muito interessante, talvez algures entre o interessante e o muito interessante mas eu diria que mais próximo do muito interessante, está ali quase, o muito interessante está à vista.

Interessante

A academia tem formas várias de interpretar o politicamente correcto que se vai impondo por todo o lado. Uma das expressões fundamentais nesta forma académica de ser politicamente correcto é a palavra interessante. Tudo é interessante: especialmente se o aluno pagar as propinas a tempo e horas. O “interessante” é uma muleta interaccional poderosa, que contribui para que as pessoas gostem, aparentemente, umas das outras. Elias chamar-lhe-ia mais um passo do processo civilizacional. Evitar o confronto. Claro que depois há rituais específicos para proporcionar o conflito. Nesse espaço ritual é possível, aliás é a regra, ser-se crítico e violento (por vezes até de forma artificial). Os ventos pós-modernos libertaram os critérios de avaliação e tudo pode ser, ao mesmo, interessante e odiável, depende, obviamente da corrente teórica ou estética em que navegamos.

quarta-feira, novembro 24, 2004

Love is on the air

Santana Lopes justificou a criação da central de comunicação pelo Executivo que lidera, na terça-feira à noite, no programa «Grande Entrevista» da RTP.
Disse Santana: "É tanta a sensibilidade da comunicação social com este Governo que retribuímos o amor com o amor..."
Ao que parece, desta vez, e para variar, Sampaio não quis ficar a segurar a vela entre os "pombinhos"...

Europa

Um grupo dito ‘numeroso’ foi ao ‘dia oficial do início de funções de José Manuel Barroso’. Gostava de saber quem pagou a excursao. Faz-me lembrar um congresso internacional the medicina familiar em Helsinquia, onde 50% dos medicos presentes eram Portugueses, 40% Espanhois, e 10% do resto do mundo… Adiante… As questoes relativamente ao referendo sao de facto complicadas para a maioria dos Portugueses. No entanto, ao inves de os chamar de estupidos, iletrados e ignorantes, nao vejo a ‘elite’ iluminada do nosso pais a fazer o minimo de esforco para lhes explicar o que e que esses termos complicados querem dizer. O conceito de educacao popular e inexistente num pais dominado por intelectuais que adoram queixar-se do ‘povo’, culpar o ‘povo’ pelos seus males, e que anseiam pela ‘desgraca’ que lhes vira dar razao. Nao e o conceito de uma Europa unida que esta em questao, sao precisamente o funcionamento das instituicoes europeias e a democratisacao dos processos de decisao. Esse deveria ser o debate que deveria saltar os circulos restritos da politica para a populacao que, com certeza, ainda que estupida, se esclarecida, seria pelo menos capaz de tomar uma decisao informada. Quanto as instituicoes, poderia ate comecar-se por uma ‘limpeza’ de ‘tachos’ onde muitos ‘nao crentes’, dado ao status e condicoes financeiras vao para Bruxelas ‘nao crer’ numa idea que, assim sendo, poucas hipoteses tera de se concretizar (e democratisar).
Nao percebo porque e que se opta pelo silencio ‘ali’ e se critica ‘aqui’. Sinceramente, nao percebo. Quem cala consente, por medo ou respeito, nao sei. Mas se se cala e cumplice, logo, perde a legitimidade sobretudo para chamar ‘iletrados’ e ‘ignorantes’ a outros a quem oferece pouco mais do que o silencio…

Bruxelas III

Entretanto, a pergunta que vai a referendo sobre o nosso futuro na Europa está dividida em três partes distintas, o que faz dela uma mescla de definições confusas e difusas. Como alguém inteligentemente disse, é uma “trigunta”. Esta “trigunta” implica o domínio de conceitos como maioria qualificada, direitos fundamentais e quadro institucional, por exemplo.
Ora, toda a gente sabe que os portugueses são ignorantes em quase tudo e que para além dos termos técnicos do mundo da bola, pouco ou nada pescam de outros assuntos. Aliás, os portugueses são europeiamente conhecidos por serem iletrados e incapazes de, sozinhos, preencherem, por exemplo, um formulário ou um simples questionário. Os portugueses raramente lêem e o que lêem provavelmente não compreendem, dizem também muitos estudiosos da matéria. Somos, os portugueses, geralmente últimos em tudo o que tem a ver com educação e cultura (excepto no dinheiro que lá se despeja) como a UNESCO constantemente afirma. E como somos tudo isto, o governo e o PS decidiram encurtar caminho porque perceberam, e bem, que não vale a pena explicar aquilo que ninguém vai simplesmente perceber. No fundo, é tudo uma questão de não perder tempo desnecessário que pode ser útil para outros desígnios importantes. Também é preciso não esquecer o velho ditado que fala na relação entre ignorância e felicidade, argumento, aliás, que pode servir para justificar o silêncio e a inutilidade das explicações.
Com tudo pelos vistos planeado ao pormenor, resta ao Governo rezar para que mais de 50% do eleitorado não tenha nada mais interessante para fazer nesse dia. E que opte pelo sim.

Proposta avulsa e gratuita: fazer o referendo numa quarta-feira e dar tolerância de ponto a todos os funcionários públicos que decidirem ir votar. No sim, claro.

Bruxelas II

No avião de regresso a Lisboa, apanho o DN com um interessante quadro sobre a confiança na Europa por parte dos europeus. A fonte é o European Election Study, entidade que, confesso, não conheço. Fico a saber que dos 25 actuais Estados-membros apenas 4 – Espanha, Itália, Suécia e Alemanha – têm percentagens positivas relativamente a esta confiança na Europa. E mesmo assim, em nenhum caso superior a 55%. Daí para baixo a confiança mergulha numa espiral que tem de ser forçosamente apelidada de… desconfiança. Holanda 48,8%, França 46,2%, Irlanda 40,9%, Portugal 39,5%, Grécia 34,5%, só para citar alguns. Nos novos países, a coisa piora, o que é normal: Malta 25,2% e Chipre 9,9% são os dois extremos. Os futuros possíveis países da União – Roménia, Turquia e Bulgária – têm 9%, 6,5% e 6,2% respectivamente. Sublinho o quadro. Hesito se o devo mandar aos meus interlocutores da tarde. Opto pelo mais fácil: estar quieto. Também é cómodo.

Bruxelas

De visita ao Parlamento Europeu, na companhia de dois eurodeputados do PSD, fico a perceber porque a Europa caminha para uma espécie de tragédia anunciada. No dia oficial do início de funções de José Manuel Barroso, na passada segunda-feira, os dois eurodeputados que acolhem o grupo mais ou menos numeroso em que me integro, falam-nos como europeístas convictos, apaixonados e cheios de romantismo. Tudo ali é belo e, claro, inevitável. A globalização exige, o desenvolvimento social e económico pede, a burocracia manda. Fiquei na dúvida se devia ter tentado despertá-los para o mundo. Optei pelo silêncio. Não quis estragar a festa e sempre é mais cómodo.

terça-feira, novembro 23, 2004

Vitimização

Toda a gente já percebeu a obsessão, doentia, pela comunicação social deste governo. Não há dia que não haja notícia fresca sobre o assunto. O que deixa muita gente desesperada. E com razão. Esta obsessão para além de anormal, não é, como é óbvio, salutar. E a imagem que passa, que sai deste governo para o país através dos meios da comunicação social e dos comentadores, é um misto de prepotência com fragilidade: prepotência no modo abrupto como quer agarrar e dominar as coisas (no fundo um dos papéis mais importantes dos partidos políticos é de natureza processual e tem a ver com o modo como organiza o Estado e o Governo) e fragilidade no que concerne à adopção de políticas e de estratégias. Quer uma quer outra, representam falhas estruturais, e também conjunturais, que polvilham a actual vida política nacional imersa em profunda trapalhada. Nota-se assim a ânsia desmedida pelo poder e a clara ausência de estratégia política de fundo que conduza os portugueses a bom porto.
Portas é mais inteligente do que Santana e bem mais interessante no modo como gere os silêncios – em política nem sempre conta o que se diz; muitas vezes o importante é o que não se diz. É por isso que há qualquer coisa aqui que não bate certo e que me faz pensar se não há atrás de tudo isto uma estratégia oculta.
A pergunta que todos fazem é como foi possível que Portas e Santana tenham chegado ao poder. É uma pergunta legítima e que só é possível porque o Dr. Sampaio tomou a decisão de não convocar eleições. É coisa, claro, que magoa e frustra muita gente. E esta constatação mergulha a maioria dos comentários políticos num ódio primário aos dois personagens. Relembra-se o passado duvidoso de Portas e a inconstância de Santana; pede-se inclusive o regresso de Cavaco numa clara manobra de desespero. Mas todas estas orientações e críticas partem de pressupostos que podem não ser válidos: confiam em demasia que o governo não vai contra-atacar; confiam em demasia que a coligação se dissolverá por si própria; confiam que a retoma não vai chegar; confiam que não será possível recuperar a imagem perdida; confiam que as Autárquicas serão o prenúncio do desastre anunciado; confiam que de tanto massacrar o Dr. Sampaio vai ouvir os apelos; confiam que o Dr. Portas e o Dr. Santana vão ficar calados e mudos no seu canto. No fundo esquecem-se que este duo tem o Estado, em todo o seu esplendor, ao seu dispor. E esquecem-se também de uma outra coisa: o ataque constante, por tudo e por nada, cria um efeito boomerang que pode trazer dissabores aos críticos a médio prazo. Portas e Santana são óptimos no papel de vítimas e dão-se muito bem na dificuldade (ainda este fim-de-semana António Barreto e Vasco Pulido Valente falaram sobre este aspecto da vitimização) e no papel de acossados. Portas é ainda conhecido por resistir em situações de desespero e Santana costuma ganhar contra todas as sondagens. Eles têm currículo mais do que suficiente que provam parte destes axiomas. É por isso que era bom tomar algum cuidado quando se faz do tudo e do nada espectáculo mediático de chacota à coligação. Tenham medo do animal ferido e encurralado.

Canas de Senhorim

O Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim continua a sua saga cómica em prol da elevação daquela lauta terra à figura jurídica de Concelho.
Chefiado por um “artista” aspirante a Presidente de Câmara, de seu nome Luís Pinheiro, o Movimento cortou hoje a linha de caminho de ferro local, tendo por isso enfrentado a GNR. O saldo da refrega consistiu nalgumas baixas hospitalares por parte da população de Canas. Nada de surpreendente, portanto.
O que surpreende, isso sim, é como é que a população de Canas continua convencida da razão da sua reivindicação. Nem sequer vale a pena trazer à colação a dimensão da localidade e a sua exiguidade demográfica. Mais importante do que deixar-se enlevar pelo canto de uma sereia chamada Luís Pinheiro, seria a população de Canas reflectir sobre os factos concretos, nomeadamente aqueles que dizem respeito à circunstância fatal das freguesias que o Movimento propõe que constem do futuro concelho de Canas rejeitarem liminarmente essa pretensão, assentindo antes permanecer no concelho de Nelas, tal como actualmente acontece.
Não é à toa que as restantes localidades não pretendem unir-se ao Concelho de Canas. Culturalmente, as populações sempre se identificaram com a freguesia a que pertencem, não com os concelhos, uma criação político-administrativa muito mais recente, ao contrário das freguesias cujas delimitações espaciais datam do período romano.
Para as populações é-lhes igual ao litro que Canas queira ser Concelho ou não. O que elas pretendem é continuar a pertencer à mesma freguesia de sempre. E uma vez que têm que estar agregadas a um concelho, entre aderir aos novos-cristãos de Canas ou ficarem-se pelo conhecido, optam por Nelas.
Só em Canas de Senhorim, e um tal de Luís Pinheiro, é que não vêem isto, e lá continuam em reivindicações tontas...


Um novo conceito de talho

Tempos houve em que alguém desesperado chegou a pensar que uma boa alternativa à míngua do mercado sociológico seria abrir um talho gay. A ideia surgiu de uma apurada leitura das leis da oferta e da procura (Adam Smith q.b.), embora nunca ninguém tenha percebido aquilo que distinguiria um talho gay de um outro talho qualquer. A questão permaneceu eternamente no ar e porventura será melhor que se fique por ai.
Mas a demanda pela reinvenção do talho tradicional, seja lá isso o que for, é um processo irrevogável que atormenta as imaginações além fronteiras. Foi assim que num mercado no sul de Londres nasceu o talho disco. O local chama-se East Street Market e é dos lugares que mais alto subiu na minha escala londrina, imediatamente à frente da Tate Modern, mas ainda assim atrás do Café Estrela. Este mercado é um sítio extraordinário, frequentado maioritariamente por ingleses de origem ganesa, nigeriana, jamaicana e por emigrantes de diversas proveniências. Pois bem, no meio deste mercado há um talho dirigido por turcos. O talho é todo branco, pontuado pelo vermelho de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados por três homens vestidos com batas brancas pontuadas pelo sangue de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados, e que se movimentam energeticamente ao som de um poderoso sound system que debita os sons dos últimos êxitos de hip hop, rap e reagge. Os clientes reagiram positivamente aquela imagem da carnificina animal perpetrada ao som ritmado das palavras do rapper. Os amigos turcos parecem felizes. Não alvitrei se a música se altera com a hora do dia e gostava bastante de perceber se o hip hop vende melhor o porco, o peru, a vaca ou os miúdos, salvo seja.
Confesso que não sei se me sentia à vontade para comprar uns bifes do lombo ao som do Eminem. Afinal, a vaca é um animal bucólico e prazenteiro, um pouco obtuso, mas honesto, cuja quietude merece algum respeito. Talvez uma valsa, ou o hino da Eurovisão.
Um talho, com música ou sem música, é um dos lugares mais fascinantes do mundo. Aprende-se imenso.

domingo, novembro 21, 2004

Sócrates

Sócrates, a lenda brasileira do futebol dos anos 80, actualmente com 50 anos, regressou neste sábado aos relvados, envergando a camisola do Garthforth, um clube inglês das divisões inferiores .
De acordo com os relatos, durante 20 minutos alardeou a sua classe de forma estridente, de tal forma que o observador da equipa técnica do Sporting aconselhou já a sua contratação na reabertura do mercado aos responsáveis da SAD verde e branca, uma vez que mantém praticamente intactas as faculdades técnicas que o consagraram e evidencia um ritmo de jogo compatível à da maioria dos jogadores do Sporting, superando inclusivé nos piques de corrida, Rui Jorge e Pedro Barbosa.

sexta-feira, novembro 19, 2004

A questão do referendo - 3 em 1

«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da UE, nos termos da Constituição para a Europa?»

Eis as opções de resposta que virão nos boletins:
Sim para todas;
Não para todas;
Sim para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;
Não para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Sim para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Não para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;

quinta-feira, novembro 18, 2004

CTT

O motivo que os CTT invocam no seu site para a disposição, on-line, de um conjunto diversificado de produtos e serviços, prende-se com a vontade de garantir comodidade e celeridade no atendimento dos seus clientes, eximindo estes da perda de tempo nos balcões dos correios. È uma vontade generosa e que vem por bem.
Pena é essa filosofia de empresa não estar implementada em muitas outras situações comezinhas, como, por exemplo, a autenticação de documentos, faculdade consignada por lei aos CTT.
Estando aos CTT atribuída a função, quando assim requisitada, de autenticar documentos, pensar-se-ia que todos os balcões da instituição o pudessem fazer naturalmente, até porque para o exercício da mesma apenas são necessários dois requisitos: a existência de um carimbo e a competência de leitura por parte do funcionário.
Acontece que, devido a directrizes recentes, nem todos os balcões dos CTT estão autorizados a cumprir a difícil tarefa de autenticar documentos, nomeadamente os balcões mais "pequeninos", segundo os CTT, os quais apesar de anteriormente deterem a mesma dimensão garantiam a autenticação na hora.
Eis como um serviço público consegue desvirtuar o princípio da garantia paritária de serviços nos seus balcões, obrigando os contribuintes a deslocarem-se quilómetros e a perderem uma farturinha de tempo para alcançarem o seu desiderato.
Entretanto, os mesmos balcões mais pequeninos que não têm autorização hierárquica para procederem à sua missão, em alternativa permitem aos clientes a compra de canecas de barro, brincos e até o carregamento de telemóveis, tudo mui nobres e indispensáveis tarefas que um serviço público deve assegurar...

Os racistas e os fascistas do politicamente correcto IV

É assim, vivemos entre os racistas básicos do antigamente e os novos fascistas do politicamente correcto que pensam que a sociedade ideal seria controlada por microfones e câmaras para apanhar o cidadão a fazer o comentário errado, para depois o castigar e humilhar publicamente, como naqueles estados americanos em que os presos têm que, através de cartazes, anunciar o seu crime à sociedade: roubei um chocolate no supermercado, disse mal do meu chefe, fiz um comentário sexista, dei um pontapé no cão. Admirável Mundo Novo.

Os racistas e os fascistas do politicamente correcto III

Parece evidente que existe um problema de racismo em Espanha. Isto é diferente, no entanto, de afirmar que todos os espanhóis são racistas. Mas o que é mais irritante nesta prosa jornalística é a pose educadora da raça escolhida. Na Inglaterra, os africanos ocupam os lugares mais baixos da hierarquia profissional. Na Inglaterra, os africanos continuam a ser discriminados nas escolas. Na Inglaterra, vários tablóides sugerem diariamente que os africanos inventaram o crime. Na Inglaterra, todos os partidos do espectro políticos falam dos emigrantes de uma forma que faz do nosso Paulo Portas um menino do coro. Na Inglaterra, os partidos da extrema-direita nacionalista e racista sobem exponencialmente a sua votação. Já agora, a Inglaterra não deve ser confundida com a multicultural e cosmopolita Londres onde, apesar do liberalismo nos costumes, os negros dos bairros periféricos do sul rumam todos os dias a norte para limpar, construir e guardar, os bairros brancos e burgueses do norte. Os jogadores negros foram enxovalhados neste país durante décadas a fio, aliás, o futebol em Inglaterra foi durante muitos anos um desporto onde os negros não entravam. E só não são enxovalhados agora, porque o jogo se tornou um espectáculo caro para a classe média politicamente correcta, aquela que em público é incapaz de ser racista mas que, se fosse possível, gostava que os seus filhos tivessem um saudável casamento branco. É esta sociedade, a mesma cujo governo, com sucesso discutível, procura com armas civilizar o Médio Oriente, que se toma pela zeladora do mundo, numa atitude paternalista insuportável. Assim de repente, chamava-lhe neo-colonialismo. O que sucedeu no Bernabéu só vai levantar tanta celeuma porque era a equipa nacional que jogava. Infelizmente, a base da questão é nacionalista.

Os racistas e os fascistas do politicamente correcto II

O forte nacionalismo inglês, a sua moralista ética protestante, o seu sentido de superioridade sobre todos os povos do mundo, que não é reconhecido pela forma estúpida e primária demonstrada por alguns adeptos espanhóis, mas por uma pose doutoral e distante que alguns súbditos de sua majestade gostam de ensaiar, seria mais suportável se os seus acólitos não cometessem o grave erro de omitir a sua própria realidade. No Guardian, jornal liberal de “esquerda”, um distinto jornalista relatou mais ou menos nestes termos a questão racial em Espanha. Primeiro, explicitou a diferença entre a forma como a Espanha (mediterrânica, atrasada, etc) trata a questão da raça, quando comparada com a Inglaterra (o espaço da civilização). Depois, usou uma retórica perigosa, que, no fundo, não é mais do que o princípio de todos os racismos. Esta retórica, que infelizmente não é a primeira vez que ouço por aqui, consiste em tomar a parte pelo todo. Neste caso preciso, esta estratégia uniu-se a uma outra não menos perigosa: o abuso da adjectivação proporcionada por determinados substantivos colectivos. Deste modo, os Espanhóis, essa raça de 40 milhões de pessoas, foram colectivamente apelidados de xenófobos, através da exposição de quatro ou cinco exemplos de racismo nos campos e nos clubes de futebol do seu pais. Para reforçar a sua ideia, o jornalista disse ainda que na sociedade espanhola os cidadãos de origem africana ocupam os lugares profissionais mais baixos e são constantemente maltratados. Ora, nada disto se passa em Inglaterra.

Os racistas e os fascistas do politicamente correcto -I

Terminou há poucas horas o triste jogo de futebol entre a Espanha e a Inglaterra. O encontro foi irremediavelmente marcado pelos cânticos racistas de parte, aparentemente significativa, dos adeptos espanhóis que se encontravam no estádio. A atitude é intolerável e mostra como às vezes basta uma pequena alteração nas circunstâncias que rodeiam um jogo para os valores da ignorância, da falta de inteligência e da cobardia virem ao de cima. É um racismo explícito, brutal, próprio de pessoas com um evidente défice mental. Não sei que parcela de adeptos se comportou assim, mas é bom lembrar que estávamos no Bernabéu, lugar do Real Madrid e dos Ultra Sur, a sua claque fascista. De lembrar ainda que o encanto futebolístico do Real não altera o facto de o clube ter estado próximo da Espanha franquista, e de os seus adeptos representarem, em termos genéricos, uma população espanhola mais conservadora e reaccionária. A “atenuante” vale de pouco e o comportamento violento demonstrado pelos jogadores ingleses desde o princípio do encontro também não desculpa nada. A questão racial que rodeou este jogo foi, no entanto, levantada anteriormente. Luís Aragonés, treinador espanhol, terá dito a um seu jogador, que alinha no Arsenal de Londres, que devia lutar para tirar o lugar a um seu companheiro de equipa, o francês Henry, apelidando este último de “shit negro”. A conversa foi captada por um microfone e, com razão, a questão racial foi levantada. Aragonés, que terá o seu défice mental, veio retratar-se publicamente, pedindo desculpa e afirmando que os media ingleses retiraram a expressão do contexto. No contexto ou fora do contexto, as palavras falam por si. Os media ingleses não ficaram convencidos e consideraram que Aragonés devia ter sido despedido. É a partir deste momento que os defensores da moral e dos bons costumes se transformam nos fascistas do politicamente correcto.

terça-feira, novembro 16, 2004

Canção Nova

Ao imaginarmos uma televisão religiosa, porventura pensamos logo em programas enfadonhos e aborrecidos até dizer basta . Padres, padrecos, bispos e cardeais a trazerem a luz ao rebanho durante homilias à meia-luz, alvitrando contra as tentações perniciosas dos tempos modernos e à quebra dos valores cristãos. Ou seja, seria algo parecido com os milhentos pasquins católicos que povoam a imprensa escrita regional, semanalmente.
Mas esta visão mais tradicional nem sempre tem uma tradução real. A prová-lo está o canal disponível por cabo, Canção Nova. Brasileiro de nascença, evangélico de baptismo, tem na alegria e na comédia a sua profissão de fé. Aliás, mal se compreende a criação de canais temáticos vocacionados para a comédia, quando a TV Cabo já oferece há muito tempo aos seus espectadores 24 horas de galhofa diária, através do Canção Nova.
No Canção Nova, também há padres, missas e rebanhos. Mas há diferenças em relação ao padrão clássico a que associamos à actividade de salvação das almas terrestres. Um desses exemplos é o programa “Atendimento Espiritual”, onde os espectadores contam todas as suas angústias interiores a um conselheiro espiritual, uma espécie de Prof. Cazombé.
No último programa, Alice, 44 anos, da Baixa da Banheira (identidade fictícia), carpia sobre o marido constantemente embriagado e violento e os filhos despeitados, na esperança de obter um remédio mágico imediato da parte do guia. E consegui-o!
Através do veredicto de que o marido e os filhos da senhora tinham, garantidamente, um coração de pedra, o guia aconselhou a Sra. Alice a aspergir a cama do marido e dos filhos com água, mas não em demasia, para assim as camas não ficarem ensopadas!
A Sra. Alice agradeceu, feliz da vida, por ter visto finalmente a luz ao fundo do túnel, prontificando-se a executar imediatamente as ordens recebidas.
O único senão de tão proveito programa prende-se com o facto de não haver um acompanhamento aos resultados dos auxílios espirituais prestados.
Sempre gostava de saber se a água aspergida nas camas dos que possuem corações duros sempre os amolece, ou se o marido, normalmente chegado a casa embriagado e furioso da vida, ao deitar-se na cama embebida em H2O se passou dos carretos por isso e arreou mais uma grande carga de porrada na desgraçada da Sra. Alice.
Pessoalmente, inclino-me para um desfecho mais em conformidade com esta última hipótese...



segunda-feira, novembro 15, 2004

Nick, o mestre

Nestes tempos em que quem paga bilhete para ver um concerto sujeita-se a um desfilar desinspirado de canções tiradas a papel químico do discos do cantor ou da banda, Nick Cave é uma benção. Nada do repertório estereotipado das estrelas do espectáculo, nada das frases formatadas, nada de poses mal ensaiadas, ou tiques de vedeta, apenas um portento de energia criativa que faz parecer qualquer banda de neo-punk como um grupo de baile para o serão familiar. Nick Cave, o extraordinário naipe de músicos que compõe os Bad Seeds, e o coro que acompanha o espectáculo, valem todo o dinheiro gasto no bilhete e ainda mais algum.

As promessas

Arjen Robben tem apenas vinte anos mas já é um dos melhores jogadores de futebol do mundo. Se puderem olhar para o rapaz a correr com a bola aproveitem que é um espectáculo. Quem sabe inspirado pelas exibições extraordinárias do seu pupilo, José Mourinho afirmou – já estava a demorar – que ia ganhar o campeonato inglês, e nem vai precisar das duas últimas jornadas. Por cá, ninguém acredita.

quinta-feira, novembro 11, 2004

O Colonialismo português para lá de Gilberto Freyre

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
E fazes-me tua mina
Patrão!

Eu sou carvão
E tu acendes-me, patrão
Para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não
Patrão!

Eu sou carvão!
E tenho que arder, sim
E queimar tudo com a força da minha combustão

Eu sou carvão!
Tenho que arder na exploração
Arder até às cinzas da maldição
Arder vivo como alcatrão, meu irmão
Até não ser mais tua mina
Patrão!

Eu sou carvão!
Tenho que arder
E queimar tudo com o fogo da minha combustão

Sim!
Eu serei o teu carvão
Patrão!

Grito Negro
José Craveirinha

quarta-feira, novembro 10, 2004

Sporting II

Como o assunto é mimo, outro jogador do Sporting que não anda bem é Rochemback. Rochemback, apelidado de Messias e de outros adjectivos similares do ramo dos milagres e derivados, não gostou de ser substituído no jogo contra o Porto e daí desatou a disparatar e a ofender verbalmente o treinador do Sporting. Diga-se em abono da verdade que ninguém tinha dado pela presença de tão distinta figura pelo relvado do Dragão com a excepção de Peseiro e do próprio Rochemback. Mas adiante, que isto para ele não parecia ser motivo de substituição. Às vezes não estar e estar, no futebol, é exactamente a mesma coisa, como diria o Poeta Artur.
Soube agora que a SAD do Sporting perdoou o moço (que esperemos tenha menos problemas familiares que o Ricardo) e decidiu aplicar-lhe apenas uma multa pecuniária como modo de sanear o assunto. Eu não me quero meter na vida interna desta SAD tão turbulenta e evidentemente muito bem gerida. Mas convém lembrar que são atitudes destas que normalmente descambam em tragédia sem remédio. Numa equipa pejada de, dizem eles, jovens talentos, era tempo de alguém puxar a sério as orelhas para que as maçãs podres não contaminem o resto do parco cesto que resta. A continuar por este caminho, qualquer dia, nem a imaginação do Dr. Dias da Cunha nem a desculpa do sistema, pegam.

Sporting

O guarda-redes Ricardo do Sporting anda muito escandalizado com toda a gente. Razão simples: o menino não gosta de ser alvo de críticas porque isso afecta sobremaneira a família, elemento sagrado e intocável. Eu não conheço a família do Sr. Ricardo, mas reconheço que este é um drama familiar intenso que por vezes descamba em consumo excessivo de anti-depressivos. Contudo é sempre bom avivar a memória quando se tem problemas de amnésia. E lembro-me particularmente das reportagens eufóricas sobre as estranhíssimas virtudes humanas e desportivas de Ricardo por alturas do Europeu e, nomeadamente, depois daquele célebre penálti defendido sem as luvas. Nessa altura não me pareceu haver ali grande tristeza. Ou grande tensão. Eram tempos áureos e o pessoal gostava do Ricardo o que consequentemente fazia da família dele uma família feliz. Só que a vida prega-nos destas lições e o menino Ricardo tem de aprender a aceitar a crítica, quer a sua família goste quer a sua família não goste. E não adianta tapar o sol com a peneira nem chover no molhado: Ricardo não é o melhor guarda-redes português. Como regularmente se tem visto. E apreciado.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Castelos e Teleféricos

Soube que as visitas ao Castelo de São Jorge em Lisboa passaram a ser pagas. Corrijo: passaram a ser pagas com a excelsa excepção dos lisboetas. O caso não traz novidade, mas é paradigmático da saloiice portuguesa. Mas, boa notícia, há já gente disposta a levar a coisa até às suas últimas consequências que é como dizer acabar com a benesse. Pelo menos o Nuno da Câmara Pereira. Acho bem. Geralmente vale tudo para tentar explorar o “turista” e dar de borla aos “naturais” do sítio, neste grande sector produtivo português que se chama Turismo. Há pouco tempo, na Madeira, também se passou uma situação semelhante embora de contornos diferentes. O teleférico que liga a Zona Velha da cidade do Funchal ao Monte, e que muito sucesso tem feito, praticava preços distintos (e bastante distintos) consoante a cara do freguês: freguês que vinha de fora da Região (não interessava a nacionalidade) pagava um preço e freguês de dentro da Região outro preço (mais barato do que o primeiro). A coisa ainda funcionou e foi em frente até que alguém se chateou com a conversa. Só aí se percebeu a ilegalidade do “golpe” ainda para mais em território europeu e num espaço supostamente sem fronteiras. Os madeirenses, por seu turno, descobriram entretanto às suas custas que andar de teleférico afinal não é barato.
Eu entendo que se queira beneficiar os naturais do sítio. Principalmente quando são sempre um apetitoso nicho de mercado a explorar nas horas vagas dos outros, por exemplo. É bom para todos e, principalmente, é popular para quem o propõe e o permite. Mas como não estamos aqui a falar de estudantes, crianças e/ou reformados o problema parece-me óbvio: mentalidade tacanha e vista muito curta, ainda por cima patrocinada por pessoas com idade suficiente para ter juízo. O “estrangeiro” que se cuide portanto.
Um amigo meu, que estudou alguns anos no Algarve, dizia-me uma vez na brincadeira que por lá, nos restaurantes e cafés algarvios, pouco faltava para se escrever “Cerveja 100$00 - Beer 500$00”, tal era o tratamento diferenciado entre “uns” e “outros”. Sintomático.

Ursula Rucker no Teatro Viriato

Recém-chegada de uma longa viagem de Moscovo onde havia tocado no dia anterior, a norte-americana Ursula Rucker, ainda assim, proporcionou ao repleto auditório do Teatro Viriato, na passada sexta-feira, um excelso concerto.
Apresentando ao público os temas da sua mais recente obra musical, o álbum “Silver or Lead”, Ursula Rucker, por entre acordes de jazz, hip-hop, soul e blues, aliados à electrónica, entoou a sua “palavra falada” ácida e sussurrante sobre a realidade urbana contemporânea, a condição feminina, a escravatura e a política, espalhando, no final, uma atmosfera de pura doçura musical em todo o espaço.
Se a própria não tivesse confessado ninguém diria que ela estava há quase 48 horas sem dormir.

sábado, novembro 06, 2004

Secretismos

Depois do Expresso, também conhecido romanticamente por Saco de Plástico pelos leitores da concorrência, ter anunciado acordos secretos entre os dois actuais partidos da coligação, eis que o Independente desta semana alinha pela mesma diapasão e faz saber que os líderes do PSD e do PP "já acordaram fazer listas conjuntas para as próximas eleições legislativas". Pssst. Não leiam muito alto porque isto é secreto.

PS: Pergunta adicional: Alguém sabe do primeiro-ministro?

Se o ridículo matasse...

Manuel Monteiro: "Há mensagens para que o PND resista porque, no futuro, o PSD quer coligar-se connosco" Público, 4 de Novembro de 2004

sexta-feira, novembro 05, 2004

George Bush na Casa Branca

Faco minhas as palavras desta leitora inglesa de um jornal local:
"Congratulations to the Americans for returning George Dubya to the White House. Enjoy the estimated multi-trillion dollar deficit Bush will leave you with in four years' time. The increasing isolation from the rest of the world means Bush will be able to Christianize the US in peace. And Osama Bin Laden is not a bad chap - he simply dresses badly. Let's leave him to sojourn in Tora Bora for another four years too. See if you can build upon the 200,000-plus civilians 'disarmed' (dis-legged, dis-headed, dis-bodied) in Irap and Afghanistan. And let's not call it murder. They were not Christians and they can't vote - not now anyway. Who cares about the Kyoto agreement? Global warming means champagne grapes will be grown in the UK within five years. Who needs ice caps? One cannot build Coca-Cocal factories on ice caps. And continue tighten your stranglehold on evil Cuba, because you don't agree with their socialist government.
Though at least if the US becomes completely isolated (which is the best solution all round, I think we all can agree), it will free up the rest of us to continue with the advancement of civilisation without the albatross of a giant, bloated nation of religious fundamentalists, heavily armed xenophobes and idol/idle worshippers around our necks.
Yes, three cheers for another four years of George Dubya. Hip, hip..."

quinta-feira, novembro 04, 2004

Associação Académica de Coimbra

A Associação Académica de Coimbra diz que não vai comemorar o seu aniversário porque o momento é de luta contra a actual política de educação do governo da República. Acho bem. Motivos para comer e beber desalmadamente não faltam na Universidade e estes dias sem festa, raros, podem servir para coisas igualmente úteis e tantas vezes negligenciadas como estudar e aprender e, quem sabe, ler um livro sem desenhos. Já não era mau. Lanço o repto para que o governo não mude uma vírgula até depois da semana académica. Vamos ver se os meninos mantém a coerência.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Sobre a vitória de Bush

Depois de, ao que tudo indica, Bush ter sido releito como presidente dos EUA, e das sondagens à boca das urnas indicarem que o medo de novos ataques terroristas foi decisivo na opção final de muitos eleitores, relembram-se as palavras de Benjamim Franklim:
"Aqueles que abrem mão da liberdade em troca de um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade, nem segurança."

terça-feira, novembro 02, 2004

Bush & Kerry

A algumas horas do fecho das urnas os candidatos à Casa Branca, face às sondagens que anunciam um empate técnico entre ambos, colocaram as respectivas máquinas eleitorais em esforços redobrados para conseguirem a vitória.
Telefonemas para os lares dos indecisos, visitas porta a porta aos dúbios, e-mails a pedir a cruzinha no quadrado certo aos hesitantes, a tudo as campanhas democrata e republicana recorrem para os seus líderes poderem ocupar a cadeira do poder.
Com uma pequena nuance.
Enquanto os democratas estimulam o voto em Kerry, os republicanos apelam aos eleitores, não para votarem no Partido Republicano, mas sim no Partido rival, nos democratas.
Buscando ensinamentos nas eleições de há 4 anos atrás, em que Bush obteve, segundo os dados oficiais do colégio eleitoral norte-americano, exactamente menos 540.420 votos que o adversário, e mesmo assim conseguiu, graças ao original sistema eleitoral americano, ser declarado como o grande vencedor da contenda, os partidários de Bush demandam junto de meio milhão dos eleitores para optarem pelo voto em Kerry de molde a garantirem a reeleição de Bush.
Acaso o meio milhão de votos a menos desta vez não seja suficiente para certificar a vitória, os republicanos, precavidos, estimaram já que 1.000.000 de votos a menos do que o candidato democrata seja já uma margem confortável para assegurarem, indiscutivelmente, a vitória de Bush.

Prós e Contras

A RTP brindou-nos ontem com um “Prós e Contras” sobre as eleições americanas. Dividiu, salomonicamente, os paineleiros em pró-Bush e pró-Kerry, sendo que estes últimos mais não eram do que cruzados anti-Bush. De um lado, Vasco Rato e Martins da Cruz; do outro, Mário Soares e Ângelo Correia. Na assistência estava um perito em petróleo e outro em sondagens.
Louve-se a tentativa de esclarecer, mas ela foi irrisória e simultaneamente efémera. A coisa prometeu cedo mas rapidamente transformou-se em logro e em desilusão: os actores não ajudaram, a entrevistadora também não e o público estava, e era, pouco mais do que amorfo.
Entre as patranhas de um e outro lado (em partes iguais) e os argumentos mais do que repetidos e conhecidos, poucos pareceram perceber que as verdadeiras diferenças existentes entre os dois candidatos são apenas mensuráveis e identificáveis no plano interno, já que no plano externo o enorme poderio americano não permite nem admite grande margem de manobra. É por isso falso, e só para citar um exemplo, que Kerry vá, em caso de vitória, desmobilizar as suas tropas uma vez que ele próprio, facto que muito comodamente se omite, votou a favor da Guerra no Iraque.
Por entre piropos e algumas acusações subliminares entre os paineleiros (que chegou a meter a descolonização do Dr. Soares), todos falaram do “incompetente” Bush e esqueceram o “incoerente” Kerry, como lhes chamou a The Economist. Sintoma claro que não interessa quem vai ganhar desde que Bush não ganhe. É por isso óbvio para mim que Kerry, se ganhar, tem um grave problema de legitimidade nas mãos para resolver.