quarta-feira, setembro 29, 2004

Memória

«Não vou desistir no Governo, tal como não desisti na oposição, enquanto não fizer de Portugal um País avançado» - Durão Barroso, algures em Março de 2002

terça-feira, setembro 28, 2004

Lideranças políticas

A política portuguesa definha: os novos líderes políticos – Portas, Santana, Louçã e Sócrates – são o novo protótipo do homem político do século XXI, aparentemente muito agradável mas sem grande, ou nenhuma, substância. Há alternância; não há alternativa. A política portuguesa colhe os frutos da mediatização total, penosa, da sua sociedade: ganham os populistas, os não comprometidos (impressionante neste aspecto o caso de Sócrates que numa campanha eleitoral interna conseguiu dizer sempre nim a tudo), os homens bonitos e charmosos, bem-falantes, mediaticamente atractivos; os que falam de tudo e de coisa nenhuma; os que andam de agenda na mão a marcar o ritmo dos telejornais; os que vendem a imagem burguesa e a mensagem; os que não vivem de programas políticos, vivem de ideias e de inspirações momentâneas. Neste ponto, o single issue é muito mais comum entre eles do que se julga e o pragmatismo há muito que substituiu a ideologia que jaz morta nas gavetas das secretárias. Tal como os soft issue aos poucos substituem os hard issue. Desta caldeirada política insonsa só Carvalhas e a ortodoxia do PC estão de fora. Resta saber com que consequências. E até quando.

segunda-feira, setembro 27, 2004

A normalidade

O Benfica empatou em casa; o Sporting empatou fora; o Porto ganhou fora. A normalidade futebolística está de volta.

sexta-feira, setembro 24, 2004

A Antiguidade dos Administradores da Galp

A informação esta noite veiculada num canal televisivo de que dois administradores da Galp Energia, nomeados para os respectivos postos há 2 anos, possuem contratos de trabalho onde consta a informação de que têm um vínculo contratual com a citada empresa há 15 anos (!!!), isto é, ainda a Galp Energia não existia e estes dois excelsos administradores já deixavam sangue, suor e lágrimas em prol da mesma, configura, para ser comedido, uma autêntica canalhice, própria de indivíduos sem quaisquer escrúpulos e vergonha.
Ainda segundo a notícia, a administração da empresa admitiu a veracidade da informação, mas escusou-se a comentá-la, uma vez que, na sua opinião, não tinha a obrigação de o fazer.
Dito isto, realmente parece que o descaramento não tem limites para a administração da Galp Energia. Não lhe bastou ter sido recentemente adjectivada de pouco zelosa e desleixada no estabelecimento de directrizes atinentes ao cumprimento da normas de segurança no seu exercício de actividade, na sequência do gravoso acidente da refinaria de Leça. Pois bem, agora arroga-se no direito de não justificar o favorecimento ilícito e infame destes seus dois administradores, tendo em vista precavê-los aquando das suas saídas com faustosas indemnizações por tempo de serviço e no encurtamento do seu tempo de descontos para efeitos de reforma.
Vai por caminhos muito lúgubres e pantanosos a ética de quem está à frente desta empresa maioritariamente financiada pelo erário público. É mais uma entidade onde a desfaçatez e a impunidade correm, pelos vistos, lado a lado com a incompetência e a incúria. Até quando, gostava eu de saber...



quinta-feira, setembro 23, 2004

Produtividade

O dr. Bagão, simpática personagem independente, veio dizer aos portugueses que é preciso trabalhar mais. Portugal é o sexto país dos 15 onde os trabalhadores a tempo inteiro mais horas semanais trabalham. Como é evidente, algo aqui não bate certo porque tudo isto é um problema de qualidade de trabalho e não de quantidade, que é coisa muito diferente.
Não adianta punir os trabalhadores quando o próprio Estado é o primeiro a não modernizar e a não apostar na real qualificação dos seus quadros e dos seus processos. Os exemplos de malfadada insensatez e inusitado despesismo são gritantes (quanto vai custar a brincadeira da colocação dos professores, por exemplo?). A tudo isto some-se o facto do país estar povoado de empresários (?!) com a quarta classe, chicos-esperto e self-made men da treta, todos empenhados em enriquecer do dia para a noite e em gerir o negócio como se gere a mercearia: com fronteiras curtas e sem qualquer espécie de visão e de objectivo futuros. Entregues (os trabalhadores) ao Estado e a tipos deste calibre muito dificilmente se vai aumentar a produtividade porque o Estado não investe nos seus trabalhadores para torná-los produtivos e os empresários ainda menos.
É por isso também que este problema é de obsolescência, primeiro, e de manifesta ineficiência, depois. Mas para resolvê-lo é preciso criar condições, logo é preciso gastar dinheiro que pelos vistos não há. Não se pode pedir milagres, nem, como diz o povo, fazer omeletas sem ovos. É aqui que o problema vai mais além: impedido de gastar, como pode o Estado investir? O dilema é gritante. E não pode ser tratado com demagogia.

Código de Estrada

O governo anunciou mais uma revisão do Código de estrada. Com toda a pompa e circunstância cheira-me que as novas multas têm como objectivo principal garantir liquidez para o Estado. Só isso justifica esta obsessão pela velocidade, pelo cinto de segurança, pelo telemóvel e, pasme-se, pela beata atirada pela janela fora. Enquanto não é proibido ouvir rádio, comer maçãs e falar com o passageiro do lado, o desfile de mortos teima em não parar. O problema não está, como toda a gente já sabe, na repressão: está na mentalidade, na educação, na formação dos condutores e nessa coisa estranha a que chamam rede viária nacional cheia de imperfeições, de má sinalização e de fraca iluminação. Mais: quando se sabe que boa parte dos acidentes mortais acontecem com jovens que têm entre os 18 e os 21 anos e menos de dois anos de carta, impõe-se perguntar o que é que se está a fazer para combater isto. Querem ser radicais? Carta só aos 21 anos. Era um bom começo.

quarta-feira, setembro 22, 2004

O maravilhoso mundo do golfe

Realizou-se neste último fim-de-semana uma competição de golfe chamada Ryder Cup. Para quem não saiba bem que desporto é este avanço com duas ilustrações. O golfe é aquela modalidade que está a transformar a nossa paisagem rural num conjunto de terrenos arrelvados com 18 buracos assinalados por um bandeira, povoados por uma catrefada de ingleses e alemães gordos, de meias brancas e uns tacos na mão. O golfe também é, ao mesmo tempo, o desporto das novas elites endinheiradas portuguesas, especialmente daqueles novos ricos que resolvem começar a praticar a coisa aos sessenta anos, com os sapatinhos do golfe, os bonezinhos como aparecem nas revistas, as camisolinhas da Lacoste, e uma falta de jeito olímpica, habituados que estão à sueca e ao bilhar às três tabelas. Mas adiante.
A Ryder Cup realiza-se de dois em dois anos e opõe uma equipa de golfistas norte-americanos a uma equipa de golfistas europeus. Este ano os europeus, entre os quais se encontravam uns quantos britânicos, deram uma cabazada aos americanos. Em face disto, a BBC resolveu questionar os seus espectadores com a seguinte pergunta: depois da vitória europeia na Ryder Cup ficou com orgulho em ser europeu? A pergunta, relativamente pateta, dá azo a inúmeras leituras extra-desportivas. 39% daqueles que responderam afirmaram que sim, que sentem orgulho em ser europeus, mas 61% afirmou que não. As análises adiantam que, de um ponto de vista progressista, os números nem são maus. O nacionalismo em Inglaterra tem-se tornado uma realidade mais visível desde que o momento em que a União Europeia começou a ganhar uma forma definitiva. A libra, a rainha, as recordações do império, etc., são símbolos da singularidade britânica que influenciam as atitudes dos ingleses perante a Europa: o outro mais próximo. A Europa só parece atraente no contexto político internacional, isto é, a maior parte dos ingleses revê-se mais na opinião política dos governos da «velha Europa» no que na posição de Blair. Mas a decisão sobre o futuro da Inglaterra, especialmente ao que respeita a economia e o futuro da libra, deve estar dependente de outros processos: resistirá o nacionalismo à pressão económica, resistirá a libra ao enorme mercado da zona euro? A ver.

O erro da raça

Os jornais britânicos andam muito preocupados com o facto dos estudantes ingleses de origem africana continuarem a apresentar piores resultados escolares que os alunos dos outros grupos étnicos. Incapazes de afirmar que se trata de uma qualquer tendência natural ou genética, seria politicamente incorrecto, tentam encontrar uma causa que explique o fenómeno. Com base em alguns relatórios elaborados por especialistas chegaram à conclusão que o problema são os professores brancos. O ensino é dominado por professores brancos descrentes das capacidades dos alunos de origem africana. Para estes últimos, tratados diferenciadamente, a vida torna-se um inferno. Vamos admitir que, em certa medida, a discriminação efectuada pelos professores brancos é responsável pelo insucesso dos alunos negros. Mas vamos imaginar que, por artes mágicas, eliminávamos o factor discriminatório, e que, mesmo assim, os alunos de origem africana continuavam a ser os piores. Perante tal cenário, como é que os políticos e os jornais iriam explicar o fenómeno?
A insistência de tratar as perfomances escolares com base na questão da raça é algo bastante perigoso. Bem sei que a palavra classe está fora de moda mas não vejo outra forma de lidar com o assunto. As teorias da sociologia da educação sobre a função de reprodução social inerente ao sistema educativo já há muito saíram do gueto académico. Sabemos, numa apreciação muito genérica, que a linguagem da escola favorece as classes médias. O que se passa, pelo mesmo na área de Londres, é que as classes baixas estão fortemente etnicizadas. Para os indivíduos de origem africana o handicap da origem de classe junta-se a outros problemas relacionados com a etnia, nomeadamente as línguas faladas em casa pelas famílias, quase sempre formas autóctones, jamaicanas, nigerianas, ganesas, etc, do inglês. Noutro sentido, as famílias de origem africana, e os seus filhos, rapidamente percebem que o seu futuro não vai em grande medida depender das qualificações escolares. Eles vão ocupar os lugar mais baixos da estrutura profissional e cada ano perdido na escola é menos dinheiro a entrar em casa.

A sensibilidade burguesa

Várias televisões do mundo transmitiram há poucos dias imagens dos protestos dos caçadores ingleses em frente ao Parlamento britânico. O órgão legislativo deliberou proibir a caça à raposa, tradição centenária por terras de sua majestade. Milhares de indivíduos rumaram a Londres demonstrando a sua ira em relação à decisão governamental. Alguns dos argumentos adiantados para justificar o protesto sugeriam que se tratava de mais uma luta entre o campo e a cidade. As classes médias urbanas e os seus representantes políticos não percebem os modos de vida do campo obrigando todo o país a sujeitar-se à sua sensibilidade particular. Para quem não esteja por dentro do contexto da caça em Inglaterra o argumento poderia fazer algum sentido.
A caça foi desde sempre uma forma de sobrevivência. Num contexto de necessidade, falar em direitos dos animais é absurdo. Sabemos, infelizmente, que os defensores dos direitos dos animais tendem muitas vezes a esquecer os direitos das pessoas. Uma inversão lamentável. O que se passa em Inglaterra, porém, nada tem a ver com um contexto de necessidade. A caça à raposa é um dos mais evidentes resquícios de uma mentalidade aristocrata de uma Inglaterra serôdia. O ritual que acompanha a caça à raposa é, sem dúvida, uma demonstração de posição de classe. Homens montados a rigor e dezenas de cães a bater o terreno e a perseguir implacavelmente as raposas. A figura literária do Robin dos Bosques representa, em certa medida, a luta pela democratização da caça num contexto em que os senhores feudais monopolizavam as terras. Os descendentes desses mesmos senhores pretendem, sob a capa da tradição e da cultura, preservar os seus rituais distintivos. O parlamento inglês decidiu acabar com isto.
É simplista, no entanto, afirmar que a questão da caça à raposa é um reflexo da oposição entre o campo e a cidade. Talvez seja mais adequado considerá-la como mais uma etapa da luta da burguesia contra a aristocracia. A sensibilidade das classes médias urbanas, o grande estrato de uma concepção alargada de burguesia, tende a impor a sua lei, seja em relação às tradições aristocráticas, seja em relação às tradições operárias. O processo é evidente num conjunto largo de fenómenos sociais: hábitos de alimentação, de consumo, defesa dos direitos dos animais, consciência ecológica, a importância dada à cultura, a defesa da diversidade das opções sexuais, a defesa dos direitos das crianças, etc. Esta sensibilidade burguesa é, porém, quase sempre muito estreita. É com dificuldade que a encontramos, por exemplo, na luta pelos direitos de saúde, de educação ou do trabalho. A existência de hospitais privados, escolas privadas, empregos assegurados e bem remunerados, afasta estes grupos de preocupações tão comezinhas. Sabemos bem que a maior parte dos nossos políticos representa os interesses desta sensibilidade social.

As Grandes Barracas

Após a débacle monumental em que se transformou, este ano, o concurso de colocação dos professores, o Ministério da Educação encontrou finalmente uma solução alternativa à empresa Machete & Couto dos Santos, vulgo Compta, para a resolução do imbróglio, noutra dupla, aquela formada por Dias da Cunha & Peseiro.
Numa solução bem ponderada e reflectida, como é apanágio de Santana Lopes, o Governo chegou à conclusão de que este duo é, à partida, através do primeiro componente, garante da desculpabilização dos erros próprios que surgirem na ordenação das listas, ao invocar o sistema educativo como o responsável pela situação, e uma voz autoritária capaz de ordenar o silêncio de todos os portugueses que acometam de críticas o processo de colocação, e, através do segundo elemento, certeza absoluta de uma ordenação e colocação de professores nas mais originais posições, seja por intermédio da táctica do losango, da táctica W ou da táctica do pirilau.
Deste modo o Governo espera que, através da dupla Dias da Cunha & Peseiro, o impasse da colocação dos professores seja resolutamente ultrapassado e o ano lectivo possa começar rapidamente e em força.

terça-feira, setembro 21, 2004

(Des)Coordenações

Depois do primeiro-ministro ter andado a contratar tanta gente para lhe pôr a imagem (angelical e culta) na ordem, parece que ainda ninguém teve tempo para lhe explicar que nem sempre deve abrir a boca. Principalmente, quando há fortes probabilidades de dali sair asneira. Mas Santana é assim. Não sabe ou não liga, o que é muito pior. De cada vez que faz um comentário a descoordenação no governo fica evidente. Aconteceu com as taxas moderadoras da saúde e aconteceu com o caso da refinaria da GALP de Leça da Palmeira. Ambos os casos graves para serem desconsiderados. Pelo meio, o primeiro-ministro fugiu de um debate prometido na Assembleia onde levou fogo cerrado por ter falado quando não devia.
Num projecto que é de navegação à deriva, sem rumo e sem porto de abrigo, ficam evidentes as inúmeras dificuldades (e incapacidades) deste governo: quando a entrada é periclitante nada de bom se deve esperar à saída, a não ser o aumento da borrasca. Há quem pense, pessoas optimistas, que eles ainda vão mudar. Eu não confiaria muito.

Colocações

Por aí corre o boato que a principal responsabilidade do atraso na colocação dos professores advém da mudança de software, que fazia precisamente estas complicadíssimas operações, quando nada o justificava. Diz-se ainda que tudo foi feito apenas para beneficiar uma outra empresa mais ligada ao partido do poder e porque esta última garantia uma maior fiabilidade e a modernização de um sistema aparentemente com necessidade de evolução. Os resultados estão à vista: o óptimo, como sempre, é inimigo do bom, ainda para mais quando resulta de um plano de boas (ou talvez deva dizer pouco transparentes) intenções. Reina o caos no ministério e o desespero entre os professores. Por arrasto, milhares de alunos são directamente prejudicados, mas não deixa de ser divertido assistir ao circo ao mesmo tempo que se cava a sepultura.
No país da OCDE com menos dias de aulas e de paupérrimos resultados, quase no fim de Setembro, ainda ninguém sabe quando realmente vão começar as aulas. Culpados? A ver vamos. Por agora, há mais um sistema a abater (não sei se o mesmo do Dr. Dias da Cunha). Tudo o resto é já do domínio do absurdo. Que triste espectáculo.

Delírios

Sabiam que Portugal deve ser o único país desenvolvido (que lindo eufemismo) que tem estádios de futebol (oficialmente reconhecidos como tal) com o nome de pessoas que estão vivas? Não sabiam? Pois é verdade. E como nestas coisas não gostamos de fazer as coisas pelo mais simples temos logo dois exemplos deste espantoso culto da personalidade. O primeiro caso é o estádio do Marco de Canavezes, que se chama Avelino Ferreira Torres, conhecido homem das letras e do teatro de rua; o segundo, é o do Nacional da Madeira, cujo Estádio se chama Eng. Rui Alves, nada mais, nada menos, do que o seu próprio e distinto presidente, conhecido romancista e filósofo.

segunda-feira, setembro 20, 2004

Variedades

domingo, setembro 19, 2004

Aniversário

O blogue do Grupo do Pato faz hoje precisamente um ano. Estamos de parabéns por termos conseguido manter, com prazer e vivacidade, este projecto de amigos. Que assim continue.
O blogue segue dentro de momentos.

sábado, setembro 18, 2004

Lixo bimba

Entao e agora porque e que temos um relogio de cozinha pendurado aqui no Blogue? Pronto, agora la vai o Pacheco, patrono e expert da intima Blogoesfera de intelectuais, catalogar-nos de 'lixo bimba'... Nao ha por ai nada com mais design, assim de autor?

sexta-feira, setembro 17, 2004

Bilderberg e outras curiosidades

Entre 3 e 6 de Junho deste ano, em Stresa, Itália, teve lugar mais uma reunião (a 52ª ao que dizem) do não muito conhecido Grupo Bilderberg. O Bilderberg é tido por algumas pessoas como uma das mais poderosas e secretas organizações do mundo. Nesta última reunião estiveram presentes 126 personalidades, oriundas dos países mais desenvolvidos e todas elas ocupando cargos políticos e profissionais de particular relevo. Portugal contou, nesta reunião, com 4 presenças: Pinto Balsemão (o único português, ao que dizem, com assento na coisa e apresentado como Chairman and CEO, IMPRESA, SGPS, Former Prime Minister), António Vitorino (Justice and Home Affairs Commissioner, European Union), José Sócrates (Member of Parliament) e Pedro Santana Lopes (Mayor of Lisbon).
Entretanto, passou-se um pouco mais de três meses. Balsemão continua hipotético candidato a tudo e senhor todo-poderoso da comunicação social portuguesa; Vitorino, por causa das eleições europeias, vai sair da Comissão Europeia e anunciou não estar interessado na vida política doméstica quando muitos clamavam pelo seu nome (não fechou, contudo, a porta para outros saltos no futuro); Sócrates é o mais forte candidato a secretário-geral do PS (e por arrasto, também provável futuro primeiro-ministro) e Santana Lopes, já não é de Lisboa, mas é o actual primeiro-ministro português por desistência e fuga do antigo.
Dê por onde der, coincidência ou não, tudo isto não deixa de ser curioso. Muito curioso.

Importa-se de repetir, please...

David Blanket, o equivalente ingles ao nosso Portas (vulgo Deneuve), ao ser entrevistado na BBC esta manha disse qualquer coisa como: 'e necessario fechar as fronteiras para que os indigenas aprendam a conviver com a tolerancia e a perder o medo da diferenca'. Hum!!!!????
Ele ha estupidos cada vez mais cheios de si, tanto na direita como na suposta esquerda...

quinta-feira, setembro 16, 2004

Shôrss Agentess

Dois agentes da PSP de Viseu, um deles graduado, "aconselharam", anteontem, os responsáveis por uma livraria a retirarem da montra um livro com um título eventualmente polémico: "As mulheres não gostam de foder". O ensaio sexual em banda desenhada, da autoria do espanhol Alvarez Rabo, encontrava-se exposto na montra da loja que as Edições Polvo abriram, há cerca de dois meses, no shopping Ícaro, no centro da cidade.

"Estiveram da parte de fora a ler os títulos. Depois entraram e pediram para ver o livro. Vinham fardados. No princípio, julguei que estavam aqui como clientes. Mas não. Fiquei espantado quando o graduado, em jeito de aviso, aconselhou a retirar a obra da montra", explicou ontem, Alexandre de Melo, colaborador da livraria.

Os agentes da autoridade terão justificado o aviso ao livreiro, com "várias" queixas recebidas na PSP. "Com a maior correcção, explicaram-me que Viseu é uma cidade muito especial e que aquele livro não ficava bem na montra", lembra Alexandre Melo, que afirma ter argumentado que a editora e a obra em causa "eram absolutamente legais".

Fonte: Viseu Online

Explicando a loucura dos loucos...

O mal neste mundo é que os estúpidos são cada vez mais cheios de si e os inteligentes cada vez mais cheios de dúvidas.
Bertrand Russel

quarta-feira, setembro 15, 2004

O ridículo

O Eng. Rui Alves, personagem do imaginário madeirense, veio a público, depois de três jogadores seus terem sido presos em consequência de uma rixa com as autoridades, acusar a polícia de perseguir o seu clube por motivos obscuros.
A teoria é simples de deduzir, mesmo que ele não a diga com todas as letras: a polícia persegue o Nacional porque assim beneficia, indirectamente, o Marítimo, seu rival (nas contas dele, como é óbvio) de sempre. Desconheço quem dá estes conselhos ao engenheiro ou mesmo se eles resultam de profunda e sentida reflexão. Desconheço também até que ponto se pode descer no ridículo. Mas já pouco me espanta nos homens porque eles continuam a conseguir descer. Apesar de tudo, desde que o Dr. Ferro do PS garantiu que o seu envolvimento na cabala da Casa Pia podia ter origem nos EUA (leram bem, nos EUA) que não me ria tanto.

terça-feira, setembro 14, 2004

Condutores de Domingo

Dadas as estatísticas cruéis da sinistralidade rodoviária, a velocidade excessiva, as transgressões grosseiras do código da estrada, o mau estado de conservação das estradas e o sono, têm estado sempre presentes nos discursos do apuramento das funestas causas do negro panorama de acidentes em Portugal, o qual não tem fim à vista.
A todos estes comprovados motivos, eu acrescentaria, por elementar justiça, um outro, que, ou muito me engano eu ou já tem provocado bastantes acidentes pelo desespero que provoca, mesmo nos condutores com um histórico de cadastro sem infracções, levando-os à prática de manobras arriscadas para se apartarem do perigo: os Condutores de Domingo.
Os Condutores de Domingo pegam na sua carripana ao domingo, geralmente bem conservada depois de uma semana de pousio na garagem, com esposa, descendentes e sogros a acompanhar, e lançam-se no alcatrão determinados a nunca exceder os 30 ou 40km/h, no máximo, e com isso conseguirem igualar a média de qualquer cicloturista.
Abnegados e inflexíveis, é vê-los agruparem-se aos magotes depois do almoço para se passearem descontraidamente, frequentemente com os braços de fora dos vidros, apontando incessantemente para todas as direcções “Olhem aquela casa salmão. Bonita, mas acho que as caves são pouco altas”; “Vejam, vejam aqui à direita, aquele relvado com macieiras de bravo de elmolfe!”.
Demitindo-se das filas de quilómetros que a sua vagarosidade assumida acarreta, começam por levar o mais cumpridor das regras de trânsito à apoquentação, depois à ânsia, a seguir à aflição e, por fim, ao desespero total (que está na origem da tentativa enfurecida de ultrapassar colericamente esta sub-espécie das nossas estradas para poder prosseguir na estrada com uma mudança superior à 2).
A solução, e depreendendo que tais condutores são encartados, alguns há 40 ou 50 anos, e por isso têm o direito de conduzir, está em construir um ou dois circuitos, não de velocidade, mas sim de vagarosidade, para poderem livremente dar azo aos seus ímpetos obstrucionistas.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Aparelhos

Para aqueles que estão convencidos que vivem numa espécie de democracia, mesmo que ténue, nada como seguir atentamente as eleições internas do PS, um novo programa de humor que diariamente passa em todos os órgãos informativos (gostaria de destacar o Dr. João Soares e a Dra. Ana Gomes, personagens impagáveis do enredo). A coisa diverte, como é óbvio. E instiga ódios antigos, como é natural. Mas destas eleições internas ressalta uma evidência raramente discutida em Portugal e que é sintomática do actual estado da nossa jovem democracia: o aparelho partidário.
Para quem observa com atenção, o aparelho do PS tem-se revelado no máximo do seu esplendor e do seu patético aparato. Paga quotas a militantes a troco de votos, avança com autocarros para encher salas e restaurantes, ameaça quem pensa diferente, coordena assobios ou ovações, faz telefonemas e, se preciso for, provoca tumultos internos. É com ele [com o aparelho] que se fazem os principais partidos políticos portugueses (PS e PSD) pois é ele que escolhe os candidatos locais, que define as políticas e as obras para o seu concelho ou distrito, que manda no sítio e que ajuda a colocar no poder o futuro secretário-geral (e consequente candidato a primeiro-ministro) a troco de uma negociação de bastidores que poucos entendem, mas que vale sempre um número mais ou menos definido de votos e de cumplicidades futuras. Quando o partido está no poder é manso, mas bastante robusto nos dividendos porque exige a contrapartida do apoio dado; quando o partido está na oposição é perigoso porque quer rapidamente voltar à ribalta a qualquer preço. Nas situações em que o partido está dividido e aparentemente sem rumo, rende-se àquele que lhe dá maiores garantias. E aqui o termo garantias, pode ser lido de mil e uma maneiras diferentes. Basta usar a imaginação.
Quem é que acham que o aparelho do PS apoia? Como dizia um antigo professor meu: “Ah pois é!”.

Estado

Em Portugal, o primeiro-ministro veio dizer que os hospitais se preparam para cobrar os tratamentos de acordo com o bolso do cliente. A receita é simples: quem pode pagar, paga; quem não pode, não paga. Brilhante, como sempre.
Sem colocar em causa a seriedade ou a necessidade da medida, é caso para se perguntar se a carroça não vai outra vez à frente dos bois. O Estado português continua, inexoravelmente, a fugir para a frente sem resolver o problema estrutural de enorme dimensão que o contagia e que devia ser a “mãe de todas as [suas] batalhas”: a fuga generalizada e instituída aos impostos.
Quando o Estado entra em colapso, o antídoto, para os governantes do novo século, é simples: inventam novos impostos ou despesas disfarçados de utilidade ou de justiça social ou do princípio do utilizador-pagador. Contudo, os políticos continuam confortavelmente a deixar fugir o grosso da fatia – precisamente aquela que alimenta a economia paralela que de norte a sul, nos mina como um cancro, que causa boa parte da injustiça social, mas que não impede que a compra de Jaguares em tempo de crise e de supostas vacas magras tenha quadruplicado. A eles basta punir a classe média com despesas acrescidas, ganhando algum tempo enquanto a coisa – o sistema em si – não rui de vez. Resta saber até quando a coisa se aguenta. Se é que ainda se aguenta.
A dificuldade central mantém-se: temos um Estado forte com os fracos e fraco – fraquíssimo – com os fortes. Só isso explica que ninguém se interesse em ir buscar o dinheiro onde ele realmente existe e continue a fazer de todos nós – generalidade da classe média – bodes expiatórios para a crise que não passa. A troco de quê? Isso não se sabe. Mas os senhores dos Jaguares com certeza que agradecem, porque a conta do hospital sempre deve dar para encher mais um depósito de gasolina.

Evidentemente mediterrânico

Esplanada do café Estrela. Selecção nacional na Letónia. Sagres a quinhentos paus, bifanas e saladas de polvo. Aproxima-se um velho que me pede para se sentar à minha mesa. Sentou-se. Esperou dois minutos até encontrar o meu olhar, até ai perdido nos movimentos televisionados dos pupilos de Scolari, e pergunta-me de onde sou. Respondo e ele diz: eu também sou do mediterrâneo. Era sírio. Faz sentido.

O nosso homem em Londres

Pensaram que o indivíduo se ia calar? Pensaram que ia transformar os seus modos por respeito ao país onde trabalha, que ia deixar de ser malcriado e arrogante, que ia começar a sorrir? Pensaram mal. José Mourinho continua igual, sem tirar nem pôr. Os jornais ingleses adoram-no porque ele é notícia. Divertem-se com as suas baboseiras e esperam gulosos que Mourinho se espalhe para o ridicularizar implacavelmente. Já passaram cinco semanas e continuam à espera. Têm a certeza, no entanto, que o momento virá. Mourinho diz mal dos árbitros, não é polido com os adversários, diz mal dos métodos de treino em Inglaterra e chegou a insinuar, dirigindo-se ao mundo britânico, que só recebia lições de quem ganhava mais trofeus internacionais do que ele. Há alguém por aí que tenha ganho mais do que eu? Depois de afirmar que antes dele só Deus, o treinador de Setúbal afirmou que só o todo poderoso lhe tira o sono, sugerindo que os media ingleses lhe eram perfeitamente indiferentes. O homem já comprou mil guerras, mas é extraordinário o modo como pretende ganhá-las uma a uma.
Mourinho consegue, como todos sabemos, ser bastante irritante. Mas como estas coisas têm sempre que ser avaliadas dentro do seu próprio contexto, o nosso homem em Londres têm alguma graça. Habituados à emigração portuguesa da cabeça vergada, do trabalhador pouco instruído e economicamente debilitado vemos de repente aterrar na sobranceira capital do que foi o maior império do mundo um indivíduo obviamente latino, com um ar chateado, um ordenado milionário e uma confiança do tamanho do universo que o leva, com a maior das irresponsabilidades, a disparar para todo o lado enfrentando qualquer adversário, independendemente da sua origem, história, tradição, fleuma, etc. Continuamos à espera do momento da queda de Mourinho.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Presunções

O Dr. Soares filho, candidato a secretário-geral do PS defende que a experiência autárquica é fundamental para se poder assumir, com uma visão mais global e incisiva, responsabilidades governativas. Este é um dos argumentos que utiliza para justificar o porquê de ele ser melhor que os restantes para liderar os destinos do PS e, quiçá, do país (isto claro se entretanto toda a gente enlouquecer). A sua teoria apoia-se no exemplo francês que, aliás, é sempre muito usado, aparentemente com muito sucesso, entre os nossos socialistas.
Eu não sei em que país vive o Dr. Soares, mas não estou a ver que utilidade teria para o governo a experiência autárquica de gente como o Sr. Avelino de Canavezes, a Dra. Fátima de Felgueiras, a Dra. Edite de Sintra, o Dr. Judas de Cascais, o Dr. Menezes de Gaia ou o inefável e incasável Sr. Narciso de Matosinhos (embora este por lá tenha andado efemeramente). Tal como não estou a ver que tipo de mais-valia trouxe o Dr. Lopes ao país. Por que é que com o Dr. Soares isso seria diferente?

quarta-feira, setembro 08, 2004

O Guerreiro

O Guerreiro é o antigo comandante do exército privado de um senhor feudal, numa Índia remota e cercada pelo deserto. Líder feroz e impiedoso ao serviço da extorsão da vida e das colheitas alimentares das aldeias sob o jugo inclemente do senhor, rebela-se, a certa altura, contra este ao abandonar o seu posto para regressar à aldeia natal. Imediatamente perseguido pelos sequazes do suserano, que se considerava afrontado na sua honra, vê o filho ser degolado às mãos dos anteriores companheiros de guerra, logo no início da sua viagem de retorno primordial.
Por entre paisagens desérticas e montanhas enregeladas, a viagem de retorno torna-se a partir desse momento um ritual da tentativa de expiação de antigos pecados, sempre presentes, seja pela activação espontânea da memória seja pelo acompanhamento inseparável de um descendente das suas inúmeras vítimas, símbolo do passado, ou pela repulsa da sábia anciã que busca as águas sagradas, no seu auxílio motor.
Amargurado pela sucessão de recordações, vagarosamente se arrasta sob tempestades de areia ou de areia, numa absoluta resignação aos desígnios providenciais, até chegar a ser encontrado pelo ambicioso antigo coadjuvante de epopeias de destruição. Abdicando da vingança imediata, coloca-se sob o alcance do punhal do sicário, até que o seu jovem companheiro de viagem, sombra do seu passado maldito, lhe salva a vida.
Notável do ponto de visto do enquadramento natural, o Guerreiro é uma metáfora singular do arrependimento e da busca de perdão.





O PP da Madeira

Na Madeira, o PP do sítio, através do seu mandatário regional Ricardo Vieira um histórico do partido (embora ainda seja muito novo), apresentou a sua lista de candidatos às próximas eleições regionais. Por entre promessas de enorme combate, competência e mérito, tudo apanágio dos candidatos desta confraria (e de outras também), destaca-se, das palavras do dito mandatário, a enorme presença de mulheres e de jovens que compõem esta sociedade meio anónima. A coisa promete.
Ora tenho para mim que de cada vez que um partido fala muito em presenças femininas e de jovens é porque pretende disfarçar algum problema estrutural, utilizando uma estratégia que visa chamar a atenção para um dado que é precisamente irrelevante, ao mesmo tempo que se desmarca do dilema principal. E a verdade, apesar da retórica e das supostas elevadas percentagens de representantes de mulheres e jovens, é essa mesma: o PP, apesar da festança, não tem nenhuma mulher nem nenhum jovem em lugar elegível. Com a lata do costume, explorando este tipo de demagogia abjecta que não disfarça a crise e a manifesta incapacidade de renovação dos seus quadros, eis o PP da Madeira no seu melhor: muito grande nas juras, tão mesquinho nos actos.

Não há festa como esta!

Texto da Catarina, que se esqueceu da sua senha de acesso...
"Para camaradas, amigos ou simples visitantes.
Fiz a minha estreia na festa do avante ao som do Godinho e do Palma “ ... vou ao fundo do mar, no corpo de uma mulher ...”. O espírito vermelho cresceu dentro de mim e, de repente, tudo fazia sentido por uma noite : o som, os cheiros genuínos de quem dispensa desodorizantes, o caldo verde, o pão partilhado, as mãos das crianças a bater o compasso nas cabeças desprotegidas de pais complacentes, as bandeiras ao rubro, a percussão ensurdecedora dos toca-a-rufar ... , os sons de beijos molhados aqui e ali, entre sorrisos (“hoje soube-me a tanto ...”) , enquanto nas tendas se adivinham as trocas de fluidos feitas de amor incondicional (na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida ...) . O Saramago dentro da tenda a dar autógrafos, em troca dos olhares lacrimejantes de quem lhe devora os caracteres impressos e sente que o reconhece, por detrás dos óculos. Aproximam-se e identificam-se, para que saiba a quem dedicar mais umas páginas, e ele, o mestre, nem se levanta, e mal olha : a admiração incondicional também é feita destes pequenos nadas, destes snobismos de artista, que todos desculpam (e admiram) : Ele é mesmo assim ... E afinal nem tanto os separa (uma mesa tosca) , como o que os une (1 livro, a tinta derramada com o seu e o meu nome desenhados na mesma frase, uma frase de dádiva que começa com : PARA ... um PARA que se abre numa imensidão interminável de possibilidades e se fecha naquele olhar inebriado de quem, por momentos, é a razão única de ser daquele livro e daquele homem (um Nobel, um nobre ), que escreve para ser lido, que escreve para MIM. Um aperto de mão sela o pacto de promessas surdas (eu continuarei a ler, tu continuarás a escrever), e traz de novo a consciência de que são, afinal, tão semelhantes : de carne e osso. Corre-se para o telemovel : “Tou, ... olha, ... sim, está aqui, eu vi-o ! ...” , ( e o mais importante fica, submerso, por dizer : ... “e ele também me viu !” ) Sempre é verdade : não há festa como esta ! Catarina A R"

segunda-feira, setembro 06, 2004

Queremos mesmo que Bush se vá embora?

A questão parece estranha, mas confesso que não conheço a resposta. O problema nem passa pelo argumento de que Bush e Kerry são iguais e que republicanos e democratas representam, cada qual à sua maneira, a América dos interesses. Se esta última afirmação é no geral verdadeira é justo afirmar que Bush e Kerry não são totalmente iguais. Bush é uma versão mais rude, violenta e perigosa de Reagan. Bush é a prova que a democracia pode transformar-se numa completa aberração, uma retórica dirigida a autênticos mentecaptos, um simplificação absoluta das ideias, uma prática maniqueista primária, manipulatória e, como se pode observar, criminosa e assassina. Neste sentido, Bush é pior, talvez não muito pior, mas efectivamente pior. Para o povo americano é melhor que Kerry ganhe. Com Kerry, não que dele se esperem maravilhas, os direitos sociais vão aguentar-se e a economia talvez cresça, à semelhança do que sucedeu com Clinton.

Mas noutro sentido, talvez seja melhor que Bush ganhe. A consciencialização política de largas camadas da população do mundo, especialmente aquelas que mais afastadas estão da vida cívica e política, deve muito ao presidente Bush. Os seus modos básicos chegam tão rapidamente aos seus apoiantes como às pessoas que acham a política algo esotérico e distante, coisa de especialistas. Quantas pessoas passaram a ter opinião política desde que Bush apareceu? Quantas pessoas se juntaram a manifestações porque o alvo era George W. Bush e a política imperialista americana. Os movimentos sociais na Europa e no Mundo ganharam muito com Bush, apesar de, por vezes, de forma errada, se confundir a política americana com o povo americano. Queremos mesmo que Bush se vá embora?

O Trabalho no mundo

1) O Guardian publicou, na sua edição do último dia dois de Setembro, os resultados de um relatório do International Labour Office sobre o universo laboral. Noventa países foram colocados numa escala segundo vários critérios: salário, representação sindical, segurança do posto de trabalho, segurança no trabalho, direitos de saúde e segurança social, entre outros. Os resultados, no geral, não são muito surpreendentes. Em primeiro lugar a Suécia, depois a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica, a França, o Luxemburgo, a Alemanha e o Canadá. Portugal surge no 14.º lugar, depois da Irlanda, da Áustria e da Espanha e imediatamente à frente do Reino Unido. Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, estão em 25.º lugar. O primeiro país asiático é o Japão, em 18.º lugar e não há quaisquer sinais de países árabes nem das novas democracias do leste da Europa entre os primeiros 20. Na cauda da tabela está, como se esperaria, um contingente de países africanos. Segundo o mesmo relatório, a progressiva privatização dos sistemas de segurança social tem levado a um efectivo empobrecimento das populações. Contra esta tendência foi apontado como factor positivo o incremento das pensões sociais no Brasil.

2) A luta contra a União Europeia é, nos nossos dias, um anacronismo. É elementar, no entanto, desejar uma outra Europa. O primeiro passo para alcançar este objectivo passa por impedir todas as forças que pretendem destruir um modelo de direitos sociais e do trabalho que, sendo já de si bastante débil e injusto, ainda faz da Europa um lugar à parte no contexto mundial. As últimas tendências não são, infelizmente, positivas.

3) O resultado alcançado por Portugal é, de certo modo, espantoso, nomeadamente porque o país chegou a 74 com uma infra-estrutura de apoio social e de direitos do trabalho muito débil, quando comparada, por exemplo, com o pujante welfare-state britânico construído depois da Segunda Guerra Mundial. É útil olhar para a história portuguesa destes últimos 30 anos e procurar os momentos e as causas que proporcionaram a inversão. Não será difícil perceber, basta olhar para as estatísticas, que o grande momento de social-democratização do país foi precisamente o período revolucionário após o 25 de Abril de 74. Tarefa realizada, refira-se, em contra-ciclo económico. Também não é difícil compreender que o maior ataque a este conjunto de direitos se realizou a partir dos anos noventa, pela mão de governos socialistas e sociais-democratas. Basta olhar, por exemplo, para a evolução da legislação dos contratos a prazo. Quanto tempo mais nos vamos aguentar no 14.º lugar?

sexta-feira, setembro 03, 2004

O que o Dr. Portas não faria com um brinquedo destes...


Seinfeld - o Regresso

Agora, que já estamos na contagem decrescente para a reexibição do Verdadeiro Artista (dia 20 de Setembro, na Sic Radical), a horas decentes para a maioria dos seres, fica aqui um pequeno aperitivo:
"Porque será tão difícil e desconfortável estar nu? É porque quando estamos vestidos, é sempre possível fazer aqueles pequenos arranjos, que as pessoas adoram fazer. Puxar, endireitar, ajustar. Achamos que estamos a ficar bem. «Ah, estou mesmo jeitoso. Sinto-me bem, muito bem». Mas quando estamos nus, não há nada a fazer. «Pronto, é isto. Não posso fazer mais nada.»
É por isso que eu gosto de pôr um cinto quando estou nu. Sinto que tenho qualquer coisa. Gostava de ter uns bolsos pendurados no cinto. Não era o máximo? Imaginem! Estar nu e, mesmo assim, conseguir pôr as mãos nos bolsos. Acho que seria uma grande ajuda."

quinta-feira, setembro 02, 2004

Renovadores

Segundo “A Capital” o Eng. Sócrates quer os renovadores do PC nos futuros estados-gerais do PS, uma espécie de encontro muito conhecido entre as luminárias do partido e, dizem, da sociedade civil. A trama já era conhecida, mas só agora foi escrupulosamente revelada àqueles que ainda tinham dúvidas. Usar os dissidentes para engrossar as fileiras de um projecto político que é um misto de nada com coisa nenhuma só serve para destapar o rabo da verdadeira intenção dos ditos renovadores e dos pseudo-socialistas: destruir o PC e fortalecer o PS. Tão óbvio.

Persil

Uma das coisas mais interessantes do mundo publicidade é a sua capacidade latente de fazer-nos entrar num mundo novo sem darmos por isso. Ontem, a olhar estarrecido para a televisão, dei por mim, gentileza do Persil, a invadir uma toalha de mesa e a remover nódoas graças a uns princípios activos que só os químicos, e pelos vistos os publicitários, conhecem. Fiquei maravilhado: a tecnologia hoje faz milagres e não engana. E fá-lo não só por mim; fá-lo por muita gente. É comovedor.
A coisa é simples: põe-se um tipo bem-falante a convencer uma tipa mãe de família, que é um pouco mais do que estúpida, que perde imenso tempo no seu dia-a-dia porque não conhece os atributos do novo produto em questão – geralmente uma variante nova de um produto já existente – que remove todas as nódoas. A senhora maravilhada olha depois - já antes havia olhado para o antes - para o resultado final e reconhece o valor da coisa e o tempo de chatices que poupou.
Nunca percebi bem o alcance deste drama das nódoas que não caem, mas uma coisa veio-me à memória. Lembrei-me da recente tese do Ministro Sarmento sobre o papel das mulheres na família e na sociedade. Será o Persil o elemento que faltava e uma das medidas do governo para dar mais tempo e dignidade às mulheres?