quinta-feira, março 31, 2005

Os ingleses e suas colonias...

Para ira dos pós-modernistas, um dia escreverei um livro sobre a cultura e o legado dos povos anglo-saxônicos. Não são melhores nem piores do que outros povos, mas as suas contradições são por certo muito mais sofisticadas, para além de divertidas... Ora pois então, estão a realizar-se eleições no Zimbábue. O Zimbábue tem a sorte (ou o azar) de ser um país de expressão oficial inglesa. Daí o facto de figurar nos telejornais dos canais britânicos. Falasse chinês ou árabe, e não tivesse um tsunami ou petróleo, para a sua existência passar completamente despercebida aos olhos dos súbditos de Isabel. De manha cedo, estava eu no meu café da manha, quando no ‘Morning Programme’ da BBC (desculpem lá, eu sei, com esta conversinha de chacha já pareço o Pacheco...) quando se começa então a falar no Zimbábue, esse país governado pelo Robert Mugabe. Ora diz a apresentadora que o Zimbábue, ‘um país que foi colônia inglesa por mais de 75 anos’ (e enfatiza os ’75 anos anos’) tem uma população empobrecida, com 38% a sofrer de malnutrição, uma situação agravada, garante-nos a jornalista, pela expulsão dos agricultores e donos de terras brancos. Bom, eu já não me choco com este tipo de comentários neste país. O hábito faz o monge, e eu já levo uns anitos de convento nos costados. Mas de facto eu nunca vi nação mais orgulhosa do seu passado colonial como esta. Eles estão profundamente convencidos que foram um bom império, de que ha bons impérios, e que os outros fizeram muito mal em rejeitar a sua iluminada gestão. O Reino Unido é um país nem de bem nem de mal com a historia porque é um país que vive uma fábula: a fabula do bom colonizador e civilizador. E isto esta de tal forma entranhado na psique nacional que leva a que, precisamente, os seus cidadãos se choquem de ir a Rússia e de ninguém falar inglês, de não haver pequeno almoço inglês na Bavária, e dos outros europeus conduzirem pela direita.
Mugabe não e um santo. E um ditador. Mas Mugabe estudou no berço da 'boa civilização': no Reino Unido. Como um ‘mau selvagem’, regressou para expulsar os brancos que ha mais de 75 anos atrás tinham usurpado, a forca da bala, as terras das gentes que povoavam a então Rodesia. Os 38% de malnutrição não são decorrentes da ma gestão por parte do povo (negro) do processo produtivo agrícola no Zimbábue (no fundo é isto que os ingleses querem dizer, mas são demasiado 'hipocritamente correctos') mas da grave seca que assola o pais e, é claro, do despótico governo de Mugabe, que se rodeou de ávidos caciques.

quarta-feira, março 30, 2005

Demasiado Humano

O Cardeal Patriarca anda preocupado com as interpretações demasiado humanas da vida de Jesus Cristo. Para a igreja, Cristo vale enquanto símbolo do divino cuja verdade exemplar vence por estar acima do Homem, por inspirar reverência e mesmo um certo temor. Ora isto não interessa ao menino Jesus. É precisamente pelo lado humano que o exemplo de Cristo pode ter algum valor, não pelas histórias da carochinha que explicam o real pelo metafísico. Se a Igreja tivesse mais preocupações com o humano da vida, poupava-nos à exibição cruel da via sacra a que o seu líder é sujeito diariamente. Mas para a Igreja, e também para os activistas anti-aborto, a vida não é mais que um acto mecânico de inspiração divina: o período entre a concepção e a morte já não interessa para nada.

Greenpeace vs Vicaima

A acção que ontem a Greenpeace liderou junto da empresa Vicaima, alertando para a necessidade de combater o comércio ilegal resultante do abate destrutivo de espécies arbóreas na Amazónia brasileira, e que esteve na origem da “libertação de energia braçal” por parte do sénior que administra a empresa contra o operador de câmara da SIC, descarga essa que os complacentes agentes da GNR declararam não terem presenciado “em flagrante” - depois do episódio Avelino Ferreira Torres, alguns elementos da GNR, pelos vistos, continuam a gostar de fazer figuras reverentes e tristes para Portugal ver..., insere-se no “modus operandi” habitual deste movimento ambientalista, ao qual o temperamental administrador da Vicaima, não só em sentido estrito, mas também simbólico, deu um valente empurrão para o sucesso da operação.
Esse “modus operandi” dos “guerreiros do arco-íris” da Greenpeace deriva do seu perfil altamente distintivo como movimento ambientalista.
A partir da identificação das principais questões através de informações e técnicas de investigação em todo o planeta, da organização de campanhas específicas em torno de metas palpáveis, o movimento ambientalista internacional leva ao conhecimento do grande público uma determinada questão, através de acções espectaculares com o fito de atrair a atenção dos media, visando forçar empresas, governos ou instituições a tomarem medidas credíveis ou então a terem de enfrentar uma futura publicidade negativa.
Soubesse tal o bravio administrador da Vicaima, - um exemplo de que nem sempre a idade traz sapiência nem juízo - e a acção contestatária poderia ter-se desenrolado com bastante mais urbanidade.

segunda-feira, março 28, 2005

O PS e as Presidenciais

Ao anunciar solicitamente o apoio do Governo Português para a nomeação de Guterres para o cargo de alto comissário da ONU para os refugiados, Sócrates conjuga duas intenções de natureza distinta: uma dum plano mais idealista (o apoio e a solidariedade ao ex-líder), outra dum plano pragmático (a machadada final ao anteriormente dado como adquirido pelo partido).
Essas duas intenções ambivalentes resultam do imbróglio que a maioria dos dirigentes do PS, incluindo o próprio Sócrates, criou com a vetusta litania de que Guterres seria o candidato natural e mais adequado à Presidência da República por parte do PS.
Alertado para as dificuldades praticamente insolúveis da imposição popular da candidatura de Guterres, não tanto na área de influência política do PS, mas no espectro partidário mais vasto de esquerda, das quais o próprio Guterres também tem noção, ao adiar quase ad eternum uma pronúncia pessoal a confirmar ou refutar a candidatura, e consciente de que para enfrentar Cavaco o partido terá que apresentar um candidato que acolha opiniões mais favoráveis do eleitores do PCP e do Bloco, pois que estes poderão ser decisivos na refrega presidencial, Sócrates, com a publicitação deste apoio, subtilmente manifestou já a sua pretensão de revogar a preferência inicial.
Com Guterres atirado para fora de jogo ainda no período de aquecimento por falta de atributos eleitorais, quem avançar pelo PS, para além dos votos dos eleitores do PS, terá de ser um candidato que congregue uma forte adesão de todo o espectro partidário de esquerda e que não provoque uma fragmentação excessiva do voto dos eleitores que com a mesma se identificam.
Nesta altura, a única personalidade que pode aspirar a tal chama-se Ferro Rodrigues.

sexta-feira, março 25, 2005

Pensamento

Que raca de coelhos e que poe ovos?!

quarta-feira, março 23, 2005

O que debater nos têxteis?

Ele há coisas, como vocês bem sabem ou já perceberam, que me dão nos nervos... Uma delas e o enquadramento do PCP na idade da pedra. Fosse Marx vivo, e o próprio acusaria o PCP de desactualizado e de fechado sobre si mesmo, falando para o lago vazio de peixes. Falo das criticas dos grupos parlamentares ao programa do novo governo. Bernardino Soares, esse jovem educado no viveiro que são as juves partidárias e que desde que chegou a bancada parlamentar passou a investir mais em gravatas, esta descontente com o programa do governo porque, pasmem-se, não apresenta uma solução para os têxteis! E quais são as tuas soluções para os têxteis, camarada? Bombardear a Índia, o Paquistão, o Sri Lanka, a China, Tailândia, enfim, o continente asiático? Já terás tu ouvido falar de globalização econômica? Claro, uma coisa e não gostar, outra e ignorar... Os têxteis, como o calçado, como as industrias pesadas são tradicionalmente industrias de arranque. Nenhum pais que viveu a revolução industrial antes de Portugal permaneceu com um forte sector têxtil. E que pode o governo fazer: obrigar os empresários a investir em tecnologia, no design, na qualidade? Não. Mas pode, e voltamos nos a velha conversa, conceber e promover, em parceria com as entidades patronais que terão de ser activas na matéria, programas de requalificação profissional. Trabalhar em conjunto com as Câmaras Municipais dos concelhos afectados para a atracção de novas industrias em sectores diversificados, impedindo a mono-especialização e mono-dependência da região. Incentivando a instalação das chamadas ‘industrias limpas’ de inovação tecnologica (que vai muito para alem de telemoveis...). O sector têxtil camarada, como o conhecemos hoje já era e terá de ir. Avante, avante e que e o caminho!
Há no entanto que ressalvar que Soares aludiu ao problema do Sistema Nacional de Saúde (esse sim, uma prova de fogo para o actual governo), e os Verdes foram o único partido a questionar frontalmente o governo sobre a eventualidade do 'não' ao aborto vencer neste referendo. De fora ficaram: questões CONCRETAS sobre o código do trabalho, reforma fiscal, segurança social, a questão do redimensionamento das universidades, do combate ao insucesso e abandono escolar, entre muitas outras. Num governo de maioria espera-se uma oposição construtiva, forte e coerente. No parlamento os cérebros dos deputados de oposição já estão no Algarve, Vilamoura...

A ciclicidade das notícias

No último mês, três polícias morreram na Amadora no cumprimento das suas funções. De súbito muita gente entrou em pânico e estabeleceu teorias e correlações entre a imigração, o crime e a violência. Alguns entraram numa espécie de paranóia sem fundamento e sem qualquer razão exigindo, a quente, medidas e rápidas soluções, algumas de foro radical. Convém não nos precipitarmos. E convém analisar, a frio, as verdadeiras causas por trás deste tipo de incidentes.
Há três ou quatro anos, uma série de assaltos a bombas de gasolina e um envolvendo uma actriz menor (Lídia Franco), fez com que em Portugal muita gente jurasse viver numa terra sem lei nem roque, onde a bandidagem fazia o que queria, inclusive gozar da polícia. Redondo equívoco, como se viu. Falso alarme para enganar e criar uma espécie de insegurança colectiva, onde toda a gente apontou o dedo a toda a gente. Também nessa altura a comunicação social fez um show off medonho empolando situações dignas do mais puro caricato desde gangs à solta a terroristas de sete costados. E também nessa altura, muita gente foi entrevistada, muito rancor foi jogado e muitos especialistas foram consultados. Efeitos? Praticamente nenhuns. No regresso à normalidade toda a gente percebeu que a fotografia era manifestamente exagerada e que não representava a realidade. A coisa parece-me que se volta agora a repetir. Portugal é muito provavelmente um dos países mais seguros da Europa (o que equivale a dizer do Mundo) e nos últimos tempos não se deu nenhuma alteração significativa para que tal deixasse de se suceder. Continuamos, no fundo, a ser um país de brandos costumes – não na violência doméstica, por exemplo, ou mesmo para com outro género de indefesos – e não há razão para alarme. Não se deixem influenciar. Afinal, “Aníbal (não) está às portas” como diziam os romanos para assustar as suas criancinhas….

PS: Reconheço que há que rever as condições de trabalho das polícias para que estas exerçam cabalmente as suas funções. Mas isso é uma coisa que nada tem a ver com os imigrantes nem com o suposto mal que eles representam. Tem a ver, sim, com a política e com a vontade dos políticos.

terça-feira, março 22, 2005

Lisboa para os lisboetas?

Mandar os emigrantes e os negros - mesmo os que já têm passaporte português - para a terra deles é quase tão estúpido como dizer que Lisboa deve ser para os lisboetas.
Imaginem a lógica: não é admissível que existam lisboetas desempregados em Lisboa quando há pessoas de outros regiões do país a ocuparem o seu lugar. Vão para a vossa terra e para a vossa cultura, voltem para a terra dos vossos pais, voltem para as Beiras, para o Alentejo, para a Madeira, para o Norte, para o Minho, para Trás-os-Montes, vão e deixem Lisboa para os lisboetas. Rua. Pirem-se da capital.

Amadora

A Amadora passa neste momento por ser o concelho mais perigoso do país onde em cada esquina há um criminoso, normalmente emigrante, negro ou cigano. Estou para saber se as estatísticas confirmam o que os media nos têm dito nos últimos dias.
Era bom, no entanto, que os media e a população portuguesa se preocupassem com outros crimes e criminosos.
Notariam, então, que em sítios resguardados dos meliantes mencionados em cima, onde não há velhinhas assaltadas por esticão, e se vive numa paz de classe média, muitas vezes protegida pela cancela do condomínio fechado, existem cidadãos brancos e portugueses, com frota automóvel vasta, casas na praia e no campo, carteira de acções recheada, quiçá mesmo um helicopterozinho ou um barquito de recreio, que declaram às Finanças o bom do ordenado mínimo. A estes não podemos nós mandá-los para a terra deles.

A emigração outra vez

O cozinhado é conhecido. De forma um pouco simplista sabemos que o desemprego gera criminalidade e que os emigrantes são responsabilizados pelas duas coisas. O arrepiante nisto tudo é que o discurso racista anti-emigrante não vem de cima, da superestrutura política. Em Portugal, mesmo os partidos mais à direita não se aproximam do tipo de discurso que ouço diariamente em Inglaterra. O problema vem de baixo, tem origem na ignorância e começa a ser alimentado, por alguns jornais populares. É fácil culpar o emigrante, produzir generalizações idiotas, tomar o indivíduo pelo grupo, não compreender que os emigrantes, na sua grande parte, são explorados e não exploradores.
Alguém devia procurar explicar aos portugueses que foram e são eles, sobretudo os que estão perto do poder económico, político e cultural, os responsáveis pelo país que temos. Em suma, Portugal não peca por excesso de emigrantes, mas tem com certeza alguns portugueses a mais.

A economia por Manuel Fernandes...

O Sr. Director do jornal Publico tantas vezes peca por ‘se meter a falar’ de coisas que visivelmente não percebe. Este velho do Restelo, escreveu hoje um artigo sobre o síndrome Português de seguir exemplos de outros paises para se inspirar no seu modelo de desenvolvimento. Da então o exemplo da Irlanda (a coqueluche de Durão) e da Finlândia (da preferência de Sócrates). Faz Fernandes depender o desenvolvimento destes dois paises do seu patriotismo. Confesso que desde que Santana era PM não ouvia eu declarações tão disparatadas quanto estas... Ora o primeiro erro deste senhor e comparar alhos com bugalhos. A Irlanda não e comparável a Finlândia, Sr. Director. A Irlanda, se assim o quiser, encaixa-se na tradição Latino-Americana da teoria da dependência econômica. E um balão, insuflado pela criação de vantagens fiscais a empresas, nomeadamente de serviços (isto e, call centres, basicamente), para a fixação de negócios. Digamos que estas não levam a criação de infra-estruturas tecnológicas nem tão pouco ao aumento da procura de recursos humanos mais qualificados e diferenciados. E um balão insuflado pela economia norte-americana, por grupos americanos que prezam a sua ascendência irlandesa e dinamizam, especialmente e nomeadamente, o mercado de especulação imobiliária. Ora Dublin é a Irlanda e o resto nem paisagem, é o marasmo. E lógico que em termos de indicadores macroeconômicos isto tudo parece muito bem. No entanto, não acrescentaria o qualificativo ‘sustentado’ à expressão ‘economia Irlandesa’.
A Finlândia e outra fruta. Aqui falamos de um pais que procura aliar o desenvolvimento tecnológico e econômico ao desenvolvimento do bem estar social. Deste modo percebeu que um desenvolvimento sustentado se faz apenas com pessoas e com a criação de uma massa critica, cujo papel vai muito para alem de ‘pseudismos’ e intelectualismos dandies como os que temos em Portugal. A criação desta massa critica passou na Finlândia pelo acesso universal, gratuito e facilitado ao ensino onde, Sr. Director, não se pagam propinas (alas...). Passou também pela criação de um serviço publico forte e estruturado, voltado para a criação do bem estar social, entendendo-se este como função primeira do Estado. Digamos que a diferença entre a Finlândia e a Irlanda e que a primeira delineou uma estratégia para criar, de raiz, infra-estruturas sociais e econômicas baseadas no conhecimento. A Irlanda e apenas um hospedeiro, que aloja empresas parasitas. É tipo uma plataforma de exportação de serviços, neste caso call centres. A entrada da Índia neste mercado de atracção de empresas trará, a médio prazo, problemas para a economia irlandesa que se vera incapaz de competir com as vantagens comparativas da Índia que, elace, também fala inglês.
Portanto, se temos de nos comparar a alguém, com alguém e seguir o exemplo de alguém, estou muito contente que seja a Finlândia e que de uma vez por todas deixemos de olhar para cima, para os ‘velhos aliados' Anglo-saxões. Não que possamos imitar modelo de desenvolvimento Finlandês, mas pelo menos que sejamos capazes de reter o básico: investimento nos recursos humanos, numa economia do conhecimento como vantagem comparativa e na criação de infra-estruturas que nos permitam alcançar tais objectivos. E o nosso problema não e o patriotismo ou a falta dele. O problema reside no tecido empresarial que temos (cambada de ignorantes, abrunhos e grosseiroes, vendedores de sapatos e feijões sem visão) e intelectuais que se reproduzem dentro de uma lógica familiar e que em vez de estarem na frente de novas idéias se comportam como a Igreja Católica (alias, estão para a sociedade como a Opus Dei esta para a Teologia da Libertação...)... Bom, mas nada, nada e impossível! A ver vamos.

segunda-feira, março 21, 2005

Congressos

No Fundão, no congresso da JSD, um dos candidatos à liderança do PSD (Luís Filipe Menezes) foi efusivamente assobiado por simpatizantes de uma outra candidatura (Marques Mendes). Sem se perceber o porquê de tanta animosidade realce-se que a JSD nacional não é propriamente um modelo de bom comportamento e de boa educação e que convém não confundir o cu com as calças já que o que estava em causa naquele momento nada tinha a ver com as “brigas dos seniores”. Só que estes meninos não deixam por mãos alheias as suas enormes “qualidades” e “potencialidades” baseadas em logros eleitorais, truques processuais e alianças estratégicas momentâneas tão efémeras como um piscar de olho. No fundo, a batota está instituída e basta relembrar dignos episódios de polícia que envolveram roubos de urnas e outros derivados para se perceber um pouco do que se fala. Castigos? Punições? Penas e penitências? Vários e sortidos, para todos os gostos e feitios e de todos os tamanhos e cores. Principalmente para aqueles que patrocinaram tão faustosos e pacóvios acontecimentos. Alguns foram promovidos a deputados, outros a deputados europeus e alguns até chegaram a secretários de Estado. Pelo meio, destruíram um grupo parlamentar sólido em prol dos seus interesses pessoais e mesquinhos e fizeram eleger uma marioneta como novo líder. Parabéns aos vencedores.

quinta-feira, março 17, 2005

Lubbock

Lubbock é uma cidade do Texas que detém o recorde de igrejas por m2 nos EUA. Para além das igrejas, há também um dos maiores centros comerciais do país e um campo de mini-golfe. Quanto a equipamentos aptos para proporcionarem momentos colectivos, fica-se por aqui.
Foi alvo de destaque do Odisseia pelo apelo que as três instituições mais importantes da comunidade (família, igreja e escola) têm vindo a fazer desde há algum tempo sobre os jovens para a abstinência sexual até ao casamento.
Os pais incitam e confiam na carestia dos rebentos até ao altar, pois só assim os futuros esposos e esposas dos seus filhos lhes agradecerão a dádiva que os castos filhos lhes irão proporcionar na noite do casamento (a assinatura conjunta de pais e filhos de um contrato-promessa, sob patrocínio do senhor padre que atesta esta manifestação de vontade, reforça-lhes a crença).
A igreja doutrina os adolescentes para o valor supremo da abstinência sexual, incorporado e valorizado pelos ensinamentos bíblicos, sob a pena de em cima deles cair uma maldição que os condene para toda a eternidade ao limbo. Para isso oferece-lhes sessões de evangelização tendo em vista a rectidão moral das condutas que estes devem adoptar. O auge atinge-se quando o pregador apresenta aos adolescentes o exemplo da escova de dentes. Tal como a escova de dentes, que não deve ser partilhada porque não se sabe quem a usou, quantas vezes e onde, a experiência sexual deve restringir-se ao cônjuge.
A escola transmite aos jovens o nome das doenças sexuais mais vulgares, dá-lhes a conhecer quais as consequências que para eles advirão se não adoptarem uma conduta abstémia. Quanto à “educação sexual” o limite é este. Os jovens locais mais afoitos chamam-lhe “fear education”.
Os jovens esforçam-se por contrariar os impulsos, arranjam estratagemas para sublimar os apetites, como os concertos de “rock cristão” todas as sextas-feiras no auditório, mas as hormonas ditam leis e os jovens lá acabam por prevaricar...
Com isso dão origem a interessantes fenómenos, não do Entroncamento, mas de Lubbock. Os mais vulgares chamam-se “Virgens Técnicas” e “Virgens Espirituais” (este último é o meu preferido).
A acompanhar estas designações campeãs da originalidade que utilizam para se definir, os adolescentes de Lubbock ocupam também um lugar cimeiro nas estatísticas americanas de dois indicadores: a percentagem de gravidezes juvenis e de doenças sexualmente transmissíveis em menores de idade.
A comunidade de Lubbock não consegue perceber estes indicadores com o afã que põe na pureza e na castidade sexual. Realmente, vá lá imaginar-se como é que as estatísticas revelam aqueles indicadores...

quarta-feira, março 16, 2005

Um paradoxo da democracia

As qualidades exigidas para se ganhar eleições podem não coincidir com as qualidades necessárias para se ser um bom governante. Sócrates provará o teorema.

On-line e Off-Line

Na propalada sociedade em rede uma nova forma de desigualdade social parece saltar à vista: por um lado, temos os que estão na rede e por isso ligados ao mundo (e o mundo ligados a eles); e, por um outro lado, temos os que estão fora da rede, ou desligados do mundo (e por isso inacessíveis ao mesmo). Ou seja, temos uma dicotomia clara entre os que estão on-line e os que estão off-line. Não é difícil perceber quem são uns e quem são outros. E de como isto é importante para se perceber a sociedade actual e parte do modo como ela se estrutura e funciona. A questão é pertinente. E complexa como é óbvio.

Marx, no século XIX, falava-nos na diferenciação de classe baseada na posse ou não dos meios de produção. No século XXI alguns defendem que parte da população se divide em on-line e off-line (estar dentro ou fora da rede). Não deixa de ser motivante perceber como certas discussões se mantêm actuais.

Entre artes

Gosto desta troca de ideias entre poetas e jogadores de futebol. Simão também devia opiniar sobre a poesia de Alegre. Quem sabe se a moda pega e ainda temos o Jorge Costa a escrever prefácios para o Herberto Helder.

terça-feira, março 15, 2005

Raciocinio simples

Vivo num Estado laico. Organiza-se um referendo sobre os auto-sacrificios religiosos, como ir a Fátima de joelhos ou a pé a Santinha da Ladeira. Voto contra porque, como ateia, acho uma estupidez que as pessoas se submetam a tais sacrifícios físicos, que tantas vezes atentam contra a saúde, e em ultima instancia, contra a sua vida. E isto por nada. Ou melhor, por uma ficção.
Pergunta: o que tenho eu que ver com isso? Será que eu, como ateia, tenho o direito de impedir os outros de tomarem tais decisões, de serem religiosos e de se arrastarem de queixo até Fátima?

segunda-feira, março 14, 2005

CAF

Assistir na “Superior” a um jogo local do Académico de Viseu, ainda hoje, permite uma experiência de regresso ao passado. Revêem-se muitas caras de antanho e reconhecem-se bastantes palavras de ordem de apoio à equipa de um público fiel, cujo perfil social, essencialmente, se enquadra em classes sociais mais desfavorecidas em termos económicos.
Para além dos afectos que os ligam ao clube há décadas, outros motivos conduzem à sua presença quinzenal no Estádio do Fontelo. A possibilidade de accionarem mecanismos de catarse das rotinas de um dia-dia envolvido em tarefas profissionais desgastantes e mal remuneradas e o encontro e convívio com os amigos de longa data, são razões a não menosprezar na “romaria” que empreendem duas vezes por mês ao Estádio.
Ontem, com o cartaz a colocar frente a frente Académico de Viseu e Sanjoanense, lá estavam eles quase todos juntos na mesma bancada. Chegando aos pares, dão facilmente conta dos comparsas no locais que têm para si cativos desde longa data. Depois dos cumprimentos iniciais, a conversa começa por girar em torno das competições futebolistas do principal escalão e à alusão aos deslizes dos “grandes”. Ontem foi dia de um simpatizante benfiquista andar a distribuir bolachas Maria da fábrica Nacional aos parceiros portistas. O mais famoso simpatizante local do FCP, o Barba Ruiva, lá as aceitou, não sem antes indagar junto do adepto benfiquista se o adversário que iria competir com o Benfica na jornada europeia da próxima semana se confirmava ser o Carvalhais.
Iniciado o jogo, logo um dos clássicos adeptos academistas, de pilhinhas ao ouvido, desceu dos degraus de topo da bancada para se situar mais próximo do relvado e assim fazer chegar ao árbitro aquilo que tinha para lhe dizer sempre que a ocasião a tal obrigava. Finda a pronúncia, invariavelmente virava-se para os amigos que haviam ficado no topo da bancada e esboçava um sorriso trocista, tentando medir e avaliar junto deles a qualidade do impropério debitado ao árbitro. A esposa, essa, optou por continuar no cimo da bancada a fazer o seu crochet.
Ao mesmo tempo, outro fervoroso adepto local mantinha a tradição pessoal de bradar um sonoro “Acadéééémico”, qual grito de alerta, no instante imediato ao esférico invadir o meio-campo defensivo da equipa local.
Ao intervalo, o espectador que estava ao meu lado, e que durante a primeira parte até tinha elogiado a isenção da equipa de arbitragem, ouvia os comentários dos jornalistas de uma das rádios locais que cobria o jogo. Dizia o jornalista que o árbitro estava a apitar por tudo e por nada e assim estava a quebrar o ritmo de jogo da partida.
No reinicio da partida, à primeira infracção assinalada pelo árbitro logo o meu vizinho opinava para os demais adeptos que o árbitro estava sempre a apitar por tudo e por nada. À segunda infracção, uma falta à entrada da área da Sanjoanense a beneficiar o infractor, pois tinha inviabilizado que o avançado da equipa local ficasse isolado perante o guarda-redes, de pronto fez ecoar para o árbitro de que teria sido melhor para todos que o juiz de campo tivesse seguido a profissão de maquinista da CP se tanto adorava apitar. Acaso dos acasos, a marcação certeira do livre proporciou o segundo golo da tarde ao Académico, o que levou a que o citado adepto tivesse considerado que a decisão do árbitro talvez não tivesse sido tão infeliz quanto isso...
Até ao fim do jogo, com o jogo claramente dominado pela equipa da casa e com o marcador favorável, os adeptos locais ainda discutiram a pretensão do novo Governo de autorizar a venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias, a indigitação de Freitas do Amaral para MNE e as próximas eleições autárquicas...

À esquerda

Tudo leva a querer que, apesar de tal actividade não constar dos seus programas eleitorais, os dois partidos à esquerda do PS vão gastar parte das suas energias a confrontar-se. Os militantes devia queixar-se mas não o vão fazer. E porquê? Porque dizer mal do concorrente próximo é muito mais divertido do que chatear os que estão mais longe. O mercado ideológico de esquerda não é assim tão grande e todos querem ser os seus legítimos representantes. Representar a esquerda, neste caso, implica três exercícios, afirmação de uma identidade, a categorização do outro e a sua subsequente exclusão. Um partido defenderá, contra os que invadiram o seu espaço eleitoral, o seu vasto currículo de lutas. Dirá que o outro é uma manta de retalhos sem unidade ideológica e intervenção prática, que os seus eleitores ou são pequeno burgueses urbanos, intelectuais sem rumo, ou tontos alienados que nas próximas eleições podem votar no PP. Os mais refinados dirão que o outro partido é uma invenção do grande capital ou mesmo da CIA. Do outro lado, afirmar-se-á a novidade. Tentará mostrar-se um currículo limpo de relações históricas muito duvidosas, de símbolos usados e gastos e apelar-se-á a uma pluralização das causas. De seguida classificar-se-ão os eleitores do outro partido como seres sem individualidade, que vêem o mundo por aquilo que o partido decide que o mundo é: a velha teoria da cassete. Os estereótipos, tal como se ouve amiúdes vezes em relação às sondagens, valem o que valem. O problema é que a razão dos partidos acaba para passar para as atitudes dos seus simpatizantes. Da mesma forma que em relação às pessoas que votam à direita se aplicam indiscriminadamente categorias genéricas que correspondem sobretudo a um ideal político e não a uma existência social concreta: fascista, burguês, conservador, etc, (o que não significa, claro, que os fascistas, os burgueses e os conservadores não existam e que seu número não seja relevante), também as categorizações dentro da esquerda acabam por exercer uma violência sobre as pessoas que as sofrem. Não há melhor forma de criar um fascista do que chamá-lo de fascista. Aplicar uma grelha estritamente política ao mundo é abdicar de perceber a razão pela qual as pessoas fazem as escolhas que fazem. Em suma, é abdicar de tentar perceber as pessoas. Isso tem custado e vai continuar a custar muitos votos a uma esquerda que, em parte, deixou de perceber as pessoas. À esquerda do PS os próximos anos vão ser assim, a repetição até à náusea de jargões políticos, a busca da pureza ideológica, da verdade da casta, a privatização do protesto e do direito a reivindicar. Não é muito interessante, mas é o que se pode arranjar. É, apesar de tudo, a esquerda com que contamos.

sexta-feira, março 11, 2005

Relatos de uma noite feliz...

O Sporting Clube de Portugal foi a Inglaterra bater o Middlesbrough por 3-2 para a Taça Uefa. Já está com um pezinho nos quartos de final.

Os Keane de Inglaterra vieram a Portugal dar um concerto num Coliseu esgotado. Simplesmente memorável...

quarta-feira, março 09, 2005

Tráfego

O “das nove às cinco” já era. As horas de ponta nas grandes cidades atingem o seu pico às oito da noite. Londres claro, confirma a regra. Como diria o outro, é fazer as contas e avaliar onde já vai a semana de trabalho.

As mulheres e os seus dias

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher. Porque considero estes dias meramente ritualísticos e sem conseqüências de maior, propositadamente ignorei a data. Celebro-a hoje. Celebro-a, aliás, todos os dias, ou não fosse eu mulher. Estes dias internacionais estão para os políticos como a missa está para muitos católicos: uma descarga de consciência, neste caso anual, que deixa aos políticos a sensação de muito fazerem pela desigualdade de género. E quando me refiro aos políticos, refiro-me aos políticos homens e mulheres. A desigualdade existente não isenta de responsabilidades todas as mulheres que até hoje ocuparam cargos de responsabilidade política e que não souberam, ou não quiseram, pressionar o sistema para a correcção das suas próprias incongruências e desigualdades. Do mesmo modo, não isenta de responsabilidades muitas feministas, que empunham a bandeira de defensoras dos direitos da mulher, conquistando, de facto alguns e importantes, mas propositadamente ignorando outros. Uma ignorância que radica em profundos preconceitos, tanto quanto os preconceitos machistas e patriarcais que dizem querer erradicar. A luta das mulheres começou pela conquista de direitos políticos que lhes concedessem igualdade de participação cívica. As ‘suffragettes’ em Inglaterra foram de facto as pioneiras, envolvendo-se em formas de luta pacíficas e originais. Uma das características das ‘suffragettes’ era a asserção da sua feminilidade: envergavam trajes ‘edwardianos’, extremamente elegantes e femininos, ao mesmo tempo que nas trincheiras enfrentavam e confrontavam com força e coragem as forças policiais (masculinas) que vinham para suprimir o seu protesto. Queriam com isto significar o seu direito de, como mulheres, terem os mesmos direitos cívicos que os homens. Nas mãos das feministas posteriores, a luta perdeu precisamente o seu carácter feminino. Não mais se tratava de uma luta de ‘como mulheres’, mas sim de uma luta por uma igualdade, a meu ver, absurda. Isto é, se o mundo dos homens fosse perfeito, então sim, faria sentido querer ser igual. Mas o mundo dos homens não só não é perfeito como é incompleto. Ou seja, é um mundo demasiado pequeno para conter as nossas reivindicações de ‘como mulheres’. A luta deveria ser pela transformação desse mundo, pela sua expansão e inclusão de novos olhares sobre o mundo, olhares diferentes, sob diferentes perspectivas. Esse mundo não foi transformado. As leis sim, temos hoje igualdades de direitos – de voto, de trabalho. Esta inclusão na lei dos homens da igualdade das mulheres satisfez as feministas. Mas a palavra escrita é letra morta e hoje ainda ganhamos menos do que os homens quando ocupamos funções similares e, mais importante, se nos é permitido o controlo da natalidade pela negativa – evitar filhos – não nos é permitido o controlo da natalidade pela positiva – ter filhos. As mulheres, assim falam as estatísticas, continuam em grande número e por toda a Europa a serem despedidas quando engravidam. As mulheres não têm apoios sociais para educarem os seus filhos. As mulheres são ainda olhadas com preconceito e consideradas umas inúteis sociais se optam por ficar em casa com os seus filhos, e isto, se o rendimento familiar assim o permitir. Conclusão, as pressões sociais sobre as mulheres amontoam-se e os obstáculos à sua liberdade de escolha vão-se tornando cada vez maiores no imperfeito mundo dos homens. Como se pode então, por exemplo, negar o direito ao aborto? Numa sociedade que coloca sobre os ombros femininos a responsabilidade individual sobre o controlo negativo da natalidade, que nega direitos sociais e financeiros associados à maternidade, o que querem os senhores e senhoras do direito à vida? A vida pela vida? A vida não desejada, não amada, apressada e descurada? A vida de merda? Ironicamente, os senhores e senhoras do direito à vida fazem tão somente o jogo das feministas radicais e no mundo imperfeito dos homens...

terça-feira, março 08, 2005

Mourinho

Arsene Wenger, Alex Ferguson and José Mourinho all perish in a plane crash and went to meet their maker.

The supreme deity turned to Wenger and asked, tell what is important about yourself.
Wenger responded that he felt that the earth was the ultimate importance and that protecting
the earth's ecological system was most important. God looked to Wenger and said, " I like
the way you think, come and sit at my left hand".

God then asked Ferguson what he revered most. Ferguson responded that he felt people and
their personal choices were most important. God responded, "I like the way you think, come
and sit at my right hand".

God then turned to Mourinho, who was staring at him indignantly. God asked "What is your
problem Mourinho?"
Mourinho responded " I think you are sitting in my chair".

Birra...

Em democracia tem de se saber ganhar e de se saber perder. Lá pelos lados do Largo do Caldas perdeu-se a noção do ridículo. As consequências já se fazem sentir. Bastantes militantes do CDS-PP de Coimbra estão a desfiliar-se, como protesto pela imbecil decisão de retirar o retrato de Freitas do Amaral da sede do partido e enviá-lo (quiçá por correio azul, tal é a pressa) para o Largo do Rato.

A História não se apaga, seus meninos birrentos...

segunda-feira, março 07, 2005

O genotipo dos politicos...

Os 'faladeiros' profissionais, tao requesitados pelos meios de comunicacao social portugueses onde bastas vezes vao 'botar faladura', sao de facto do melhor. A nata da nata, o creme de la creme da intectualidade lusa. Nos comentarios aos constituintes do novo governo, estes 'faladeiros' tiveram momentos de inspiracao intelectual transcendente. Muitos diziam que o novo governo e constituido por 'ilustres desconhecidos' sem experiencia governamental e / ou ministerial. De facto, e realmente estranho, como e que alguem sem experiencia governamental vai para o governo. Considero ate de premente necessidade a realizacao de testes geneticos a futuros candidatos por forma a aferir se os ditos cujos sao portadores do gene 'experiencia governamental' uma vez que esta, ao que parece, nao se adquire mas e sim inata. Agora percebo como e que Portugal sobreviveu mais de 40 anos a um regime de ditadura politica. Desculpem-me, que estupidez! Afinal era um regime legitimo baseado no genotipo de quem o governava: todos detentores de 'experiencia governamental'.
Todos os restantes comentarios prendiam-se com o perfil do ministro das financas, o novo Cristo. Eu parece-me que os 'faladeiros' de tanto falarem pouco ouvem e como tal, pouco percebem do que quer que seja. Os maiores problemas do pais sao problemas estruturais sociais e ai o ministro das financas, tenha estudado em Franca ou no Benin, tenha presidido a reitoria da sua universidade ou a sua comissao de condominio, pouco influi. Mas isto sou eu que digo. Quer dizer, a minha ascendencia proletaria as tantas nao me permite opinar sobre estas materias, a falta do gene de 'opinador-com-legitimidade'...

Smart

Agora que começa a cair a máscara de respeitáveis guardiões dos valores aos meninos de bem do PP e se vislumbra por trás dela apenas a cara de uns pueris caceteiros, quer-me parecer, a continuarem assim, que futuramente até um táxi será grande demais para albergar os deputados do PP. Bastará um Mini Smart.

sexta-feira, março 04, 2005

Libertem o futebol pelo lados da Luz!

Alguém devia explicar ao senhor Trapattoni que há diferenças significativas entre o jogo de futebol e a contabilidade de uma empresa. Um jogo do Benfica, com algumas excepções de permeio, parece o trabalho de um ministro das finanças a controlar o défice. As segundas partes então assemelham-se a um ministério desorçamentado desesperado para que o próximo ano chegue rapidamente, poupar, poupar, poupar. Libertem os jogadores do Benfica, deixem-nos correr e marcar golos.

quarta-feira, março 02, 2005

Não há hóstias nem tinto para ninguém

Um padre católico português anunciou hoje a sua recusa em dar a comunhão aos católicos que usam métodos contraceptivos, que recorrem à reprodução assistida ou que aceitam a actual lei em vigor sobre o aborto.

O padre Nuno Serras Pereira invoca o cânone 915 do Código de Direito Canónico para, "na impossibilidade de contactar pessoalmente as pessoas envolvidas", lhes dar conhecimento público de que "está impedido de dar a sagrada comunhão eucarística a todos aqueles católicos que manifestamente têm perseverado em advogar, contribuir para, ou promover a morte de seres humanos inocentes".

Votar ou participar em campanhas a favor da legalização do aborto, aceitar ou concordar com a actual lei em vigor e defender a eutanásia também são motivos que impedem o padre de dar a comunhão.

terça-feira, março 01, 2005

O Pato

Finamente tenho a possibilidade de juntar–me a tão ilustre companhia. Com atraso é certo, o mesmo atraso que o César persistia em cultivar, com o célebre tenho de estar em Queluz… se a Internet tem virtudes, uma delas é a possibilidade de juntar pessoas que fisicamente distam alguns kms. Nalguns casos muitos. Parece, e é um lugar comum. Mas o Grupo do Pato mais do que tudo continua a ser um espaço de discussão e opinião, mesmo que a distância impossibilite a convivência física passada em longas horas nesse local que nos deu nome. Falta-nos o espaço físico. O pato, um café, três salas. Uma delas com a fotografia de um bebedolas bonacheirão, de sorriso largo, que fazia promoção a uma qualquer cerveja, como pano de fundo, decorando uma sala minúscula que servia para tudo menos o tédio. Também o Sr. Sousa, e os pastéis de nata “duplos”, ou as cervejas pedidas de enfiada. Lá nasceu o “Pornoestruturalismo”, e outras fantasias. Lá se passaram muitas horas. Falta–nos o Palouro das Neves, o “Vasquinho” que anda fugido. Mas não falta a mesma vontade de discutir coisas. Mudou muita coisa, mas o essencial ficou.
Ainda bem.