sexta-feira, abril 30, 2004

o surrealismo do PCP

Ontem passava rapidamente os olhos pelas gordas dos sitios de noticias quando li algo como: o PCP alerta para o perigo do alargamento da UE no sentido em que Portugal saira prejudicado. Deu-me vontade de rir mas a pena que sinto pelo PCP fez-me apenas esbocar um sorriso maternal perante um fillho que se sabe, coitadinho, nao ir longe dado as suas limitacoes…
Sem comentar a carga xenofoba que pode ser atribuida a tal comentario publico que, noutros paises, se espera ser proferido por partidos radicais nacionalistas, e nao por outros; o impressionante da atitude deste partido e o seu surrealismo. Cada vez mais o PCP e um partido surreal, que levita na esfera do etereo, longe, muito longe do povo com que enche a boca para legitimar comentarios tao estupidos quanto este ultimo. Senao, vejamos. Portugal nao teve nem mais nem menos tempo que outros paises membros da UE para se refazer economica e socialmente. A desculpa de uma ditadura antes da democracia ja so cola em acerebrados que desconhecem a historia das democracias mundiais. E o que fez Portugal com esse tempo e com o dinheiro que jorrou pela fronteira a dentro? Oh, muita coisa:

1) estradas com alcatrao de pastilha elastica, distribuido o sobejo pelos empreiteiros, engenheiros de juntas de freguesia e camaras municipais;

2) distribuiu notas a rodos pelos jovens agricultores, que compraram bons carros e casas ainda melhores;

3) construiu parques industriais por esses vilarejos a fora, oferenco instalacoes de mao beijada a empresas que ate um cego via que so queriam usar o pais como plantaforma de exportacao;

4) financiou o ensino publico… financiando as privadas;

E a lista poderia continuar, e continuar, e continuar. Os portugueses nunca sao culpados. Basta fazermos o teste. Numa conversa de café, iniciar com o seguinte: ‘este governo nao faz nenhum…’, logo se ouve ‘ai olhe, EU e que nao votei neles!’. E o pais onde a culpa morre solteira mas nao virgem. E o PCP, sendo um PC portugues, tende a partilhar desta idea. Ora Portugal sai prejudicado nao porque varios paises de Leste vao integrar a Uniao Europeia. Portugal sairia prejudicado nem se fosse o unico pais a integrar a Uniao Europeia porque o que prejudica Portugal esta ca dentro e nao la fora. Pena e que o PCP nao perceba isso e profira declaracoes tristes e, a meu ver, descriminatorias. E ja agora, pergunto, qual e o deus que acha que Portugal merece mais do que uma Lituania? Tenham paciencia…. Saiam mais da sede, deixem de ter maus figados e abram a boca depois de ponderarem muito bem sobre o que vao dizer!

Netsaúdeº

Após aquele autêntico massacre parlamentar transmitido pelas televisões, ontem no horário nobre, onde foi possível constatar um gestor de um grupo bancário português, e agora ao que parece também representante de uma empresa internacional de telecomunicações, de seu nome Luís Filipe Pereira, a ser violentamente fustigado pelo líder de um pequeno partido, que o deixou completamente atordoado e com uma capacidade de resposta risível, para bem do crescimento futuro e desprovido de traumas das crianças portuguesas, acho que chegou a altura das televisões começarem a ter alguma temperança e contenção na transmissão de actos daquele manifesto calibre violento, como, aliás, são quase todos aqueles onde participa o anedótico ministro da saúde...

O Túnel

"Manifestação de Apoio ao Túnel do Marquês contou com 4 participantes"
A Capital, 30-04-04

Embora tenha ficado um pouco abaixo das expectativas da organização em termos da presença de apoiantes (a organização esperava ao todo 7 participantes), esta manifestação em prol da política de Santana Lopes teve a virtude de ter permitido aos serviços de vigilância do Hospital Júlio de Matos encontrar os 4 pacientes que de manhã haviam fugido das suas instalações e cujo paradeiro permanecia incerto até à hora da manifestação, altura em que foram então encontrados no Marquês de Pombal.

quinta-feira, abril 29, 2004

Liberdade de Imprensa

Relatório da Freedom House
Liberdade de imprensa deteriorou-se no mundo em 2003

Olha, nós aqui no weblog do Pato nunca sofremos desse mal.
Aqui as opiniões e a informação circulam livremente, libertas de pressões colocadas por grupos económicos, estados autoritários ou perseguições judiciais.
Tomara que fosse assim em todo o lado.

segunda-feira, abril 26, 2004

Compromisso Portugal

"Compromisso Portugal propõe mudanças na Constituição.
Entre as propostas consta o estudo de uma revisão séria da Constituição da República, de modo a que esta deixe de colidir com as formas de contratação que as modernas relações económicas exigem".


Palpita-me que este lobbie económico-financeiro não se deve ter inspirado nas formas de contratação que os países mais “modernos” do mundo admitem como legalmente autorizadas para vincular os trabalhadores às entidades empregadoras...
Relembro quais eram os 3 países que em 2003 ocupavam as posições cimeiras em termos de índice de desenvolvimento humano da ONU, um indicador internacionalmente reconhecido como válido para consignar o grau de “modernidade” de um país:
1º Noruega; 2º Islândia; 3º Suécia.
Seria interessante analisar quais as coincidências de pontos de vista relativamente ao que vigora sobre as formas de contratação nestes países e o que este excelso grupo de empresários e gestores portugueses propugna como caminho a seguir.


domingo, abril 25, 2004

Sandim power

Um jornalista da TVI acaba de perguntar a um adepto do Gondomar se ele considera que a operação "apito dourado" é uma cabala engendrada pelos Dragões Sandinenses.
Claro que foi. Consta ainda que os Dragões de Sandim estão na origem do caso Casa Pia, do 11 de Setembro, do regicídio de 1908, do terramoto de 1755, da última ceia e da extinção dos dinossauros, este último feito em colaboração próxima com o Águias da Musgueira.

sexta-feira, abril 23, 2004

Sentido de Humor II

"Acontece ainda que o "apito" tem uma conotação fálica, mas frustre, de uma sexualidade sem energia nem alegria, reduzida a uma dimensão doméstica, envergonhada e melancólica. E, no plano do significante, um vocábulo em que apareça o elemento "pito" tem algo de uma sexualidade infantil, feita de expressões carinhosas, mas destituídas de agudeza e exuberância. "
Eduardo Prado Coelho

Sentido de Humor I

"E se o tal saneamento do futebol português não é levado a cabo, substituindo uma estafada e desacreditada geração de dirigentes dos órgãos institucionais do futebol, é porque a clubite lisboeta só aceita o saneamento se à cabeça vier o nome de Pinto da Costa".
Miguel Sousa Tavares

Piada do Dia

"Ganhar por 3-0 em Alvalade está perfeitamente ao nosso alcance"
Rui Cunha, dirigente da SAD do SLB

quinta-feira, abril 22, 2004

He was my friend

Jorge Andrade, mais um indivíduo que não domina bem o conceito regionalista de amizade.

Regionalismos

O advogado do presidente do Gondomar FC e vice-presidente da Câmara de Gondomar explicou esta manhâ a um jornalista da TVI que a expressão «tráfico de influências» não se aplicava bem à região Norte, porque para cima do Mondego as pessoas eram mais chegadas, almoçavam umas com as outras, abraçavam-se, faziam favores como camaradas e amigos. Claro, dizia ainda o jurista, que as pessoas de Lisboa não percebem isto porque são frias e cínicas, pouco calorosas e nada prestáveis - onde é que já se viu um político lisboeta a oferecer uma torradeira aos seus eleitores. Deste modo, expressões como «tráfico de influências» ou «corrupção», bem como os códigos penais, os tribunais, os juízes e as leis em geral são invenções de um demónio centralista, frio e calculista que não percebe nada da antropologia nortenha. Faz sentido. Talvez fosse possível candidatar esta boa forma de ser português a património mundial, juntamente com a lampreia do Rio Minho, os ovos moles de Aveiro, a alheira de Mirandela e os Ferraris de Felgueiras. Acho que pelo menos apoios na Sícilia e no Paraguai não iam faltar.

A retoma já chegou à C.M de Lisboa

Entre Março de 2003 e Março de 2004, o Município Lisboeta adquiriu 11
viaturas topo da gama no valor de 600.000 euros. Nove da marca Peugeot a
quase 50.000 euros cada, um Lância Thesis de igual valor e um Audi A8 4.2
V8 Quattro de 115.000 euros. Acresce registar que o Audizito consome 19,6
litros de gasolina em circuito urbano!
Segundo Santana Lopes foi um bom negócio, visto que os carros substituídos estavam velhos, tinham três anos! João Soares deixou um Volvo S80...
O Lância Thesis foi para a vereadora do PSD Teresa Maury e os Peugeot para os outros colegas de partido.

Sabeis qual é o slogan da Audi para promover o modelo A8?

"Os sonhos não têm preço"





A Evolucao

Ao que parece anda tudo muito chateado pelo facto de se ter perdido o ‘r’ do 25 de Abril. Ora, pois se e evolucao significa que evoluimos de um regimo autocratico para um regime, um regime, um regime… Vendo as coisas por este prisma, arrisco dizer que o ‘r’ foi bem apagado! Se nao vejamos, o que mudou em Portugal desde Marcelo Caetano?

• Os politicos duvidosos ainda fogem para o Brasil;

• os noveau riche, ainda que corruptos, andam impunes ocupando cargos de notoriedade publica;

• o trabalho infantil perdura;

• ainda se morre de doencas ha muito erradicadas dos paises ditos desenvolvidos;

• o analfabetismo total e funcional ainda tem dois digitos percentuais;

• caciques como Alberto Joao Jardim ainda sao adorados e bajulados;

• a corrupcao ao mais alto nivel governamental e institucional perdura e beneficia sempre os mesmos;

• a elite intelectual e cultural ainda se define pelo apelido e redes padrinhares;

• a Igreja catolica ainda exerce uma consideravel influencia sobre o poder politico;

• ...

Pois bem, que chamem ‘evolucao’ ao 25 de Abril. Pessoalmente acho ate que a ‘evolucao’ tem sido lenta e pesarosa…

quarta-feira, abril 21, 2004

Submarinos

Na senda da discussão acerca das opções políticas sobre a forma de esbanjar dinheiro neste "rico" país, vem agora a Nato, de forma estulta e extemporânea , intrometer-se com a vontade governamental de satisfazer os caprichos do Ministro da Defesa e na pretensão deste em conquistar simpatias no meio militar, ao considerar que Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem anda a gastá-lo mal.
Mas que descaramento este o da Nato!...

"A NATO considerou um desperdício o investimento de centenas de milhões de euros na compra de submarinos novos para a Armada portuguesa, revelaram ao DN fontes aliadas".

"Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem será desperdiçado na compra de submarinos, tendo-nos pedido que justificásemos tal opção. Não o faremos", escreveu a NATO num dos documentos classificados acerca dessa matéria

terça-feira, abril 20, 2004

Futebol Português IV - Operação Mãos Limpas?

Entretanto, ironicamente, já hoje...
O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Valentim Loureiro, mais 15 pessoas entre as quais o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Pinto de Sousa, foram detidas pela Polícia Judiciária para interrogatório, sob suspeita de tráfico de influências na arbitragem...

Futebol Português III

Sobre a derrota, e admitindo sem reservas as más intervenções do guarda -redes Ricardo nos lances de golo do Boavista, também não nos podemos esquecer que até o Sr. árbitro ter expulso o jogador do SCP daquela forma letal, o Boavista tinha feito um remate à baliza durante 80 minutos... e raramente passava o meio-campo, mesmo estando a perder há largos minutos, pelo menos no jogo que eu vi...
Em relação ao Nacional, foi curioso aqui há mês quando o Nacional veio jogar a Belém, estava junto a uma pequena claque do clube, misturada também com adeptos do Belenenses, e quando os madeirenses gritavam pelo clube (Nacional, Nacional), vinham imediatamente os adeptos do Belém rectificar prontamente, Nacional... da Madeira, da Madeira!...
Pelo vistos os continentais de Lisboa reconhecem um cariz regional ao Nacional o que nem sempre acontece com os Madeirenses....

Futebol português II

No derby mais aguardado pela Madeira, o Marítimo bateu mais uma vez o Nacional (que é de todo o lado menos da Madeira). Por mim, o campeonato está ganho. Obrigado Marítimo.

Futebol português

O Sporting disse definitivamente adeus ao título. Estranhamente o Sr. Santos (o único treinador do mundo que não conseguiu ganhar um campeonato com um jogador a marcar 40 golos) e demais apaniguados (comunicação social incluída) decidiram culpar o árbitro da partida pelo desfecho da mesma. No jogo de futebol que eu vi (não o que os especialistas comentam ou os jornais escrevem) o maior culpado pela derrota do Sporting chama-se Ricardo e não Paixão. É que no jogo que deu na minha televisão o Sr. Ricardo, titular indiscutível da baliza da Selecção do Sr. Scolari, deu duas monumentais abébias aos avançados do Boavista, comprometendo por isso todo o trabalho da sua equipa. Até quando se continuará a proteger este menino? Ah, se fosse o Baía...

PS: O outro guarda-redes do autista Scolari, também fez lustrosa exibição no passado fim-de-semana abrindo caminho para uma vitória mais do que fácil (chegou a ser patético o modo como o Benfica ridicularizou o Braga de um tal de Jesualdo) do mais do que provável segundo classificado do campeonato nacional.
Se dúvidas houvessem o Braga tem mais golos sofridos do que o Marítimo (6º), o Rio Ave (7º), o Boavista (8º) e o Moreirense (9º); tem apenas menos um golo sofrido do que o Gil Vicente (12º) e a Académica (13º) e menos dois do que o Guimarães (16º).
O Ricardo já sofreu 31. O Vítor Baía apenas 17. Mas parece que tudo é já um dado adquirido. O que vale é que no futebol a estatística só serve para algumas coisas.

segunda-feira, abril 19, 2004

Cat Power

Lindo. O cd "You are free". Do melhor que ouvi nos últimos tempos. E tenho andado a ouvir muita coisa...

A Mão de Deus

O Diego Armando Maradona já explicou lá em cima que desta vez não precisa da mão de Deus. Esperemos.

Evoluindo???

A direita lida mal com as revoluções. A esquerda adora revoluções. Toda a gente sabe disto. No caso português a coisa é mais ou menos igual, mas o problema está no património político e social da revolução (não tanto na semântica) de que uns se querem apropriar e que outros querem, erradamente, fazer esquecer. Nem a esquerda é dona do 25 de Abril, nem a direita deve ter vergonha de o assinalar com a toda dignidade que o momento celebra. Está na hora de percebermos (homens e mulheres deste país, da direita, do centro e da esquerda) que o legado da revolução é herança de todos. De todos, sem excepção, coisa que não deve envergonhar ninguém. Neste caso, assustadoramente lógico, a virtude está no meio e não nos extremismos balofos que à direita e à esquerda querem fazer do 25 de Abril, não um acontecimento digno (e dignamente referenciado) mas um circo mediático e populista que desonra a memória de todos aqueles que lutaram por ele. Nem tudo tem de ser branco ou preto.

Violante

A Dra. Violante Matos (filha do Sr. Saramago, conhecidíssimo prémio Nobel e perseguidor político) disse hoje, numa entrevista à TSF/Madeira que a sua escolha para número dois da lista do Bloco de Esquerda às europeias nada tem a ver com o facto de ser filha de quem é. Como também não foi pelo seu trabalho político (invisível), pela sua militância (nula) ou pelas suas ideias (mas quais ideias?), é razão então para perguntar-se por que raio terá sido?

A Paixão de Bruno

Aproveitando a maré de êxito de bilheteira do filme de Mel Gibson, uma dupla de realizadores portugueses, Loureiro e Pacheco, responsável por diversas películas brilhantes no campo da comédia, decidiu pôr as mãos ao trabalho e vai começar a filmar um remake do actual líder de audiências cinematográficas em Portugal, neste momento.
O filme chamar-se-à a Paixão de Bruno e narra a história de um jovem alentejano que cresceu a praticar o milagre da multiplicação dos cartões a partir do nada pelos relvados do país, e que embora tenha sido precocemente detectado como um embuste, e por isso esteja constantemente a sofrer crucificações públicas, consegue, incrivelmente, ressuscitar todas as semanas a partir de um monte alentejano de oliveiras, não para subir ao céu e desaparecer da vista de todos, mas para continuar a sua saga de falsos milagres...

sexta-feira, abril 16, 2004

Prémio Coerência da Semana

vai para...
José Saramago, que depois de ter dito em vésperas da eleições legistativas de 2002 que se o PSD ganhasse as eleições não compareceria mais em nenhum acto público em nome de Portugal, esteve ontem reunido com o primeiro ministro para entre outros, discutir a criação de uma cátedra na Unversidade Autónoma do México com o nome de... José Saramago.

quarta-feira, abril 14, 2004

Orrecção

A comissão que o governo nomeou para organizar as comemorações dos trinta anos do 25 de Abril quer corrigir todos aqueles que a têm mandado para o caralho devido à tal subtracção do "R". Segundo esta comissão, e depois de uma consulta a várias enciclopédias e a diversos linguistas de nomeada, a palavra "caralho" não passa de uma apropriação selvagem e sem qualquer conteúdo científico que o povo faz de um determinado órgão humano, embora a mesma comissão desconfie que por detrás disto há com certeza um bando de perigosos esquerdalhos. Neste sentido, a expressão deve ser substituída pela palavra pénis, a denominação exacta e correcta. Congratula-se esta comissão pelo trabalho que está a realizar em prol da educação do povo (embora o povo, cientificamente, também não exista).

Aproveito para recomendar, a propósito deste tema, o post que o nosso colega Rui Branco escreveu no blog rosa forte chamado Pais Real.

Os convites para almoçar de Queiroz

De há duas ou três semanas para cá, o treinador Carlos Queiroz, segundo o próprio, deixou de receber a míriade habitual de convites para almoçar, tendo vindo desde então a ficar à míngua em termos de oportunidades de beneficiar de uns repastos gratuitos.
Realmente, em Madrid esteve em voga até há bastante pouco tempo convidar para almoçar treinadores elegantes e bem-falantes, competência que Queiroz aproveitou para aperfeiçoar depois da sua estadia na África do Sul, nos EUA e no Japão, sem que outros requisitos fossem exigidos para o usufruto dos tais manjares.
No entanto, segundo contactos com autoridade sobre a matéria, podemos assegurar que na base deste declínio de convites que Carlos Queiroz vinha merecendo tem estado (desenganem-se aqueles que pensam que a justificação para esta situação se prende com as sucessivas derrotas impostas ao Real Madrid nas últimas semanas) a emergência de uma nova moda na cena gastronómica internacional, inspirada por um emergente Chefe português: João César das Neves.
De facto, este Chefe de cozinha português irrompeu no panorama gastronómico a defender a teoria de que "não há almoços grátis", e desde então tem merecido uma ampla adesão popular levando a que o número de convites para almoçar em todo o lado tenha decrescido vertiginosamente, incluindo em Madrid.

terça-feira, abril 13, 2004

A Montra

O Portugal real deu lugar ao Portugal virtual. Os técnicos de marketing juntaram-se às elites políticas e económicas e até mesmo a algumas personalidades da cultura nacional (veja-se o concurso promovido pelo Instituto das Artes para projectos sobre o futebol) para criar uma grande montra. Esta montra, última de uma série recente, dá pelo nome de Euro 2004. Desenganem-se aqueles que pensam que o Euro 2004 é um simples campeonato de futebol entre nações europeias. O evento é a última encenação de um país que não existe. Os que pensaram esta encenação pedem, todos os dias, pelas mais variadas formas, a colaboração do povo. O desígnio nacional serve para mostrar à Europa e ao Mundo quão capazes somos, mas também, claro, para sacar uns cobres. O portuguesinho, tão bem descrito em vários anúncios de televisão, está cá para receber o turista, sorrir subservientemente, aturar os holigans com complacência e sacar algum. Fomos todos convocados a receber convenientemente: os portugueses ricos, os pobres, os empregados, os desempregados, os que pagam impostos os que não pagam impostos, os velhotes, as criancinhas. Todos unidos na grande encenação.
Mas claro que nem todos os actores são perfeitos. Há uns malandros, evidentemente traidores à pátria, que acham que esta encenação é uma treta e que a pátria que são obrigados a amar sem condição não é representada por onze marmanjos a correr atrás de uma bola, mas pelos salários e as pensões mais miseráveis da Europa, os níveis educativos mais vergonhosos, o poder central e local mais corrupto, as elites mais tontas do hemisfério norte. É por este país que somos obrigados a actuar no palco do grande evento, nesta montra organizada pelos madaís e pelos arnauts desta terra, versões engravatadas de caciques como o Ferreira Torres. Como dizia uma personagem do Cardoso Pires, isto não é um país é um lugar mal frequentado.

Interessa ao Sr. Barroso perder as eleições europeias?

O atraso na apresentação do cabeça-de-lista do PSD às Europeias não é obviamente inocente uma vez que a conjuntura tem sofrido oscilações importantes à medida que o tempo avança. Mas interessa, em primeiro lugar, ao Sr. Barroso, perder estas eleições porque só assim será possível manter o incompetente do Sr. Ferro à frente dos destinos da única alternativa viável enquanto tenta nova maioria absoluta em 2006. E interessa em segundo lugar, que apesar de perder (o Sr. Barroso), o PS (o Sr. Ferro) saia vencedor e não fragilizado porque os seus vizinhos mais à esquerda saíram reforçados, o que também podia ser uma espécie de derrota. Qualquer outro resultado pode colocar o Sr. Vitorino como D. Sebastião socialista e na rota que impede nova maioria.
O problema é que o Sr. Louçã e o Sr. Carvalhas não estão pelos ajustes, como lhes compete (embora possa ser paradoxal), e já começaram em vigorosa campanha para derrotar a direita nas eleições que aí vêm apelando ao fantasma securitário, aos pseudo-erros cometidos pelo apoio à intervenção no Iraque e ao voto em branco, enquanto se extrapola o risco iminente de atentado por terras portucalenses e se mostram as imagens da cumplicidade da aliança invasora.
O Sr. Sousa Franco, comatoso cabeça-de-lista pelo PS, tinha como única função centrar o debate europeu nas questões económicas internas. Erro crasso que o Sr. Barroso está a tentar desesperadamente ultrapassar, porque entretanto aconteceu o 11 de Março. Ninguém quer saber das tretas económicas e da crise nas finanças quando comboios em vez de andarem nos trilhos rebentam pelos ares e fazem 200 mortos na estação de comboio do vizinho. Toda a gente está interessada em falar e discutir a questão central da vida dos europeus contemporâneos: o terrorismo e até onde se estende a sua ameaça, agora que o Iraque mergulha numa quase-guerra civil e não há pré-avisos de atentados. É isto que importa.
O Sr. Barroso percebeu uma coisa: mais vale mandar por cá no burgo do que tentar grandes voos por outras paragens lutando em várias frentes (a lógica do sacrifício político porque ele entende que não pode ganhar sempre), situação que a prazo se pode revelar complexa e um monumental tiro no pé porque em política dificilmente é bom perder.
Percebe-se a enorme dificuldade de arranjar pessoas com disponibilidade principalmente quando se tem de partilhar a mesa com gente perigosa e ambiciosa. E entende-se que para a maioria dos tão propalados e ilustres barões e baronetes servir o país só mesmo na Assembleia da República porque nisto de ir para longe faz perder muito tempo, e dinheiro, em aviões.
Oxalá que o tiro não saia pela culatra porque foi este o preço que ele decidiu pagar para manter o Sr. Ferro à frente do PS a qualquer custo.

segunda-feira, abril 12, 2004

A Evolução dos Cravos

Após a omissão intencional do vocábulo "revolução" nas comemorações do 25 de Abril, omissão essa que foi correcta e legítima, segundo as doutas palavras de Pacheco Pereira, uma vez que embora considere que o 25 de Abril foi, de facto, uma revolução, o longo período de tempo entretanto decorrido (já lá vão 30 anos, imagine-se...), não justifica que se continue a lembrar a data como as obsoletas forças de extrema-esquerda pretendem continuar a fazer), o Governo CDS-PP/PSD começou já a fornecer directrizes para que os manuais escolares dos próximos anos não contenham mais nenhuma referência à Revolução Francesa, à Revolução Russa, à Revolução Chinesa e à Revolução Cubana.
Doravante, a partir do próximo ano estes acontecimentos históricos serão designados por Evolução Francesa, Evolução Russa, Evolução Chinesa e Evolução Cubana...

quarta-feira, abril 07, 2004

uivemos, disse o cao

os caes afinal falam, mas acham que o melhor e uivar... as pessoas acham que o melhor e votar em branco...

segunda-feira, abril 05, 2004

Mourinho

O Sr. Mourinho, treinador de futebol futuro bi-campeão nacional, perdeu finalmente um jogo para o campeonato nacional. 90% do país, com toda a certeza, rejubilou com o feito porque o senhor não passa de um arrogante que merece o piorio e porque o Porto tem sorte, é protegido pelos árbitros (e pelo tal do sistema) entre outras ladainhas do costume, onde nunca entram o mérito, o esforço, o trabalho e a capacidade. Os portugueses são assim: invejosos com o sucesso dos outros e principalmente com o dos seus, se os seus estiverem muito próximos. Esse famigerado fatalismo acompanha-nos ao longo dos tempos: as elites são do piorio neste país, o tempo e a história assim o dizem. Nós não gostamos dos bons; escorraçamo-los para longe porque o seu sucesso nos ofusca. Gostamos dos medíocres (a)normais que não nos parecem nada de especial e realmente não o são. Por isso, sempre que alguém diz que se vai embora o nacionalismo balofo e patético vem ao de cima conjuntamente com o chauvinismo do costume. Mas ficamos contentes. Afinal, o Mourinho finalmente perdeu, embora ninguém se pergunte como é que jogadores perfeitamente banais se tornam, qual toque de Midas, em jogadores de uma eficiência atroz, capazes de levar de vencida equipas muito mais conceituadas. Se calhar é da sorte. Ou sempre do sistema, como o Sr. Barbosa, jogador do Sporting, se encarregou ontem de mais uma vez demonstrar.
Entretanto, não muito longe dali, o seleccionador nacional não ganha nem a feijões, o Sr. Santos do Sporting quase empata a jogar contra menos dois (e com a preciosa ajuda do árbitro) e o Sr. Camacho arrisca tanto quanto o meter um avançado para retirar outro o permite fazer, perante a inevitável escassez de um plantel que se diz, pretensiosamente, de candidato ao título. Mas parece que são muito bons. Lá isso parece.

António José (in)Seguro

Teve lugar na semana passada a primeira reunião do grupo parlamentar do PS, sob liderança do novo líder , António José Seguro.
Interrogado no final da mesma pela comunicação social acerca dos temas que haviam estado em discussão, designadamente o aborto, o novo líder do grupo parlamentar do PS prontamente esclareceu que o aborto não tinha sido um dos temas de debate, uma vez que “não era uma questão premente”.
Prosélito da tendência católica-liberal do PS, António José Seguro deixou já antever o caminho que pretende trilhar durante a sua liderança, ou seja, o caminho do temor, do medo de enfrentar as questões que suscitem controvérsia e dissensão.
Enfim, não se pode dizer que seja algo de novo e surpreendente no PS, não fosse este novo líder do grupo parlamentar um guterrista assumido, logo é natural que paute a sua acção política pela hesitação constante, pela indecisão permanente em tomar um posição clara sobre as tais matérias ditas “fracturantes”.
No entanto, apesar de ser expectável este comportamento dúbio por parte do novo líder parlamentar, não deixa de ser impressionante como num partido que supostamente visa a progressiva rectificação das desigualdades natural e socialmente causadas e a inscrição da paridade de possibilidades na acção política, se advogue numa questão de saúde pública, sem que as vozes internas contra isso se levantem, a permanência de distinções no acesso ao usufruto de cuidados básicos de saúde a todas as pessoas que optem pela realização do aborto, preferindo continuar a tapar os olhos com a peneira e a construir os destinos de muitas mulheres na clandestinidade...
Se isto é de um Partido Socialista!...

sexta-feira, abril 02, 2004

A Frase da Semana

"O Estado não tem vocação para gerir companhias de aviação civil"
Cardoso e Cunha, presidente do Conselho de Administração da TAP SGPS

quinta-feira, abril 01, 2004

Pergunta

Pergunta de ignorante (ou sobre a metafísica canina), mas o que significa “uivemos, disse o cão”?

A ver a bola passar

O Sr. Scolari conseguiu ontem um bom resultado frente à Itália. Há que reconhecer que perder apenas por um contra um forte candidato que jogou com um mar de ilustres desconhecidos, é um bom resultado. Principalmente se jogarmos em casa. Principalmente, se a espinha dorsal já estiver definida. Principalmente, se estiver a chover. Principalmente, se o seleccionador for um qualquer laureado com um título mundial. Principalmente, se andarem todos distraídos a ver a banda passar. Principalmente, se tiver sido por culpa do árbitro. Basta ver como aqueles alegres rapazes se esforçam em campo (hoje não vamos falar de equívocos) para termos a certeza absoluta de que vamos no caminho certo rumo a mais um anunciado desastre. Já ninguém se chateia. Não vale a pena. Basta olhar para o Sr. Madaíl para perceber que já não há volta a dar.