sexta-feira, julho 29, 2005

Partidos e Media

Com a aproximação das eleições autárquicas, tem sido possível constatar o aumento de frenesim na actividade dos vários candidatos e partidos, primeiro na disputa do melhor “boneco” para os cartazes, depois na divulgação das mensagens nos espaços de antena que as televisões concedem e em breve nos decisivos debates televisivos entre candidatos, nomeadamente das duas principais cidades.
Para os eleitores indecisos de Lisboa e Porto, será essencialmente na ágora televisiva que se irão dissipar as dúvidas quanto ao sentido de voto no candidato a escolher. Representante maior dos media, a televisão, simultaneamente, é o principal instrumento difusor de informações das nossas sociedades e o campo de batalha principal pelo poder.
Quem está fora dos media, apenas reside num limbo político. Sem os media, e principalmente a televisão, não é possível adquirir ou exercer poder, daí estes se terem vindo a tornar nas últimas décadas o espaço privilegiado da luta política.
Graças ao efeito convergente da crise dos sistemas políticos tradicionais e do acréscimo do grau de penetrabilidade dos media, a informação e a comunicação políticas têm sido crescentemente dirigidas aos destinatários através dos media, daqui sucedendo que sendo o acontecimento político um processo aberto, a sua organização esteja enquadrada pela lógica pelos media.
Em virtude dos media privilegiarem a comunicação simplificada, o efeito desta convergência traduz-se inevitavelmente na personalização das opções políticas e partidárias, dificultando acesso dos partidos aos media. Os partidos deixam de ser a principal fonte de influência de opinião dos cidadãos, em prol de fontes externas ao sistema político, como os media, e, consequentemente, o fosso entre partidos e cidadãos aumenta.
Com o aprofundamento desta distância, é tanto o exercício de cidadania quanto a vivência democrática que ficam seriamente abaladas.

sábado, julho 23, 2005

Cantona

Notícia interessante: um jogo de futebol de praia, entre as selecções de França e de Portugal, não acaba. Ou por outra, acaba em batalha campal. Ou em batalha no areal, para ser mais preciso. Quem começou a contenda aqui pouco importa e é irrelevante para o caso. Quem tem memória, lembra-se que estas duas selecções vivem pegadas seja na praia, seja nos torneios de jovens onde partimos os balneários, seja por causa das mãos do Abel Xavier (ou do bigode do José Romão, para exagerar um pouco). Mas no meio de tudo isto, uma coisa chama-me à atenção: o seleccionador francês atende pelo nome de Eric Cantona.
Num assombro, lembro-me dele e do futebol de eleição que praticava no Manchester United. Já não há jogadores assim: com este carisma, com esta determinação, com esta desenvoltura, com esta elegância. Já não há jogadores deste calibre; jogadores que olhavam para o jogo como um movimento estético que tinha de resultar ou em poesia ou em tragédia. Eric, o homem que corria de cabeça erguida feito locomotiva, de gola levantada e pronto a fintar o adversário que enfrentava, foi provavelmente o último grande jogador do século XX (sim, de acordo, não me posso esquecer desse extraordinário Zidane, mas esse ainda entra no início deste século). Para Cantona, o jogo tinha um mínimo de regras e daí que tudo nele fosse verdadeiramente imprevisível e imponderável.
Cantona treina agora a selecção de futebol de praia do seu país, o que é quase uma despromoção, reconheça-se. Está um pouco mais gordo. Cantona, filho de artistas, também conhecido por Dieu (Deus) ou Eric, o Terrível, nos tempos áureos em que espalhava magia e rebeldia pelos relvados ingleses, era um romântico, um sonhador e um poeta. Vê-lo é como ver um mito. Um mito vivo, que fez do futebol a sua arte e a sua causa. Espero que ele continue igual a si próprio e que seja enquanto treinador o mesmo que foi enquanto jogador: genial, acima de tudo. E espero também que ele nunca mude porque fazem falta ao futebol, os românticos, os sonhadores e os poetas. Como ele foi. Como eu espero que ele ainda seja.

quarta-feira, julho 20, 2005

A Justiça bicéfala

Numa excelente peça jornalística, Sofia Pinto Coelho, na SIC, procurou perceber se existia, ou não, uma justiça bicéfala, que trata ricos e pobres de forma diferente. Falou com um cidadão que foi condenado a seis anos de prisão por um desfalque de 600 mil euros (ou coisa parecida). Comparou, depois, o caso deste homem com os mediáticos processos da Universidade Moderna e de Vale e Azevedo. Concluiu que embora os montantes dos desfalques nestes últimos casos tenham sido muito maiores do que na situação precedente, as penas foram mais leves. Mesmo crime, penas diferentes. A diferença, claro, passa por um bom aconselhamento jurídico, pago a peso de ouro. O homem que desviou os 600 mil euros afirmou à jornalista que, se soubesse, tinha roubado muito mais, poderia assim pagar a um bom advogado e ainda ficar com uma simpática reforma ao fim de três ou quatro anos.

Dois artigos e uma leitura

1- André Freire, no Público (15/7), analisou as desigualdades na distribuição dos sacrifícios que estão a ser feitos para domesticar o défice público. O primeiro grande instrumento de combate ao défice foi o aumento do IVA: toca a todos. Aumentou também o imposto sobre o tabaco e sobre os combustíveis. Depois houve um esforço para reduzir alguns benefícios sociais, nomeadamente na função pública. Seguiu-se o aumento da idade de reforma. Freire nota, porém, que alguns grupos de interesse dentro do funcionalismo público, essencialmente alguns altos quadros de empresas públicas e algumas corporações mais fortes, saíram quase intocados por este esforço colectivo. Mais escandaloso é o modo como o governo remete ao factor trabalho a tarefa solitária do equilíbrio do défice. O PS chumbou, refere Freire, no dia 2/6/2005, uma proposta de lei que limitava o sígilo bancário, arma fundamental da administração fiscal. Os benefícios fiscais para as grandes empresas continuam a pulular impunemente, o que implica cortes drásticos nas receitas do IRC. Portugal tem, no quadro europeu, a maior diferença entre as taxas nominais e as reais no que respeita à cobrança do IRC. Isto é, o factor capital foi grandemente poupado nos esforços para equilibrar o défice. Isto leva-me a outro artigo.

2 - António Barreto, também no Público (17/7/2005), escreveu, em resposta a considerações feitas por Vasco Pulido Valente, um artigo sobre as elites nacionais. Para Barreto as elites são grupos dirigentes do país que podem assumir várias formas: "Há elites cultas e incultas; autónomas e dependentes do Estado; democráticas ou autocráticas; esclarecidas ou predadoras; activas ou parasitárias; e de esquerda ou de direita." Acrescenta que as elites não se confundem com as classes altas mas normalmente provêm delas. Continua Barreto: "Com a excepção de grande parte dos intelectuais e artistas, assim como de uma porção de políticos, as elites portuguesas são geralmente de direita. E muito dependentes. Precisam do Estado, não da população. Fizeram fortuna, têm negócios, compram e vendem, aprendem e exprimem-se graças ao Estado, não à população ou a si próprios." Barreto não poupa também o que chama de elites de esquerda, embora, pela sua posição social, lhes atribua menos responsabilidades.

Claro que podemos contestar a linha de divisão entre esquerda e direita proposta por Barreto. Concordemos, porém, que é o capital económico que genericamente domina a elite de um país com uma economia liberalizada.
É este capital económico, vastamente ignorante, 500 vezes mais parisitário e nocivo do que qualquer funcionalismo público pretensamente preguiçoso, capital incompetente (no sentido das próprias leis de mercado e da concorrência), que escapa praticamente incólume ao sacrifício do défice. Temos uma classe política autónoma, minimamente independente do poder económico? Não. Como se costuma utilizar na gíria do futebol, estamos sempre a beneficiar o infractor.

terça-feira, julho 19, 2005

Sai Tomasson, entre Pandiani

A acreditar na manchete do Record, depois de Tomasson, Pandiani é o senhor que se segue. A gargalhada é geral.

Lavar a alma...

A silly season avança confortavelmente país adentro. Nada pára a desavergonhada. Depois dos avisos à navegação, mais areia, da fina e da grossa, para os olhos dos portugueses, entretidos a discutir coisas menores e desinteressantes como novos aeroportos, linhas de comboio e TGVs e, pasme-se, originalidade suprema, energia eólica. São estes os novos desígnios a bem da nação e dos portugueses. Isso e uma coisa com o sinistro nome de Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias, que promete 25 mil milhões de euros de bandeja para distribuir por aí.
Entretanto, não muito longe daqui, o eng. Sócrates, que não leu nem conhece Maquiavel, prepara-se, sorrateiramente, para lançar nova vaga de austeridade lá para Outubro, de preferência depois de perdidas, por pouco, as eleições. Já nada espanta. Os sinais contraditórios já são tantos, que toda a gente está resignada, mesmo que ministros e primeiro-ministro falem linguagens diferentes e nada incomode verdadeiramente as criaturas, embrenhadas num animalesco carnaval de asneiras, de demagogia e da pior espécie de ruído.
Também ao longe, saindo do intenso nevoeiro, um novo D. Sebastião toma forma e ganha peso. Adoptou aliás táctica já por si municiada (com relativo insucesso): a do tabu. Cavaco, esse homem luminoso, esse profeta, que nos fez entrar a Europa casa adentro e que forjou o novo indígena (como foi brilhantemente descrito por Vasco Pulido Valente), é o senhor que se segue. Provavelmente, por dez anos. Por dez longos anos.
Ao olhar para isto, pergunto-me, que futuro nos resta? Quanta desilusão é possível aguentar? Bem sei que o calor (e esta maldita humidade) aperta, mas já nem um banho de mar me lava a alma ou me dá alento. Estou cansado. Hoje sinto-me cansado.

quarta-feira, julho 13, 2005

Sitiada em Manchester

Aqui estou eu, sitiada no edificio da faculdade porque uns poucos metros a frente, por baixo da Mancunian Way, a policia procura por uma bomba. No café da faculdade, os sitiados e evacuados dos edificios circundantes amontoam-se, procurando reproduzir uma normalidade que ja nao existe, falando ao telemovel com familiares para relatar em primeira mao a experiencia viva de quem parece viver numa guerra. A normalidade, essa, ja nao e o que era. A normalidade agora e assustadora. Nao tanto pelas bombas. Mas pela forma como nos, seres humanos, aceitamos, interiorizamos e aprendemos a viver e a conviver com a violencia. As explosoes em Londres chocaram muito poucos. A reaccao mais comum foi o ‘ja era esperado’. Portanto, esperamos assim que o normal seja as pessoas morrerem, de forma violenta, a merce de fundamentalismos religiosos, de politicas cruzadas que tantas vezes transcedem os cidadaos comuns. A actual realidade, para muitos, tera pois de se adaptar a esta nova normalidade. Como? Reforcando-se os mecanismos de vigilancia e controlo pessoal e social. Parte da nova normalidade passa entao a ser a subtil coercao social praticada, na Europa, por estados democraticos que gradualmente se vao transformando em democracias policiais dado a sua incompetencia de lidar com questoes de integracao. Comeco a viver num mundo que so pensava possivel nos livros de ficcao cientifica, onde talvez ate para ir ao café terei de passar por um dispositivo de identificacao de retina, onde diariamente seremos obrigados a provar a nossa inocencia sob pena de denunciar culpabilidade, onde nos afastaremos mais e mais uns dos outros, onde o medo nos invade, onde a violencia inesperada se torna esperada e normal. Milhares e milhares de anos de evolucao para nada. Para isto…

terça-feira, julho 12, 2005

Dúvida futebolística

O Miguel já voltou?

segunda-feira, julho 11, 2005

olhó comboio

No segundo canal, no programa Clube de Jornalistas, Luís Osório acabou de afirmar que é um tormento horrososo andar de comboio na linha de Sintra. Vou mudar para a Fátima Campos Ferreira.

A alma lusitana descodificada

No fim da primeira parte do décimo-nono "Prós e Contras" dedicado ao estado da nação, Fátima Campos Ferreira anunciou que na segunda parte, daqui a poucos minutos, vamos chegar à essência do ser português. Estou com alguma esperança de que não haja segunda parte, mas infelizmente tudo indica que o disparate vai continuar.

sexta-feira, julho 08, 2005

Golfe

Há por vezes situações em que os sintomas manifestados são de molde a fazer qualquer comum mortal baixar os braços. Este aqui , então, é demasiado pungente!
Quando se lê que o Golfe é a modalidade desportiva que denuncia a maior percentagem de casos postivos de doping (1,67% de casos positivos), conquanto possua um baixo índice de controlos efectuados, superando as violações dos regulamentos anti-doping do Atletismo, Ciclismo e Halteriofilismo, o espanto assola-nos de imediato o espírito sobre os caminhos da verdade desportiva na contemporaneidade!
Por que carga de água se dopam os golfistas? Para darem as tacadas com mais força? Para andarem pelos greens mais depressa? Para saltarem mais alto as vedações dos campos para irem buscar a bola quando esta excede os limites do campo?
Como alguém costuma dizer, enfim, só coisas que me atormentam!

quarta-feira, julho 06, 2005

O arrastão do cimento

O jornalista Alexandre Vale publicou, na última edição do Notícias da Amadora, uma excelente análise sobre as movimentações imobiliárias no concelho amadorense durante a regência do socialista Joaquim Raposo. Com 175.872 habitantes, contas de 2001, a Amadora tem a maior densidade populacional do conjunto dos oito concelhos da Grande Lisboa, com 7.586,6 indivíduos por km2. (Segue-se Lisboa, com 6.496,5 habitantes por km2). Apesar desta situação, a Câmara da Amadora já aprovou projectos que, nos próximos anos, vão trazer para o concelho mais 60 000 pessoas. Nalgumas regiões começam a existir problemas de poluição. Em quase todas as freguesias já não há espaço para um jardim, apesar das juntas socialistas chamarem de "espaço verde" qualquer rectângulo de erva com 3m2. A imaginação poderosa do nosso construtor civil, com o aval camarário, transforma qualquer espaço exíguo em terreno urbanizável: em cima de estradas, cortando jardins, fazendo subir prédios encavalitados sobre prédios, etc. A última da Câmara da Amadora é anuir a construção de mais alguns fogos no espaço que hoje é ocupado pelo Estádio do Estrela. Alexandre Vale destrinça todos os negócios e avança com o nome dos construtores civis. Estima ainda que o lucro destes negócios possa atingir os 100 milhões de contos. Claro que a discussão nas próximas eleições vai-se centrar nos roubos por esticão, no furto do telemóvel, na ameça proveniente dos bairros problemáticos. O habitual.

segunda-feira, julho 04, 2005

A internacionalização do político português

Depois do taxista, do pedreiro, das auxiliares de limpeza (como agora se diz), do assalariado agrícola e do futebolista, o país começou a exportar políticos. A coisa corre mal por duas razões. Primeiro, nós precisamos é de importar políticos: se sobrar alguém na Suécia, ou na Dinamarca, mandem cá para baixo para o rectângulo. Imaginem um sueco à frente de Marco de Canavezes ou de Felgueiras. Segundo, a performance do político português tem sido decepcionante. Do caso Barroso todos sabemos. Mais recentemente há o Guterres nos refugiados. Alguém consegue explicar quais são as credenciais de Guterres para estar à frente de uma Comissão que trata dos problemas dos refugiados. Só Deus e os seus representantes na terra podem explicar tão estranha nomeação. Os jornalistas internacionais estão espantados com a fluência verbal do novo alto comissário. Os refugiados devem andar preocupados.

Monteiro superstar

Tiago Monteiro lá terminou brilhantemente o Grande Prémio de França no 13.º lugar. Note-se que, se tivesse sucedido nesta corrida algo parecido com o que se passou na corrida anterior, isto é, se 14 carros tivessem desistido, Tiago teria ficado em -1, o que seria inédito e verdadeiramente extraordinário. Mais uma prova que somos um povo de eleitos.

Índice de asneira

"Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos."

Há que considerar o Expresso.

O Sr. Vieira

No seu insistente périplo pelo país, o Sr. Vieira do Benfica vai alimentando uma espécie de fantasia só possível, e praticável, por se aproveitar desse enigmático mundo do futebol e da gente ignorante que por lá abunda. O Sr. Vieira, personagem ainda hoje muito estranha e ambígua, está convencido que o Benfica pode tornar-se num clube de topo a nível mundial num curto espaço de tempo. Ele apoia-se na recente conquista do campeonato, numa campanha que quer atingir os 300 mil sócios e em discursos inflamados que visam inimigos imaginários. Já não vale a diligência. Criar ilusões para manter vivo um “gigante” há muito decadente, é uma manifesta ousadia que um dia lhe sairá caro. Por enquanto, o Sr. Vieira vai disfarçando a fragilidade e desorientação com a ridícula conquista de um campeonato atípico, ainda para mais convenientemente adornada por uma efusiva campanha popular. Mas na época que se avizinha, e presente numa Liga dos Campeões altamente competitiva arbitrada pelos melhores da Europa, sem qualquer espaço para falhas e sem pressões do Sr. Veiga (outro personagem de um filme de terror), o Sr. Vieira vai perceber porque é que o Benfica (tal como todos os outros clubes portugueses) não passa de uma nulidade evidente na Europa do futebol e porque é que os seus jogadores, para além de esforçados, são, na sua grande maioria, medíocres.

PS: Zenden, jogador mediano que foi dado como reforço do Benfica várias vezes, vai assinar pelo Liverpool, pondo fim a mais uma novela alimentada pelo Sr. Vieira e pelos jornais que adoram enganar papalvos.
Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos.

domingo, julho 03, 2005

Os liberais

O Congresso dos EUA demonstrou o seu desagrado pela tentativa de compra, por parte de uma empresa estatal chinesa, da empresa petrolífera americana Unical. Consideraram os congressitas que a proposta do oriente constituía um perigo para a soberania dos EUA. Um olhar mais cuidado sobre a economia americana é suficiente para perceber que este caso não é único. Um sem número de medidas proteccionistas favorece as empresas americanas e o agente destas políticas é o Estado americano. Apesar da propaganda liberal, os EUA crescem à custa da intervenção estatal. É seguro apregoar o liberalismo quando as vantagens nas trocas estão protegidas. É por isso que o governo brasileiro pede a liberalização das trocas de produtos agrícolas. A intervenção do Estado americano está longe de ser apenas económica. Repare-se nos processos políticos recentes em algumas repúblicas da antiga URSS, repare-se, mais nitidamente, nos processos militares no Médio Oriente. É o Estado que abre o caminho aos desejos insaciáveis da economia. Liberal, mas não tanto.