quinta-feira, junho 30, 2005

O Adeus de mais um Resistente

«A liberdade nasce com a aurora da Humanidade, é uma necessidade intrínseca do progresso e caminha a par da dignidade humana. Sem dignidade não há liberdade e por isso as ditaduras não se sustentam a não ser pela força».
Emídio Guerreiro

A aquisição

Sem a arte do sorvete caseiro criado pela mão do artífice, o novo corneto manga/cenoura da Olá é uma aposta segura da indústria dos gelados para este ano. Esperemos que se aguente para a próxima temporada, não prosseguindo na senda do triste calvário do Fizz Limão.

quarta-feira, junho 29, 2005

Bem prega Frei Tomás...

...fazei como ele diz, não como ele faz.

Mais papista que o Papa

No Parlamento Regional, um deputado do PS pavoneia-se em loas às famigeradas medidas apresentadas por Sócrates para combater o défice e colocar na ordem as contas do país. A sua intervenção incide essencialmente no fim de algumas regalias, há muito instituídas, dos funcionários públicos e no anúncio da austeridade e de uma espécie de nova ditadura que transforma tudo em números., em índices e em estatísticas. No caso em particular, Ricardo Freitas, o deputado em questão, referia-se ao congelamento das progressões automáticas nas carreiras e à passagem da reforma para os 65 anos, entre outras coisas (como o extraordinário aumento do IVA) que têm o objectivo supremo e ignóbil de culpar os suspeitos do costume.
Tudo muito bem. Nada que não se esperasse de um parlamentar da bancada que tem a mesma cor partidária do governo da República e que faz do seu discurso uma tentativa, vã e efémera, de legitimação da actual acção política de um executivo há demasiado tempo à deriva.
Mas o extraordinário nisto tudo, e espantem-se, é que o referido deputado é, para além de deputado pelo Partido Socialista, presidente do Sindicato Democrático da Função Pública na Madeira. Isso mesmo, leram bem: presidente do Sindicato da Função Pública na Madeira. Ora, neste cenário absurdo, não estaremos perante um caso gritante de incompatibilidade política? Como se sentirão os associados deste sindicato ao verem um presidente que não os defende e que não é com eles solidário? É para isto que servem os sindicatos? Bem fez Roberto Almada, deputado pelo Bloco de Esquerda, ao anunciar no hemiciclo que ia cessar imediatamente a sua inscrição neste sindicato e distribuir cópias do referido discurso pelos trabalhadores do mesmo. Se eu fosse sindicalizado, faria o mesmo.

segunda-feira, junho 27, 2005

A Ritinha e as amigas

Manter um programa sobre livros, em horário em que os outros canais passam novelas, como faz questão de sublinhar o apresentador no final de cada programa, não é fácil. Ainda que expatriado para essa coisa híbrida e cinzentona que é a RTPN, Francisco José Viegas continua a apresentar-nos, todas as semanas livros, autores, escritores, investigadores que de maior ou menor interesse representam de uma forma plural uma parte do que se cria, pensa e publica; Procurando justamente ser plural, o seu último programa foi alvo de um terrível erro de casting. A personagem convidada é a autora de um blog já famoso, o blog da rititi, que como outros se converteu agora em livro. Quem quiser pode consultar esse espaço de “reflexão” muito pós-moderno e rosa choc, onde a Rita escreve sobre a sua vidinha, e onde opina, sempre com muitas asneiras, sobre nada. A escrita é light e pop como convêm, carregada de Chanel, explanando argumentos banais, já conhecidos em outras pensadoras da mesma doutrina “pseudo-feminista-chic”.
Se o blog é insuportável, ao menos poupa-nos a visão da criatura. Já na televisão constatei o que seria se esperar. Uma menina muito Fashion como convêm, que vive em Madrid, e de vez em quando vem ao Portugal dos pequeninos visitar a família. Sim porque Portugal é chato, demasiado cinzento, machista, pequenino para a criatividade e inteligência da ritinha. Pela minha parte mandava as Ritas, as Martas, as Margaridas, e todas as “betinhas” que se acham escritoras para um gulag na Sibéria. Já é difícil fazer programas sobre livros. Já é complicado ler certas coisas. Agora aturar esta gente é impossível.

P.S – Não esquecer o papel muito “pedagógico” da editora Oficina do Livro, que pública a grande maioria das alarvidades que estas senhoras escrevem.

O regresso de Mohammed Saeed al-Sahaf


Ele fez história. E deixou seguidores:
Kumba Ialá garante que não perdeu as eleições.
A dupla Daniel Oliveira/Ana Drago garante que não houve arrastão e que os assaltos na praia de Carcavelos foram provocados pelo pânico de uma carga policial.
Saddam Hussein garante que ainda é presidente do Iraque.
Eu, perante o delírio, não garanto nada.

domingo, junho 26, 2005

Os populistas também se abatem

O Dr. Carrilo ameaça bater com a porta e abandonar a sua formosa candidatura a Lisboa. Percebo-o perfeitamente: o Dinis Maria afinal ainda não consegue articular um ensaio inteiro, o Eduardo Prado Coelho sozinho não chega para as encomendas e o antigo namorado da Bárbara (um tipo também conhecido por "cabelo azul") voltou à apresentação de programas de televisão. O pessoal do marketing, desesperado, também entende que a coisa assim não vai lá e que a conjugação dos planetas não está a ajudar o pobre político-filósofo (ou será filósofo-político?).
O Dr. Carrilho medita por isso profundamente. E medita profundamente à procura de algo que evite o naufrágio que as sondagens prometem. Por um lado, pode fugir (desistindo); e por outro, pode deixar-se ir de fantasia em fantasia até à estocada final (candidatando-se). Dê por onde der, um e outro caminho adivinham o fim do mito e são a prova provada que os intelectuais populistas também se abatem.

Um projecto

Um projecto muito interessante do Hugo, um colega meu de mestrado.

quarta-feira, junho 22, 2005

Sempre a abrir

Football Club United of Manchester

A recente criação de um novo clube por parte de um grupo de adeptos dissidentes do Manchester United, em sinal de desagrado provocado pela compra da maioria do capital do famoso clube das Midlands pelo magnata norte-americano Malcolm Glazer, surge, indiscutivelmente, como um grito de alerta e revolta para o perigo de desvirtuação da identidade clubística e de valores do jogo que ameaça corroer algumas agremiações futebolísticas espalhadas por essa Europa fora.
Tornado o clube mais rico do planeta na década de 90, e historicamente expoente máximo da globalização da indústria futebolística, o United tornou-se recentemente alvo de atracção por parte daquele multimilionário norte-americano, o que não sendo uma novidade nos dias de hoje, distancia-se ainda assim de casos semelhantes, como o Chelsea, por ter sido accionado por parte de um indivíduo garantidamente sem qualquer vínculo emocional ao jogo ou ao clube. Creio ter sido a partir daqui que boa parte da revolta se instalou entre os adeptos dissidentes.
Ao invés do que sucedeu com o Chelsea de Abrahamovic, por exemplo, um clube de bairro, habitualmente arredado de feitos de relevo alcançados nos relvados, que não desperta grande fervor na velha Albion, o United é um clube com expressão por toda a ilha, recheado de proezas futebolísticas ao longo do seu tempo de vida e detentor de um rico historial de atletas célebres, alguns deles a quem a vida foi tragicamente ceifada nos céus de Munique.
A sua eclosão primordial deve-se à vontade de um grupo de trabalhadores dos caminhos de ferro, operários ferroviários, que no século 19 viam no jogo uma forma não violenta de enfrentar de igual para igual a agremiação das elites locais, o City. A marca genética do clube em termos do perfil social dos seus adeptos de base manteve-se com o correr dos anos, não obstante as necessárias nuances introduzidas pela crescente popularidade nacional e internacional do mesmo.
Sabiam os adeptos que o clube era comandado por dirigentes que, apesar da pretensão de progressiva mercantilização da marca e obtenção de lucros, o United continuava a ter à sua frente indivíduos, se não todos, pelo menos alguns, que além de deterem uma visão estratégica do clube como instrumento de receitas globais, possuíam simultaneamente uma adesão emocional incondicional ao clube.
A circunstância de Glazer ser originário de um país que não possui uma tradição histórica no jogo, de nunca ter partilhado a memória colectiva de vitórias, derrotas e tragédias que formatou muitos dos fãs do United, e de provavelmente subestimar esse passado em prol exclusivamente da rentabilidade financeira do seu investimento, terá sido uma gota de água muito grande para a imagem dos ideais de agremiação clubística que seriam intocáveis aos 2600 antigos adeptos do United.
A ver vamos se em breve serão seguidos por outros adeptos, numa tentativa de recuperação da pureza perdida do jogo.

terça-feira, junho 21, 2005

Novos axiomas

“Os institutos de sondagens tornaram-se, nos dias de hoje, os adivinhos dos tempos antigos que lêem os inquéritos de opinião com a gravidade com que os seus predecessores interpretavam as entranhas das galinhas.”

Fareed Zakaria, “O Futuro da Liberdade”, Gradiva

Professores

Os professores estão chateados. Dizem eles que não podem ser prejudicados na carreira, na sua progressão, na reforma e numa série de direitos adquiridos. Não consegui confirmar, mas penso que já acham bem, por um outro prisma, reunir muito sem qualquer propósito, ensinar sem qualidade, ter 4 e 5 meses de férias, produzir hordas de analfabetos e ter horários que lhes permite, entre outras coisas, ensinar formação profissional, dar explicações ou ter um segundo emprego. À custa do Estado.
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.

sábado, junho 18, 2005

Cunhal, o Álvaro, Cunhal o homem

Sempre ofereci grande resistência ao(s) culto(s) de personalidade(s). Um característica pessoal que fez com que mesmo o quarto da minha adolescência fosse despido de posters de cantores rock ou actores de cinema, e que me previne ainda de envergar camisolas com rostos estampados. Não acredito em seres humanos perfeitos, superiores, ímpios, forjados na correcção suprema de carácter. A humanidade é a condição de ser humano – este por vezes bom, por vezes mau, por vezes assim-assim, algumas vezes fraco, outras forte, capaz de grandes actos de bondade, inventor da tortura. Fruto das circunstâncias – físicas, sociais, genéticas e outras, suas e dos outros. É deveras uma condição complexa esta, não passível de ser reduzida e resumida a um só adjectivo qualificativo.
De Cunhal como ser humano, no total pouco sei. Bateria na mulher, como se diz de Einstein, assumido pacifista? Não faço a mínima ideia. Se estivesse em Lisboa teria ido ao seu funeral. Não por ser Cunhal, o Álvaro, mas o homem, como tantos outros, complexo. Iria pois celebrar uma vida de luta contra um regime opressor, uma tenacidade de sobrevivência em nome da liberdade, qualquer que fossem os moldes em que Cunhal, agora o Álvaro, pensou essa liberdade. Sair à rua no seu funeral é celebrar não uma vida, mas tantas outras anónimas, que nos permitem hoje usufruirmos do impensável há 30 anos atrás. E é precisamente na celebração de tantas outras vidas anónimas de tantos outros seres humanos de excepção, que reside o meu contentamento de ver tantos e tantas a seguirem, de cravo na mão, a carreta funerária de Álvaro. Muitos daqueles que foram entrevistados pelas televisões tinham também eles histórias para contar. Estas histórias fazem a História, e esta deverá narrar o colectivo. Celebravam-se pois a si próprios, às suas vidas. Celebrei também eu nesse dia a vida de Fernandes, meu bisavó, que organizou a primeira greve em Portugal de estivadores no Porto de Leixões e que por isso foi bater com os costados ao Aljube, agravando assim a pobreza da sua vasta prol que sempre o apoiou e compreendeu a sua permanente indignação. Assim o seguiu, uma vida também tantas vezes na clandestinidade, por esse Portugal a fora, de onde sempre se recusou a sair. ‘Prendem-te o corpo mas nunca o pensamento’, dizia.
O funeral de Cunhal foi para mim a não celebração do mito, mas do homem que como outros, e de uma vida, que como tantas e tantas outras, também elas de excepção, lutaram pela libertação da liberdade enclausurada pela ditadura. A ser símbolo, que esse dia seja o símbolo do colectivo, de bravas gentes que eu quero acreditar que ainda existem. Que não seja mito. Os mitos elevam-se à condição de sombras nas cavernas, das sombras geram-se dogmas, e os dogmas sim, não aprisionam os corpos (quando não...) mas quase sempre o pensamento...

sexta-feira, junho 17, 2005

Títulos e manchetes

Selecção do “lê-se” da parte desportiva do Diário de Notícias do Funchal de 17 de Junho de 2005

“Benfica recusa 7 milhões da Juventus por Miguel” – O Jogo

“Não peçam a lua por mim” – Miguel em declarações à imprensa italiana, citadas por O Jogo

“Quero experimentar outro campeonato” – Miguel (Record)

“Sporting não vende Enak ao Dínamo por seis milhões” – O Jogo

“Empresário diz que jogador ficou furioso” – Idem

"Enakarhire não deseja jogar no Sporting" - A Bola

“O presidente disse bobagens sobre mim” – Luís Fabiano sobre Pinto da Costa (O Jogo)

“Koeman quer matulões” – Record

“Benfica vota contra sorteio dos árbitros” – Record

“Vai ser craque” – Ronaldinho Gaúcho sobre Anderson (A Bola)

O mundo do futebol é cada vez mais surreal.

O trolha de Portugal

Descoberto via Sinédrio, mas originalmente colocado no blogue Clube de Fans do José Cid, aprecie a eleição do Trolha de Portugal no inenarrável programa do Manuel Luís Goucha. E depois, claro e como não podia deixar de ser, delicie-se com o seu regresso.
Na televisão pode-se tudo. Há muito que batemos no fundo.

quinta-feira, junho 16, 2005

Descarril(h)amentos

O Sr. Carrilho anda ligeiramente ofendido com aquilo que a comunicação social, e nomeadamente o jornal Público, lhe anda a fazer. Percebe-se a revolta. Percebe-se o narcisismo. Carrilho quer transformar a sua campanha numa reunião de família, onde só entram as coisas boas, que é como quem diz as coisas giras que ele tem para mostrar. Fez por isso um vídeo singelo onde mostra a sua bela mulher, o filho e até, dizem, a sua irmã (desconheço se declamou algum poema). E fez disso um grande alarido: convocou a comunicação social, convocou notáveis, convocou até o primeiro-ministro e o inesgotável Coelho. O vídeo não provocou boa digestão em algumas pessoas e o próprio Carrilho devia saber que a utilização deste tipo de imagens-propaganda pode ser uma faca de dois gumes (para não dizer de dois legumes, como o Jaime Pacheco). Alguns jornalistas atacaram-no comparando o dito vídeo ao do “menino guerreiro”, que tanta celeuma levantou por alturas de uma outra campanha eleitoral. Tudo muito certo e tudo muito natural. Há uns tempos atrás Carrilho agrediu um fotógrafo que tentava captar imagens do seu rebento à porta de sua casa. Há uns tempos atrás ainda Carrilho vendeu o exclusivo do seu casamento às revistas do coração, publicações aliás, que muito gostam de o promover como homem sério, de família, intelectual e muito chique. Frequentemente o Sr. Carrilho e a sua família (não incluir a irmã), são capa de revista e motivo de comentário. Apenas um conselho para o Sr. Carrilho: quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. É por isso errado comparar esta situação a outras situações como Carrilho (o homem deve ter explodido de raiva com a comparação com o “menino guerreiro”!!!) faz no seu artigo de hoje no Público (disponível apenas para assinantes).
Pode-se naturalmente mostrar a família. Pode-se até mostrar a casa, a cama, o escritório onde se trabalha ou os pratos onde se come. Pode-se inclusivamente mostrar a bela mulher (que rende muitos votos, de certeza absoluta) e o petiz (a dizer papá ou qualquer coisa do género). Mas coisa completamente diferente é encenar tudo isto disfarçado de normalidade como se fosse um qualquer folhetim de propaganda rasca ou de revista cor-de-rosa (aliás palco habitual do casalinho, como já foi referido).
Carrilho, também conhecido por Jack Lang português (nunca percebi muito bem porquê), devia por isso ter mais juízo e saber, que chatice, que não há assim tantos parvos e que há gente, outra chatice, que não pensa como ele. É um problema de forma. E também de conteúdo.

Luisão [afinal] quer ficar no Benfica

Ouvindo a SIC Notícias fico a conhecer as capas dos jornais diários de hoje. A d’”A Bola” é sugestiva: Luisão quer ficar no Benfica. Não sei se isto é interessante ou sequer pertinente, mas desde praticamente o fim da época que Luisão era cobiçado pelos principais (!) clubes europeus. De repente, parece que deixou de ser.
Sejamos sérios: a quem é que interessará (se é que alguma vez interessou) um central de categoria duvidosa, demasiado lento e descoordenado, que se fartou de meter água a época toda? Ao Inter? Ao Real Madrid? Ao Milão? A outros colossos europeus? Os absurdos são tantos que só podem ter mesmo por justificação a venda de jornais e as fábulas e mitos frequentes que diariamente se criam. Esta história do Luisão faz-me lembrar uma outra que saía nos jornais e era garante de manchetes e primeiras páginas (e consequentemente de receitas): a ida de Beto para o Real Madrid. Durante muitos anos, o Beto, outro central de categoria duvidosa, era figura assídua nestas peças de teatro divididas em muitos actos como convém. Mas até hoje, o mais perto que Beto esteve de Madrid foi quando, muito provavelmente, lá foi passear com a esposa.
Muitos outros exemplos irreais podiam ser dados. Arrisco avançar que boa parte das primeiras páginas desportivas portuguesas nunca se concretizam, principalmente quando não há campeonato. Isto é o mesmo que dizer que são falsas, manipuladas ou exageradas.
A quem serve este tipo de jornalismo? Porque será que até no jornalismo o futebol parece viver num regime de excepção? Será que ninguém percebe o ridículo de certas notícias? Será que não há uma alta autoridade que chame a atenção para estas poucas-vergonhas? Não estão os jornais fartos de enganar incautos? De enganar fanáticos? O Luisão no Inter? O Luisão no Real Madrid? Por favor: acabem com o ridículo.

Salvar o barco

Realisticamente alguns países europeus começam a concordar com a necessidade de parar para reflectir sobre o futuro da Europa e do seu tratado. A orquestra parou de tocar. Vamos lá ver se ainda conseguimos salvar o barco.

terça-feira, junho 14, 2005

Sobre Álvaro Cunhal

Nos discursos produzidos acerca de Álvaro Cunhal nestas horas após a sua morte nos e pelos media, principalmente por figuras políticas mais ou menos relevantes e pelos agentes dos media, continuam a ser visíveis as marcas da discórdia que a figura de Cunhal foi despertando ao longo dos anos.
Personalidade controversa, não imune a muitas críticas sobre determinados posicionamentos políticos, que, do meu ponto de vista são justas e precisas, entendo que não deve ser na sua morte que se deve vedar a capacidade crítica dos outros se pronunciarem sobre a sua pessoa.
Mas a condição individual de se poder exercer o direito à palavra, em frente a um microfone, num ecrã televisivo ou nas páginas de um jornal, para se apontar o dedo a alguém, atribuindo-lhe acções nefastas e perversas para um determinado processo, deveria pressupor duas obrigações éticas:
- a primeira, pressupõe que cada indivíduo, antes de verberar outro indivíduo, fizesse um juízo pessoal de auto-consciência acerca do seu papel pessoal na situação que critica;
- a segunda, que se tivesse presente na memória toda a cronologia desse alguém, de molde a erradicar selectivivades temporais e comportamentais.
São estes dois preceitos que algumas pessoas não têm tido presente quando se abalançam a tecer comentários acintosos sobre a figura de Álvaro Cunhal. Quando elas invocam unicamente a predisposição do histórico líder comunista no período do PREC para a abolição dos direitos, liberdades e garantias do povo português, devem elas julgar-se a si próprias sobre o comportamento por que se pautaram no passado, porque muitas delas já eram bem crescidinhas no Antigo Regime, e portanto conheciam a "massa" de que este era feito.
Se há julgamento maniqueísta que pode ser feito com à vontade, certamente que deve ser sobre a posição, a atitude e o comportamento individual exercido durante a mais longa ditadura da história nas sociedades ocidentais.
Aí, Cunhal, tem as costas muito largas, como muitos anónimos neste país. Lutou e combateu incansavelmente um regime predador, como nenhum outro na história deste país, dos tais direitos, liberdades e garantias. Arriscou a vida inúmeras vezes e pagou um preço muito caro durante mais de uma década, em que esteve aprisionado.
Ao invés, a História não reconhece aos Ribeiros e Castros e às Marias Josés Nogueira Pintos, a miníma atitude contestária ao regime fascista português. Se a ele se opuseram alguma vez, fizeram-no sentados de poltrona, certamente...
A análise histórica dos acontecimentos, dos factos ou das pessoas postula uma observação diacrónica e total, para não ferir de morte a legitimidade de quem a produz. Relevar no passado apenas aquilo que mais nos convém, ao sabor das conveniências pessoais, além de intelectualmente desonesto, contraria o velho ditado de atribuir a "César o que é de César". E a Álvaro Cunhal não devem ser colados apenas os aspectos mais justamente criticáveis, mas igualmente o papel ímpar e incontornável para que hoje os indispensáveis direitos, liberdades e garantias, estejam constitucionalmente consignados em Portugal.
Felizmente, a maioria dos portugueses, sendo comunista ou não, reconhece justiça a quem a merece.

quinta-feira, junho 09, 2005

Da ofensa

A condicao de ofendido ja serviu melhor a humanidade. Tempos houve em que se ficava ofendido pela iniquidade de regimes politicos, pelas mas condicoes de trabalho, pelo aumento de impostos, pela privatizacao da seguranca social, pela injustica das guerras , pela permanencia das fomes, pela divisao de herancas familiares, pela honra de alguma dama. Mas hoje nao, ha quem se sinta ofendido por causa dos onze rapazes que correm atras de uma bola. E legitimo. Mas qual e a causa da ofensa, se me permitem ser mais especifico? A agremiacao desportiva que apoio, os rapazes de vermelho que apesar de nao jogarem pevide la ganharam o campeonato, foi acusada neste blogue, entre outras coisas, de corrupcao, trafico de influencias, de conluio com regimes fascistas, branqueamento das politicas do novo governo, roubo de patentes (todas com origem no MIT portugues de Alvalade, onde, alias, tambem se inventou a roda), de ser apoiada pelo povo ignaro e alienado e de ser a vergonha de Portugal (como se o Benfica tivesse por obrigacao representar alguem alem dos seus adeptos e associados). Perante este rol digno dos Julgamentos de Nuremberga, a que falta porventura alguma ligacao a Al-Qaeda, eu apenas afirmei, metaforicamente, que os adeptos do Sporting se parecem com melancias, alias um fruto com o qual simpatizo. Convinhamos que nao e assim tao contundente. Claro que a afirmacao peca por generalizacao. Ha adeptos do Sporting que gostam de futebol, que gostam do futebol da sua equipa e que nao definem a sua identidade social por odiarem o outro. As minhas desculpas a essa minoria.

quarta-feira, junho 08, 2005

As mulheres dos socialistas II

Entre as mulheres socialistas, a briga está ao rubro. Por entre votos mal contados e indecisão periclitante quanto à vencedora, e de acordo com o Público de hoje, as duas putativas candidatas a presidente das mulheres socialistas acusam-se e digladiam-se numa guerrilha de contra-informação à procura do melhor posicionamento possível para uma eventual vitória na secretaria. Chega-se ao cúmulo de ambas apregoarem vitória por margens mínimas: num caso 50 votos, noutro pouco mais de 80. Por entre a trapalhada geral, e a ameaça de uma guerra civil, um pormenor, de pouca monta, salta à vista e necessita de urgente resposta: afinal, o que as faz assim tão diferentes dos homens?

O regresso



Lomu está de volta. Para gáudio de todos os que adoram este extraordinário desporto, eis um exemplo de um super-homem ou pequeno deus. Bem-vindo.

Chega!

De psicologia e de escrever neste blog. A partir do momento em que se entra no campo das ofensas pessoais - e eu considero ter sido insultado - não faz mais sentido andar por aqui. Cumprimentos.

terça-feira, junho 07, 2005

A Psicologia da Segunda Circular III

Assim de repente, so me interessa falar do Sporting em relacao a um aspecto : o brilhante futebol que o clube do Leao praticou na ultima epoca. Ora ai esta algo que nao me importava fosse imitado no outro lado da Segunda Circular. Curiosamente, nao ouvi a um sportinguista uma palavra, ou li uma linha de texto, sobre este assunto, que, porventura, por raiva ou ignorancia, devem considerar menor. Nas suas cabecas, que se assemelham a melancias, ostenta-se o verde, mas por dentro so se ve o vermelho. Um caso psiquiatrico a que so posso desejar melhoras rapidas.

A psicologia da Segunda Circular II

Emulação...

Quem decidiu primeiro constituir uma Sociedade Anónima Desportiva para o futebol do seu clube? Quem o imitou?

Quem decidiu primeiro construir um novo estádio, ainda antes de se saber que haveria um Campeonato da Europa em Portugal? Quem o imitou?

Quem decidiu primeiro construir um Centro de Estágio para a equipa principal e para as camadas jovens do seu clube? Quem o imitou? (Esta premissa até está a mais, visto que uma 1ª pedra não pode rivalizar com uma obra já construída e inaugurada há três anos. As minhas desculpas.)

Após onze anos de míngua, quiçá já perdido num recanto obscuro da memória o local onde se comemoravam os títulos, onde se comemorou o título 2004/05? No local de comemoração por excelência do clube rival. Sob o olhar do majestoso leão do Marquês.

Conclusão: Afinal parece não ser tão inimaginável assim que também para os lados do Colombo, se perca até mais do que um minuto em considerações sobre o que se faz do outro lado da rua...

segunda-feira, junho 06, 2005

A psicologia da Segunda Circular

No outro dia, uma apresentadora de radio inglesa anunciava com alguma emocao que uma sondagem sobre a opiniao que os europeus tinham dos franceses indicava que estes eram considerados arrogantes, chauvinistas, malcriados etc, etc. Descendo na escala da sondagem, a locutora passou a enunciar aquilo que os ingleses achavam dos franceses. Os adjectivos tornaram-se mais carregados. De seguida, perguntou a uma representante da embaixada francesa em Londres o que achava da dita sondagem. A senhora, num ingles com sotaque vincado, sorriu, e agradeceu espantada a dedicacao que os ingleses prestavam ao seu povo, garantindo ainda que em Franca era inimaginavel que se perdesse um minuto em consideracoes sobre os ingleses.

domingo, junho 05, 2005

As mulheres dos socialistas

Duas mulheres disputaram a liderança de uma coisa com o sugestivo nome de Mulheres Socialistas: uma moça de 32 anos e uma menos moça de 45. Desconheço o tipo de fauna que participa activamente neste jogo de aberrações e desconheço também o resultado das eleições deste programa da vida real. Mas ao recordar meia dúzia de notícias saídas sobre o assunto (incluindo um inenarrável artigo publicado a semana passada num jornal de referência) não me lembro de uma única ideia da D. Sónia Fertuzinhos ou da D. Maria Manuela Augusto para bem do país ou para bem do Partido Socialista. Minto: uma ideia parece habitar nestas mentes brilhantes o que, acreditem, não sendo pouco, é pelo menos raro. Mas espantem-se, porque a ladainha é a costumeira e a ideia não é original: passa pela pedincha de lugares de destaque em listas que dêem tachos bem remunerados, numa proporção apontada para os 30% mas que aparentemente tem de chegar aos 50. Claro que pelo meio vocifera-se qualquer coisa sobre ética, participação igual entre sexos, oportunidades, capacidades e outras coisas do género que soam bem e que são politicamente correctas. Conhece-se a táctica. Pessoalmente conheço mulheres que gostam muito de evocar a sua condição feminina. Mas nada como ganhar na secretaria aquilo que, normalmente, não se consegue ganhar dentro de campo. Acreditem que é mais fácil, é mais simples e dá muito menos trabalho.

Descriminações

O Público lançou na semana passada uma nova colecção de DVDs dedicada à II Guerra Mundial. Hoje consegui comprar o segundo volume, já que o primeiro nem vê-lo. De acordo com três vendedores, o primeiro volume, o primeiríssimo, não foi distribuído na Madeira. Coisa recorrente, ao que sei. Ao que sinto. As promoções quando chegam, chegam tarde, é certo e sabido. Com sorte, no dia a seguir. E às vezes nem chegam, como este caso específico demonstra. Apenas mais um exemplo sintomático: o primeiro número da revista Atlântico foi distribuído gratuitamente a nível nacional com uma das edições do Público de Março (ou na última quinta-feira ou na última sexta, não estou bem certo). Ainda hoje, o famigerado número um cá não aterrou. Nem mesmo pagando num qualquer quiosque é possível obtê-lo. E assim, primeiro número, e de acordo com um email que recebi entretanto da Atlântico, só mesmo encomendando. Descriminações sem sentido.

sexta-feira, junho 03, 2005

Já à venda... numa loja perto de si.

A colectividade à qual foi entregue o título de campeão nacional de futebol já colocou à venda os equipamentos para a próxima temporada. Estão disponíveis as indumentárias de jogador de campo, guarda-redes, árbitro e fiscal-de-linha. Os dois últimos não têm chuteiras incluídas.

quinta-feira, junho 02, 2005

Dias Mundiais

Desengane-se quem pensou que a proposta de criação do "Dia mundial da criança por nascer", foi a única novidade dada a conhecer pelo CDS-PP, ontem em conferência de imprensa.
Inspirado pelo suplemento satírico "Inimigo Público", este partido pretende implementar doravante a comemoração institucional de mais algumas efemérides, que "se não aconteceram podiam perfeitamente ter acontecido". São elas:
- o dia da vitória da equipa de ciclismo do Sporting, no dia 14 de Abril de 1947, na clássica do ciclismo nacional, Alenquer-Mafra;
- o dia da descoberta de Penicilina, pelos irmãos Correia, residentes no Sabúgal, no dia 19 de Novembro de 1928;
- o dia da derrota das forças malignas comandada por Darth Vader, na Batalha de Melgaço, em 8 de Janeiro de1989;
- e por fim, o dia da fundação do CDS, no dia 19 de Julho de 1974, por Basílio Horta.

quarta-feira, junho 01, 2005

Sô Nicolau

Desde há longos anos é uma aparição nocturna habitual na Estrada Nacional 337/1. Não é um vulto estranho naquele período, pois que a sua actividade profissional exige que ele se faça à estrada durante a noite. Padeiro há muito anos, o Sô Nicolau pedala diariamente, pelas bordas do alcatrão, uns bons quilómetros na sua eterna e inconfundível bicicleta amarela, desde a aldeia de Tondelinha até Viseu, ainda que perigosamente o faça sem iluminação no seu veículo...
É um percurso relativamente sinuoso, com um subida considerável quando se vai em direcção a Viseu, mas quando a força para pedalar esmorece o Sô Nicolau continua sempre, caminhando e levando a bicicleta à mão, à chuva, ao frio ou ao calor. Se há algo que não se pode acusar o Sô Nicolau é de fazer gazeta aos seus compromissos profissionais.
Para sempre marcado por uma doença que em criança o atacou (consta que terá sido a meningite) e que nele deixou sequelas permanentes, o Sô Nicolau precocemente viu morrer o seu pai, ficando a cargo da mãe até à falecimento desta. Com o desaparecimento da progenitora, o Sô Nicolau ficou entregue a si próprio numa época em que o apoio e a assistência médica e material eram um privilégio ao qual a sua condição social não permitia aspirar.
Alguém que acreditou na sua capacidade, não obstante a perda de faculdades mentais que assolou o Sô Nicolau após a doença, empregou-o como padeiro. Até hoje, continua a abraçar a mesma profissão que o ocupa na maior parte do tempo, seja na actividade propriamente dita, seja nos tempos de deslocação para o local de trabalho. O resto do seu tempo é passado em confraternização com os seus conterrâneos e cumprindo rigorosamente dois rituais, que, passe o pleonasmo, são o pão de muitos dos seus dia-a-dias:
Marcar presença em todos os funerais de da freguesia, ainda que o faça, por vezes, com alguns minutos de atraso, que o obrigam a acelerar vertiginosamente a velocidade com que se desloca, proporcionando a execução de manobras na bicicleta somente ao alcance de poucos, cabriolando por entre magotes de pessoas e fazendo rápidos piões para saltar da bicicleta em movimento e assim mais rapidamente chegar à Igreja, e vestir o seu fato domingueiro no respectivo dia.